Santa Maria Eugênia de Jesus
agiu corajosamente na contramão
Religiosa
[1817-1898]
Origem
Seu nome de batismo é Ana Eugênia Milleret de Brou. Mais tarde, se tornará
Maria Eugênica de Jesus. Nasceu em Metz (França) em 25 de agosto 1817. Passou
sua infância em sua casa natal, na fronteira entre Luxemburgo, Alemanha e França. Cresceu no
seio de uma família incrédula. Seu pai era um alto funcionário, e sua mãe, descendente da
nobreza da Bélgica e Luxemburgo, era excelente educadora. Ambos viviam um
formalismo religioso. A família tinha um brasão: Nihil sine fide —
nada sem fé —, que Ana Eugênia levou gravada em seu peito para toda a vida. Em 1830, seus pais se separam, e ela segue com a mãe para
Paris. Dois anos depois, ela perde brutalmente a mãe devido a uma epidemia de
cólera.
Encontro místico
Maria Eugênia teve um verdadeiro
encontro místico com Jesus Cristo no dia de sua primeira comunhão no Natal de
1829: “Nunca o esqueci”.
Anos depois, o pai a leva de volta para Paris. Ali, ela volta a ter uma
experiência profunda com Deus, que direciona toda a sua vida. Era Quaresma de
1836, quando, ao ouvir uma pregação na Catedral de Notre Dame, ela afirma: “Sua palavra
despertava em mim uma fé que nada pôde abalar. Minha vocação começou em Notre Dame”, diria mais tarde. Apaixona-se pela renovação do
cristianismo.
Chamado à vida religiosa
Ana
Eugênia, aos 18 anos, decidiu: “Quero dar todas as
minhas forças, ou melhor, toda minha fragilidade, a essa Igreja!”. Sua
experiência com Jesus e o desejo de gastar-se por Ele, fazendo a diferença
na sociedade, foi crescendo cada dia mais. Aos 21 anos, com algumas
companheiras, começou a Congregação das Religiosas da Assunção. E assumiu
um novo nome: irmã Maria Eugênia de Jesus. Ela teve a coragem de se fazer
discípula, seguidora de Jesus. Muitas jovens se deixaram contagiar pelo seu
entusiasmo e por sua coragem. Essas, partilhando de seu mesmo sonho,
juntaram-se a ela na nova congregação por ela fundada.
“O essencial
é que o Bem se faça, seja por nossas mãos, sejam por outras.” (Santa
Maria Eugênia de Jesus)
A obra da Assunção no mundo
O objetivo da nova fundação era alto:
transformar a sociedade, através do Evangelho, pela educação. E um ponto de aplicação:
as mulheres. Maria
Eugênia de Jesus sonhou com missão na China – sonho que ainda não se realizou.
Em mais de 50 anos de trabalho, espalhou comunidades por vários países da Europa, mas também na África, na América
Latina, nas Filipinas (Ásia) e na Nova Caledônia (Oceania). Hoje, são mais de 1000 religiosas
trabalhando em 31 países, inclusive no Brasil.
Saúde física e encontro com o Pai
Foi na velhice, depois de uma vida
ofertada a Deus, que Maria Eugênia de Jesus vê sua saúde extremamente debilitada.
Ela foi vencida por uma paralisia em 1897, e ali foi apagando-se aos poucos.
Até o último instante de sua vida, procurou expressar sua bondade através de
seu olhar. Uma de suas últimas frases foi esta: “Só me resta
ser boa”. No dia 10 de março de 1898, encontra-se
definitivamente com o Cristo ressuscitado, sua única paixão enquanto estava na Terra.
Frase da santa
“O desânimo está muito longe do meu espírito.
Estamos bem convencidas de não haver em nós a santidade exigida pelas obras de
Deus. Sendo assim, eu não me surpreenderia com nenhuma espécie de insucesso.”
O resultado de uma vida na Santidade
Fé e ação
“É preciso
coragem para pensar diferente. É preciso coragem para agir diferente. É preciso
coragem para ter personalidade, para expressar opiniões próprias, que muitas
vezes vão na contramão em relação à maioria das pessoas.” Era
assim que Maria Eugênia de Jesus, uma mulher de fé e de ação, se expressava e
agia ao viver no século XIX. Sua vida tem muito a nos dizer, que
já estamos no século XXI.
Reconhecimento nos altares
Maria Eugênia de Jesus sobe aos altares
em 1975, onde foi beatificada pelo Papa São Paulo VI . Ao colocá-la como
exemplo para toda a Igreja, o então Papa Paulo VI lançou um desafio: que, como
Maria Eugênia, os cristãos tenham a audácia de fazer do Evangelho o seu projeto
de vida. “Ousem” – dizia o Papa – “a viver a
santidade”.
Canonização
Santa Maria Eugênia de Jesus foi
canonizada pelo Papa Bento XVI, em 3 de junho de 2007, na Solenidade da
Santíssima Trindade, destacando-se na homilia: “Maria
Eugénia Milleret, durante a sua existência, encontrou forças para a sua missão,
associando incessantemente contemplação e ação. Que o exemplo de Santa Maria
Eugênia convide os homens e as mulheres de hoje a transmitir aos jovens os
valores. Que os ajudem a tornar-se adultos fortes e testemunhas jubilosas do
Ressuscitado”.
Oração que a própria santa fazia
“Peço a Deus o dom da oração contínua, o
deixar-me a mim mesma e todo o apoio humano para um total apoio em Deus.”
Minha oração
“Senhor, que o meu coração seja inflamado deste
amor que levou Santa Maria Eugênica de Jesus a dedicar toda a sua vida ao Evangelho,
marcando a vida das mulheres do seu tempo, para que a
sociedade pudesse ser transformada. Que minha vida doada em todos os ambientes
em que estou inserido, deixe marcas do céu por onde eu passar. Que meus olhos e
meu coração permaneçam sempre fixos em Ti. Amém.”
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