segunda-feira, 22 de abril de 2019

PROMOÇÃO SOCIAL: VICENTINOS ESTÃO HÁ 146 ANOS NO BRASIL LUTANDO PELOS DIREITOS DOS POBRES




Promoção Social: Vicentinos estão há 146 anos no Brasil lutando pelos direitos dos pobres
O que a dona Rosa Lopes Neves (45) segura nas mãos não são apenas pacotes de açaí; são as chaves que a libertaram das correntes da miséria. Com sérios problemas na coluna, ela não conseguia mais trabalhar na lavoura. Desempregada, chegou ao extremo de não ter o que comer em casa. Quando os vicentinos souberam das dificuldades de dona Rosa, a primeira medida foi a doação de cestas básicas semanais para ela e o filho. “É como diz o ditado: ‘saco vazio não para em pé’”, analisa a consócia (nome dado às mulheres vicentinas) Antônia Arlene de Moura Pereira.  Certificados de que a família não passaria mais fome, os vicentinos começaram a atuar em outra frente de trabalho: a criação de uma fonte de renda para promover socialmente a assistida. Eles estudaram muito a situação e perceberam que o melhor caminho seria a doação de uma máquina para o processamento do açaí, já que o fruto tem em abundância na região onde ela mora e é muito apreciado pelos paraenses.
Os membros da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) criaram um projeto e solicitaram recursos ao Conselho Nacional do Brasil – Unidade que administra os trabalhos da SSVP no país – e conseguiram o dinheiro para comprar os equipamentos. Com a venda do açaí, ela ganha em média R$50 por dia. Dá para comprar alimentos e, o que sobra, guarda em prol da concretização de um sonho. “Eu sou muito grata a Deus por ter esta casa de pau a pique, mas eu queria muito morar numa casa de alvenaria, onde não entrassem bichos e a gente não tivesse problemas com as goteiras”, chora.
Os vicentinos fazem visitas às famílias carentes, indiferentes ao credo religioso delas, todas as semanas. Crédito: Tatielle Oliveira
Dona Rosa é uma das 1,5 milhão de pessoas que recebem a assistência da SSVP no Brasil. Mais de uma tonelada de alimentos são distribuídos semanalmente. Mas a cesta básica não é o mais importante: “ela significa apenas um pretexto para que os vicentinos possam entrar nas casas dos Pobres, entender os dramas que os afligem e motivá-los a terem esperança; a sonharem e acreditarem com um futuro melhor”, explica o confrade (nome dado aos vicentinos homens) Carlos Henrique David no livro A mística da visita aos Pobres (Coleção Vicentina)que expõe de forma detalhada como funciona o trabalho dos vicentinos.
SSVP
A Sociedade de São Vicente de Paulo foi fundada pelo confrade e bem-aventurado Antonio Frederico Ozanam e mais seis amigos em 1833, na França, para ajudar as pessoas Pobres. Como a fome é um problema mundial, a SSVP se espalhou pelo mundo. Hoje, ela está presente em 153 países. O Brasil é o maior em número de membros: cerca de 150 mil.
Trabalho
Além das visitas semanais com a distribuição de cestas básicas, os vicentinos administram 751 Obras Unidas, que são educandários e principalmente Instituições de Longa Permanência (ILPIs), a exemplo de asilos. Neles, os idosos recebem alimentação, remédios, cuidados e carinho.
Confrade Cristian Reis da Luz. Crédito: Tatielle Oliveira
A promoção social no meio vicentino recebe o nome de Mudança Sistêmica.
“Nós, os vicentinos, não somos apenas entregadores de cestas básicas. Somos verdadeiros vocacionados e discípulos do Evangelho de Jesus Cristo, servindo sempre aos ‘pequeninos’ do Reino. Escrevemos a palavra Pobres com inicial maiúscula, porque acreditamos que ao servi-Los, estamos servindo ao próprio Cristo” – confrade Cristian Reis da Luz, presidente nacional da SSVP
Seja parte da Rede de Caridade
Se você é leigo e quer praticar a caridade em nome de Jesus, seja um (a) vicentino (a). Procure uma Conferência na sua Paróquia e ajude a aumentar esta rede de amor, esperança e serviço aos Pobres.

*Matéria publicada na primeira edição da revista CNBB Social/2019
*Com informações da Sociedade São Vicente de Paulo Brasil (SSVP)
Fonte: CNBB

PAPA FRANCISCO COMPLETA 46 ANOS COMO JESUITA




Sacerdote jesuíta Jorge Mario Bergoglio (hoje Papa Francisco) / Foto: Companhia de Jesus (Argentina)

REDAÇÃO CENTRAL, 22 Abr. 19 / 09:37 am (ACI).- Nesta segunda-feira, faz 46 anos da profissão solene religiosa de Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco, o qual entrou na Companhia de Jesus em 11 de março de 1958 e professou em 22 de abril de 1973.
O primeiro Papa latino-americano da história foi ordenado em 13 dezembro de 1969 e depois continuou sua formação na Espanha entre 1970 e 1971. Dois anos mais tarde, realizou sua profissão perpétua como jesuíta.
Entre os anos 1972 e 1973, foi professor de noviços na Argentina, na localidade portenha de San Miguel, onde também atuou como professor da Faculdade de Teologia, consultor provincial da Ordem e Decano do Colégio. Em 31 de julho daquele ano, foi eleito Provincial dos jesuítas na Argentina. Tinha então 37 anos.
O dia 22 de abril é uma data clássica em que os jesuítas professam seus últimos votos religiosos, ao final de um longo período de formação religiosa. Nesse dia, em 1542, Santo Inácio de Loyola – fundador da Companhia de Jesus – e seus primeiros companheiros fizeram a profissão solene em Roma, depois da aprovação do Papa Paulo III da nova ordem nascente.
Santo Inácio de Loyola e seus companheiros fizeram sua profissão diante de uma imagem da Virgem Maria, na Basílica de São Paulo Extramuros de Roma, que naquele tempo era a Basílica Papal, pois São Pedro ainda estava sendo construída.
O Papa Francisco rezou diante dessa mesma imagem no final da Missadurante sua primeira visita à Basílica, em 14 de abril de 2013, uma semana depois de ter tomado posse como Bispo da diocese de Roma.
Fonte: ACI Digital


NOVO APELO DO PAPA: ORAÇÃO E SOLIDARIEDADE AO POVO DO SRI LANKA




No Regina Coeli, o Papa Francisco expressou sua proximidade ao povo do Sri Lanka ferido pelos atentados no Domingo de Páscoa. Mais uma explosão nesta segunda-feira.
Mariangela Jaguraba – Cidade do Vaticano
Depois da oração do Regina Coeli, nesta segunda-feira do Anjo, o Papa Francisco voltou novamente o seu pensamento ao povo do Sri Lanka:
“Expresso novamente minha proximidade espiritual e paterna ao povo do Sri Lanka. Estou muito próximo ao meu querido irmão, o cardeal Malcolm Ranjith Patabendige Don, e a toda a Igreja arquidiocesana de Colombo. Rezo pelas numerosas vítimas e feridos, e peço a todos para que não hesitem em oferecer a esta querida nação toda ajuda necessária. Espero também que todos condenem estes atos terroristas, atos desumanos, não justificáveis.”
A seguir, o Papa convidou os fiéis presentes na Praça São Pedro a rezarem uma Ave-Maria pelo Sri Lanka.


"No clima pascal que caracteriza o dia de hoje", continuou o Papa, "saúdo com afeto todos vocês, famílias, grupos paroquiais, associações e peregrinos, vindos da Itália e de várias partes do mundo".
Francisco desejou aos fiéis de "transcorrerem estes dias da Oitava da Páscoa com fé, em que se prolonga a memória da Ressurreição de Cristo. Aproveitem toda boa ocasião para serem testemunhas da alegria e da paz do Senhor ressuscitado".
O Papa desejou a todos uma Feliz e Santa Páscoa e pediu aos fiéis para não se esquecerem de rezar por ele.
Mais bombas
Entretanto, uma nova explosão no Sri Lanka. Uma bomba explodiu perto da igreja de Sant'Antonio, em Colombo, e provocou pânico e fuga dos presentes. Segundo as agências de notícias internacionais, as forças policiais envolvidas nas buscas e nas investigações sobre os atentados deste domingo, no Sri Lanka, encontraram 87 detonadores perto de uma parada de ônibus na capital, Colombo.
290 mortos e 500 feridos
O número de mortos nos ataques no Sri Lanka sobe para 290 e 500 feridos. É um balanço ainda parcial. Foram atingidas três igrejas durante as celebrações pascais e três hotéis de luxo de Colombo. Totalizaram oito explosões. As igrejas atingidas são a igreja de Santo Antônio, em Colombo, a de São Sebastião, em Negombo, localidade com a maioria católica no norte da capital, e Zion Church, em Betticaloa, no Leste. No país foram anuladas todas as celebrações pascais, imposto o toque de recolher, já revogado na manhã desta segunda-feira (22), e bloqueadas as redes sociais para evitar circulação de notícias falsas e mais violência. Nenhum grupo reinvidicou a autoria das ações até o momento.
Fonte: Vatican News

PESQUISA CNBB: IGREJA NO BRASIL TEM EXÉRCITO DE CARIDADE DEDICADO A AÇÕES SOCIAIS


Pesquisa CNBB: Igreja no Brasil tem exército de caridade dedicado a ações sociais
“Café Fraterno” servido diariamente a 2.1 mil imigrantes venezuelanos na paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Pacaraima (RR).
Pacaraima (RR), dia 14 de agosto de 2018. Cerca de 2,1 mil pessoas se juntam nas proximidades da paróquia Sagrado Coração de Jesus na esperança da primeira refeição do dia. São centenas de famílias venezuelanas que fugiram de seu país em busca de dignidade, com a fé e a esperança junto das bagagens. Quem comanda a equipe em torno do “café fraterno” é o padre Jesus Lopez Fernandez de Bobadilla, que além do fornecimento de alimentação há mais de um ano, conduz outras iniciativas de acolhimento e acompanhamento para com os venezuelanos, um “povo tão maltratado”, como caracteriza. A iniciativa recebe o apoio da diocese de Roraima (RR).
No Sul do país, às quartas-feiras, desde 2013, o compromisso é ir para a cozinha e levar de Kombi um jantar para a população de rua da cidade portuária de Itajaí (SC). A chamada “Kombi da sopa” foi idealizada pelo diácono Juarez Carlos Blanger, que atua na paróquia São Vicente de Paulo, pertencente à arquidiocese de Florianópolis (SC). São cinco cozinheiras que produzem 65 marmitas entregues em viadutos e outros pontos onde se encontram pessoas em situação de rua. Roupas e cobertores também são distribuídos nesta ação que está estruturada atualmente na Associação Maria Mãe de Jesus.
Dioceses, paróquias, associações, novas comunidades e institutos são exemplos de um exército de caridade que atua no Brasil. Junto com as 21 Pastorais Sociais estruturadas nacionalmente, as Obras Sociais da Igreja chegam à somatória de 499,9 milhões de atendimentos a cerca de 39,2 milhões de pessoas e aproximadamente 11,8 milhões de famílias.
Os dados são da pesquisa sobre a Ação Social da Igreja no Brasil encomendada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) à Fundação Grupo Esquel Brasil (FGEB), cujo presidente, o cientista social Silvio Sant’Ana, foi o responsável por organizar os dados no relatório.  A pesquisa se desenvolveu no campo ocupado por duas instâncias institucionais muito próprias no contexto eclesial: as “Obras Sociais” e as “Pastorais Sociais”.
De acordo com o responsável pela pesquisa, Silvio Sant’ana, obras sociais são organizações quase sempre com existência legal (pessoas jurídicas de direito privado) e, geralmente, vinculada a Institutos e Ordens Religiosas, ou à diocese, com pessoal especializado, dispondo de instalações físicas, recebendo pessoas e as demandas de interessados no atendimento. “É, de certa forma um núcleo ‘receptivo’, um local onde é ofertado à população um atendimento ou um serviço”, descreve.
Já as Pastorais Sociais, são organizações compostas majoritariamente por voluntários, nem sempre organizadas como pessoas jurídicas, que operam por “’busca ativa’ de pessoas ou segmentos sociais em situação de vulnerabilidade e risco”. O pesquisador ressalta a característica de atendimento voltado a grupos ou temáticas sociais especiais, “que requerem atenção específica devido as suas características e situações vivenciais”.
Em sua pesquisa, Silvio relata o sentido de ação social tomado pelos católicos no Brasil que se envolvem nas atividades de ajuda aos mais necessitados, os pobres. O termo, neste contexto, significa de forma mais elementar a oferta de comida e roupa. “É atitude louvável do ‘bom samaritano’”, resume o pesquisador. São exemplos disso as ações de padre Jesus, em Pacaraima, e do diácono Juarez, em Itajaí.
A pesquisa – A amostra da pesquisa é de 26 Igrejas Particulares no Brasil, entre dioceses e arquidioceses, e admite um erro amostral de até 5% para mais ou para menos. Os dados referem-se ao ano de realização da investigação, 2014. Foi decidido não incluir na pesquisa as organizações dedicadas a assistência de Saúde (hospitais) e as de Educação (escolas católicas). “De um lado não existem dados confiáveis e disponíveis sobre o atendimento realizado por estas instituições. De outro, as dimensões destes trabalhos são gigantescas e seguramente distorceriam os resultados quando mesclados com iniciativas menores”, explica Sant’Ana. No entanto, as Obras Sociais criadas e patrocinadas por hospitais e escolas católicos fazem parte da amostra.
É considerado o número de 10.760 paróquias, dado disponível de 2010, para encontrar mais de 32 mil iniciativas estruturadas, uma vez que, a partir de uma outra pesquisa, feita pelo Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais (CERIS), em 1999, que apontava pelo menos três iniciativas de ação social em cada paróquia do Brasil. A este número, somam-se as associações de obras sociais dispostas em cada diocese e as iniciativas dos mais de 500 institutos e ordens religiosas e de vida apostólica distribuídos em 1026 sedes em todo o país.
Dos 499,9 milhões de atendimentos da Igreja, 393,5 milhões correspondem às Obras Sociais. Este número corresponde a quase 30,3 milhões de pessoas atendidas, número equivalente a 88% do número total de pobres do país.
As Pastorais Sociais realizaram, em 2014, 106,4 milhões de atendimentos. São 8,9 milhões de pessoas atendidas e 2,7 milhões de famílias. A cobertura nas dioceses do Brasil tem destaque pela presença da Pastoral da Criança na totalidade das Igrejas Particulares do Brasil. Em seguida, somente a Pastoral Carcerária e a Pastoral da Pessoa Idosa têm cobertura em mais da metade das dioceses brasileiras. No menor grau de capilaridade, as pastorais do Surdo, da Mobilidade Humana, da Ecologia, Afro-Brasileira e dos Direitos Humanos estão em 9% das dioceses, cada, o que significa 25 localidades, praticamente coincidindo com o número de cidades capitais.
As áreas do atendimento – A pesquisa encomendada pela CNBB também faz uma classificação das pessoas atendidas nas obras e pastorais sociais a partir de funções sociais, assim divididas: saúde, assistência social (saúde + educação + proteção social básica), desenvolvimento e defesa de direitos e outros. Os números, segundo o pesquisador, devem ser entendidos considerando que a abordagem integral da pessoa “faz com que as estatísticas não consigam explicitar adequadamente a riqueza e diversidade da atividade realizada”. Isso pode ser exemplificado quando se considera o atendimento de uma Pastoral Social cujo trabalho é focado para atendimento de um grupo específico, mas a pessoa é assumida em seu contexto familiar e social.
Na ação da Igreja, há forte concentração nos serviços de atendimento na área da saúde, seguidos da assistência social. No âmbito das Obras Sociais, refere se a 40,9% e 46,7% dos atendimentos, respectivamente, sendo que a Assistência Social engloba, em conjunto, os serviços de saúde, educação e proteção social básica. As Pastorais Sociais destacam-se na defesa de direitos ou promoção de iniciativas de melhoria de renda ou emprego. São 3,1 milhões de pessoas atendidas, o que corresponde a 35% dos atendimentos. Assim como nas obras sociais, contudo, o atendimento na área da saúde é o mais expressivo: são 5,5 milhões de atendidos, 62,3% do total de pessoas a quem se destinam ações das pastorais.
Segundo a pesquisa, parte significativa do esforço na área de saúde está associada ao atendimento materno infantil, mas também são contemplados segmentos populacionais como pessoas soropositivas, dependentes químicos (de drogas permitidas ou não), pessoas ou grupos vítimas de violência e abusos de toda ordem, portadores de necessidades especiais.
Quem é quem no atendimento – No recorte por tipo de público atendido pela ação social da Igreja, o destaque vai para as crianças e jovens, que concentram 18% do número de atendidos. A Pastoral da Criança, por exemplo, atende mensalmente 1,2 milhão de crianças. Os idosos são o segundo grupo mais expressivo no atendimento, principalmente se o recorte for as Obras Sociais, onde se encontra um número até maior do que o de crianças e jovens: são 2,6 milhões de pessoas na terceira idade atendidas.
A população em situação de rua, a exemplo dos que recebem atenção do grupo da “Kombi da sopa”, em Santa Catarina, refere-se a 2,7% do total de atendidos por obras e pastorais sociais da Igreja. De acordo com a pesquisa, o número de atendidos, apesar de parecer pequeno dentro do universo estimado, representa quase metade dos “moradores de rua” recenseados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas capitais e áreas metropolitanas.
Silvio Sant’Ana, coordenador da pesquisa sobre Ação Social da Igreja no Brasil. Foto: Assessoria de Imprensa da CNBB
ENTREVISTA: “Eu não tinha a dimensão desse trabalho no país todo”
Para saber das impressões do pesquisador que esteve à frente dessa investigação sobre o trabalho social da Igreja no Brasil, Silvio Sant’Ana foi convidado para uma entrevista, da qual são extraídos os principais trechos:
Qual o sentimento ao ver as experiências e ao compilar os dados colhidos Brasil afora?
Eu sabia que a Igreja tinha uma série de obras sociais em todos os lugares, tem coisas muito lindas que a gente vê na rádio e na televisão ou visitando as comunidades. Mas eu não tinha a dimensão desse trabalho no país todo e da quantidade de esforço que é colocado para realizar isso daí. Normalmente você fica pensando que uma paróquia ou uma diocese tem lá uma obra social, uma coisa aqui, ali. Ao não ter somado o conjunto de tudo que está acontecendo, nós temos uma ideia muito fraccionada, muito quebrada do que existe, mas quando você começa a somar isso tudo, vê que realmente é uma coisa impressionante.
Sinceramente, não tem nada, do ponto de vista das outras instituições dentro do país, que chegue nem perto desse esforço tão grande. E outra coisa que fica mais impressionante ainda, que também a gente não se dá conta, é que isso não é instantâneo. Isso é todo dia, ano após ano. Não é como se faz manifestação e coloca 20 mil pessoas na rua. A coisa é permanente. Foi outra dimensão que eu não conseguia formular. Quantas coisas permanentes a gente pode dizer que existem no país com essa capacidade, com essa frequência? Aí tem um detalhe que também saiu da pesquisa é que a Igreja não tem noção do que está fazendo, do tamanho do trabalho que vem sedo feito. Isso ficou muito claro até com as pessoas com as quais nós trabalhamos e entrevistamos e conseguimos dados: elas mesmas se surpreendiam.
Então, primeiro, o tamanho é impressionante, segundo a permanência, ou seja, a continuidade histórica – muda uma coisa ou outra, mas tem uma permanência. E a terceira coisa é isso, que a própria Igreja, os próprios católicos, mesmo envolvidos não conseguem se dar conta da importância.
Podemos dizer que todo este envolvimento tem uma raiz evangélica e que também reflete a ausência do Estado na vida da população?
Eu, sinceramente, pelo que eu senti dentro da pesquisa, a motivação religiosa, de fé, é a principal coisa. Não é porque o Estado não faz, ou não está presente. É porque as pessoas são movidas a realizar o mandato da sua fé. E a gente pode comprovar isso, no seguinte: quando o Estado está presente, continua a funcionar. Se fosse substituição, complementariedade, quando o Estado chegasse, instalasse seus equipamentos, suas obras, etc. você pararia, como é o caso da Pastoral da Criança: no fundo, os líderes da Pastoral da Criança são agentes comunitários de saúde. Na época que começou, não existiam agentes comunitários de saúde, então se podia dizer “a Pastoral existe porque não tem o Estado…”
Muitas pessoas fazem as coisas que estão fazendo, não é porque o Estado A ou B, não. É porque elas querem fazer. Elas veem e se sentem impelidas a atuar. O senhor fala de as pessoas não terem dimensão do que é feito na área social. O que seria interessante para potencializar esse trabalho e garantir melhor organização no sentido de registrar as ações?
É uma questão cultural. Hoje, parece que as coisas só existem se aparecerem na foto ou no Facebook. O mundo real é o que está nas mídias. A nossa cultura está caminhando de um jeito que tudo tem que ser mostrado, tudo é visual.  A gente, por tradição religiosa, antiga, chega a dizer assim “você faça caridade, mas que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita fez”. Então a gente tem, por tradição católica, uma ideia de que não devemos ficar divulgando o que a gente está fazendo, senão a gente termina ficando igual aos fariseus. Isso gerou uma atitude em geral dentro da comunidade católica de não fazer esse registro. Acho que essa mudança que houve até na cultura do país requer da gente uma atenção maior com essa dimensão.
Eu acho que isso é importante, poder mostrar para a sociedade o que está acontecendo, e mostrar para nós mesmos. Quer dizer, quando eu sou um leigo em uma paróquia e eu ver o tamanho dos problemas que nós estamos enfrentando no Brasil, gigantescos, eu estou fazendo um negocinho mínimo, que não faz a menor diferença, e eu termino desanimando, porque o impacto é nenhum, praticamente, comparado com o mar de problemas, com o mar de dificuldades que existem. Mas quando você diz ‘eu sou um entre 15, 20, 30 milhões de católicos que estamos trabalhando e que estamos fazendo alguma diferença’. Isso ajuda também, motiva mais as pessoas a se dedicarem, é uma forma de reconhecer, valorar o trabalho que elas estão fazendo.
Revista CNBB Social, Edição nº 01
Fonte: CNBB 

A CULTURA CRISTÃ


Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald
O Evangelho não se identifica com nenhuma cultura. Ele é transcultural e, por isso mesmo, pode encarnar-se em todas as culturas ao ponto de transformá-las a partir de dentro (cf. Gaudium et Spes, No 57). Segundo São João Paulo ll “O Evangelho enriquece as culturas com valores cristãos que derivem da fé. Evangelizar no sentido profundo é evangelizar as culturas, fazendo que a mensagem de Cristo penetre no coração das pessoas e projete-se no “ethos” de um povo. Projete-se nas atitudes vitais, nas suas instituições e em todas as suas estruturas” (cf. Discurso inaugural de João Paulo ll na Conferência de Puebla).
Foi dito que é difícil encontrar uma cultura na qual o cristianismo não esteja presente. Além disso, não existe uma única cultura cristã, mas sim várias “culturas cristãs”, isto é, culturas nas quais o significado último da realidade foi iluminado pela revelação cristã. Para a doutrina da Igreja Católica, as culturas são uma manifestação necessária da natureza humana. A pessoa humana só se realiza plenamente por meio da cultura (cf. Gaudium et Spes, No. 53).
Diferentes culturas podem receber a revelação cristã de diversas maneiras, gerando diferentes expressões da fé. Porém, todas têm elementos em comum, como o reconhecimento de um Deus que é pessoa que ama o ser humano, que afirma a dignidade inviolável da pessoa humana, valores como honestidade, solidariedade, justiça etc.
No Dicionário Enciclopédico das Religiões, Hugo Schlesinger e Humberto Porto apresentam a Cultura Cristã assim: “Capacitação dos valores da vida e do desenvolvimento humano à luz da fé cristã. Cristo, revelação do Pai, é o princípio originário da realidade que dá ordem a todas as coisas e que permite, portanto, ao homem julgar em última análise aquilo que vale a pena ser conhecido, e vivido. A cultura  gerada pela fé é missão a realizar e tradição a conservar e transmitir. Só assim a evangelização, apesar de na sua essência ser autônoma da cultura, encontra o modo de incidir plenamente na vida do homem e das nações” (cf. op. cit. P. 758).
Gostaria de terminar este brevíssimo artigo citando algumas palavras do artigo “Vida e Cultura Cristã” de Dom Walmor Oliveira de Azevedo da CNBB. As discussões e as indispensáveis reflexões sobre sustentabilidade da vida na Terra não podem dispensar a referência à cultura. Ela é, inquestionavelmente, um elemento fundamental de sustentabilidade, projeto o futuro e permite a superação de imediatismos, reducionismos e considerações meramente materialistas da vida.
É óbvio que as responsabilidades da comunidade política não podem ser exercidas adequada e frutuosamente sem o substrato da cultura. Na polissemia das culturas que confeccionam o rico mapa da humanidade na sua história, não se podem desconsiderar o patrimônio e a força de referência da CULTURA CRISTÃ (cf. op. cit.).
Brendan Coleman, Redentorista

EVANGELHO DO DIA

 Mateus 28,8-15


+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 28,8-15

Naquele tempo: 8As mulheres partiram depressa do sepulcro.
Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. 9De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: 'Alegrai-vos!' As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés. 10Então Jesus disse a elas: 'Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galiléia. Lá eles me verão.' 11Quando as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido.
12Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, 13dizendo-lhes: 'Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis. 14Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos. Não vos preocupeis.' 15Os soldados pegaram o dinheiro, e agiram de acordo com as instruções recebidas. E assim, o boato espalhou-se entre os judeus, até ao dia de hoje.Palavra da Salvação.

REFLEXÕES SOBRE AS LEITURAS DE HOJE



22 DE ABRIL DE 2019

SEGUNDA FEIRA DA OITAVA DE PÁSCOA

Cor: Branco

1ª Leitura - At 2,14.22-33


Leitura dos Atos dos Apóstolos 2,14.22-33

No dia de Pentecostes, 14Pedro de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão: 22'Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus, junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou, por meio dele, entre vós. Tudo isto vós bem o sabeis. 23Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos  ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz. 24Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse.
25Pois Davi dele diz: Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar. 26Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança. 27Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu Santo experimente corrupção.
28Deste-me a conhecer os caminhos da vida e a tua presença me encherá de alegria. 29Irmãos, seja-me permitido dizer com franqueza que o patriarca Davi morreu e foi sepultado e seu
sepulcro está entre nós até hoje. 30Mas, sendo profeta, sabia que Deus lhe jurara solenemente que um de seus descendentes
ocuparia o trono. 31É, portanto, a ressurreição de Cristo que previu e anunciou com as palavras: Ele não foi abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a corrupção.
32Com efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas. 33E agora, exaltado pela direita de Deus,
Jesus recebeu o Espírito Santo que fora prometido pelo Pai, e o derramou, como estais vendo e ouvindo. Palavra do Senhor.

Reflexão - “Os efeitos da ressurreição de Jesus Cristo”

Nesta leitura Pedro reproduz as palavras de profecia do Rei Davi, quando com alegria cantou referindo-se às promessas que Deus lhe fizera acerca dos seus descendentes: Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança.” A experiência com Jesus ressuscitado fez com que o mesmo Pedro, antes tão fraco e covarde, assumisse agora o comando e com destemor anunciasse que Jesus Cristo vencera a morte. A experiência com Jesus, vivo e ressuscitado, também nos alenta e dá coragem e motivação.  Hoje, nós também como Pedro, podemos afirmar isto, porque sentimos acontecer em nós uma verdadeira transformação quando passamos de uma vida de pecado a uma vida nova, alegre, cheia de paz e centrada nos ensinamentos da Boa Nova de Jesus. Nós também não seremos abandonados (as) na região dos mortos e, mesmo passando pela morte física, a nossa carne repousará na esperança. Os efeitos da ressurreição de Jesus Cristo se fazem sentir em nós em depois dos sofrimentos, das dificuldades pelas quais passamos aqui na terra, quando confiamos nas Suas promessas e permanecemos firmes na fé.

 – Você já teve uma experiência com a Ressurreição de Jesus? 
– Você sente a presença Dele nos momentos de provação?
 – O que pode lhe trazer alegria? 
– Você cultiva a esperança ou se acomoda na dificuldade?   

 

Salmo - Sl 15, 1-2a.5. 7-8. 9-10. 11 (R. 1)

R. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia

1Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!
2aDigo ao Senhor: 'Somente vós sois meu Senhor:*
5Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,*
meu destino está seguro em vossas mãos!R.

7Eu bendigo o Senhor, que me aconselha,*
e até de noite me adverte o coração.
8Tenho sempre o Senhor ante meus olhos,*
pois se o tenho a meu lado não vacilo.R.

9Eis por que meu coração está em festa,
minha alma rejubila de alegria,*
e até meu corpo no repouso está tranqüilo;
10pois não haveis de me deixar entregue à morte,*
nem vosso amigo conhecer a corrupção. R.

11Vós me ensinais vosso caminho para a vida; 
junto a vós, felicidade sem limites,*
delícia eterna e alegria ao vosso lado!R.

Reflexão - A esperança é a virtude que deve nortear a nossa vida espiritual e humana. Como o salmista nós também podemos afirmar ao Senhor: “Eis por que meu coração está em festa, minha alma rejubila de alegria e até meu corpo no repouso está tranquilo: pois não haveis de me deixar entregue à morte nem vosso amigo conhecer a corrupção!” A corrupção é o pecado que enfeia a nossa alma e prejudica o nosso corpo. Repita muitas vezes esse trecho do salmo e guarde-a no coração durante todo o dia.

 

Evangelho - Mt 28,8-15


+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 28,8-15

Naquele tempo: 8As mulheres partiram depressa do sepulcro.
Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. 9De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: 'Alegrai-vos!' As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés. 10Então Jesus disse a elas: 'Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galiléia. Lá eles me verão.' 11Quando as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido.
12Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, 13dizendo-lhes: 'Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis. 14Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos. Não vos preocupeis.' 15Os soldados pegaram o dinheiro, e agiram de acordo com as instruções recebidas. E assim, o boato espalhou-se entre os judeus, até ao dia de hoje.Palavra da Salvação.

Reflexão – “a alegria do anúncio!”

As mulheres estavam com medo, por causa da sua limitação humana, mas correram com grande alegria para dar a notícia aos seus amigos. Portanto, a alegria é o sinal que o cristão dá ao mundo da sua fé e esperança na ressurreição de Jesus. O medo, no entanto, é uma consequência da nossa limitação humana e é mais intenso na medida em que nós não conseguimos nos apoiar na fé e na esperança. A alegria e o destemor são sinais de que a nossa vida está guardada com Jesus e é a nossa motivação para também anunciar ao mundo a sua presença em nós. Jesus, hoje, também vem a nós nas horas em que nos encontramos temerosos (as) por causa das coisas que ainda não entendemos.  Só podemos dar testemunho de que Jesus está vivo entre nós quando vivemos, realmente, esses três mandatos de Jesus: “Alegrai-vos, não tenhais medo; Ide anunciar”!  A alegria é o primeiro sinal de uma vida em Deus. O destemor faz parte da vida do cristão, e anunciar o Evangelho é a missão de todos (as) aqueles (as) que vivem em Cristo. O medo faz parte da nossa humanidade, porém, quando nós nos apropriamos da Palavra de Cristo e assumimos as suas promessas nós podemos atravessar o vale escuro sem nenhum temor. Tudo na vida passa e todas as dificuldades nós poderemos suportar em vista da alegria de ter uma vida interior renovada pela presença de Jesus dentro de nós. Somos mais que vencedores, Jesus ressuscitou e está no meio de nós!  - Como você tem vivido esses três mandatos de Jesus? 
-  De que você tem medo? 
 Você tem anunciado ao mundo que JESUS RESSUSCITOU? 
– Você tem dado ao mundo sinal de alegria?

Helena Serpa,
Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho