domingo, 26 de março de 2017

ADOLESCENTE CATÓLICA COM SÍNDROME DE DOWN QUESTIONA A ONU



Olivia Hargroder / Crédito: The Catholic Leader (Fotógrafo: Brad McLennan)

SIDNEY,  (ACI).- Olivia Hargroder é uma estudante australiana que nasceu com síndrome de Down e, com apenas 17 anos, fez um grande discurso em defesa das pessoas que têm esta deficiência ante a Organização das Nações Unidas (ONU).
A menina foi convidada a falar em 21 de março na 12ª Conferência Mundial do Dia da Síndrome de Down na sede da ONU em Nova York, onde era a única estudante da Austrália convidada a dar um discurso.
Embora os médicos tenham dito que nunca aprenderia a falar, Olivia fez o seu primeiro discurso no ano passado em uma conferência nacional de educação e atualmente faz parte da Associação da Síndrome de Down Queensland (Austrália), está terminando o último ano do colégio e trabalha meio período em um supermercado.
“Tenho certeza de que o médico que disse que eu nunca falaria não imaginou que eu estaria aqui em Nova York falando com vocês nas Nações Unidas. Deste modo, quando nasce um bebê com síndrome de Down, simplesmente não podemos esperar o melhor e acreditar que poderão ser qualquer coisa que quiserem ser?”, disse Olivia, na terça-feira.
Nesse sentido, assegurou que deseja viajar pelo mundo como “atriz, cantora, dançarina e oradora”.
Olivia lamentou que as pessoas com síndrome de Down no seu país estejam sendo colocadas “em uma categoria chamada insuficiência intelectual”, quando o problema é que elas sofrem na maioria das vezes de “problemas físicos” que as impede de “realizar as coisas”.
“Algumas pessoas acham que somos preguiçosos, teimosos, difíceis e que fugimos do trabalho, mas se conhecessem as nossas dificuldades físicas, talvez pudéssemos ser mais ajudados e compreendidos”, afirmou a adolescente.
Deste modo, criticou que os atletas com síndrome de Down só podem nadar na categoria de Deficiente intelectual mesmo que pudessem ter “todas as outras deficiências físicas e visuais”. Por isso, considera apropriado criar nova categoria de deficiência nos Jogos Paralímpicos.
“Isto é justo? Por que não temos a nossa própria categoria, onde todos têm os mesmos problemas físicos, onde temos um tamanho parecido e todos temos um cromossomo extra?”.
“Há aproximadamente oito milhões de nós no mundo todo e por que não? Seria muito mais fácil para o esporte, a educação, a saúde e as formas de governo”, enfatizou.
Por outro lado, Olivia assegurou que uma das coisas que aprendeu em um curso aberto sobre o desenvolvimento da criança é que nascem “otimistas” e lamentou que muitos adultos não pensem do mesmo modo quando se trata de crianças Down.
“Eles têm a mesma esperança que as outras crianças”, assegurou e citou como exemplo o caso de três amigos.
Nathan Basha, contou, trabalha em uma estação de rádio de Sydney, onde “incentiva os jovens com síndrome de Down para que busquem um emprego ou os ajudem com sua carreira”. Além disso, foi finalista como jovem australiano do ano e ganhou prêmios pela inclusão no mercado de trabalho.
Madeline Stewart, explicou Olivia, decidiu que queria ser modelo, “então trabalhou muito duro para estar em forma e agora trabalha como modelo no mundo todo e tem a sua própria marca de roupa (e passou pela NY Fashion Week muitas vezes)”.
Finalmente, recordou o seu amigo Rory O'Chee, um fotógrafo cujo trabalho descreveu como “incrível”, pois é capaz de esperar “durante horas e horas para tirar uma foto perfeita”.
“Quando as suas fotografias entram em concursos como National Geographic, ninguém sabe que ele tem síndrome de Down”, afirmou.
“Somos otimistas acerca do nosso futuro e podemos simplesmente querer voar”, concluiu Olivia.
Fonte: ACI Digital

ENCONTRO COM CRISMANDOS CONCLUI VISITA DO PAPA FRANCISCO A MILÃO



Milão (RV) – Uma multidão de 80 mil jovens acolheu o Papa no Estádio de São Siro, em Milão, aos gritos de “Francisco, Francisco”, naquele que foi seu último compromisso em terras ambrosianas antes de retornar a Roma. Uma verdadeira festa da fé, com muita música, cores e danças.
 
No encontro com os crismandos, o Santo Padre respondeu a algumas perguntas feitas por um jovem crismando, por um casal e por uma catequista.
Um jovem
O primeiro a interpelar Francisco foi um jovem: “Quando tinhas a nossa idade, o que te ajudou a fazer crescer a amizade com Jesus?”
“São três coisas, com um fio unindo as três”. Os avós podem ajudar  a crescer na amizade com Jesus, esta é a minha experiência, disse Bergoglio.  “A nona me ensinou a rezar, também minha mãe”. “Os avós tem a sabedoria da vida”, reiterou o Papa, e com esta sabedoria “nos ensinam como caminhar próximos a Jesus. A mim o fizeram”. “Falem com vossos avós. Perguntem a eles, escutem-nos, falem com eles”.
Depois, “brincar com os amigos também me ajudou muito” – acrescentou o Papa - pois é bom “sentir alegria nas brincadeiras com os amigos, sem insultos”, e pensar, “assim brincava Jesus”. “Nos faz bem brincar com os amigos, porque quando o jogo é limpo, se aprende a respeitar os outros, se aprende a fazer uma equipe, a trabalhar juntos. E isto nos une a Jesus”. E se houver brigas, “depois pedir perdão”.
Por fim, uma terceira coisa que o ajudou muito a crescer na amizade com Jesus: ir à paróquia, reunir-se com os outros. É algo importante. Estas três coisas...um conselho que dou a vocês. Vos farão crescer na amizade com Jesus. “Com estas três coisas tu rezarás mais. E a oração é aquele fio que une as três coisas”.
Um pai
Um pai, ao lado de sua esposa, foi o segundo a dirigir-se ao Pontífice: “Como transmitir aos nossos filhos a beleza da fé? Às vezes parece realmente difícil poder falar deste tema sem ser chatos e banais e partilhar com eles a fé? Que palavras usar?
Em resposta, o Papa convidou os pais a recordarem-se das pessoas “que deixaram uma marca” na fé deles e “o que deles ficou marcado”, pedindo que por alguns minutos “voltassem a ser filhos para recordar as pessoas” que os ajudaram a acreditar. “Todos trazemos na memória, mas especialmente no coração, alguém que nos ajudou a crer”, observou.
O Papa explica que as crianças, os filhos, observam o comportamento dos adultos, “captando tudo”, “tirando as suas conclusões e os seus ensinamentos”. Neste sentido, aconselha os pais “a terem cuidado deles, a ter cuidado de seus corações, de sua alegria e de sua esperança”.
Quando se coloca um filho no mundo se deve ter a consciência de que temos a responsabilidade de fazê-lo crescer na fé. E acrescentou, que quando os pais brigam, as crianças sofrem e não crescem na fé.
“Os “olhos” de vossos filhos pouco a pouco memorizam e leem com o coração como a fé é uma das melhores heranças que vocês receberam de vossos pais, de vossos antepassados. Mostrar a eles como a fé nos ajuda a seguir em frente, a enfrentar os tantos dramas que temos, não com uma atitude pessimista, mas confiante, este é o melhor testemunho que podemos dar a eles”.
Existe um dito: “As palavras são levadas pelo vento”, mas aquilo que se semeia na memória, no coração, permanece para sempre.
O Papa observa que em muitos lugares, muitas famílias têm a bonita tradição de irem juntas à Missa e depois a um parque. Assim, que a fé se torna uma exigência da família com outras famílias. Neste sentido. Francisco também exorta os pais a brincarem com seus filhos, a “perderem tempo” com eles.
Também educar à solidariedade, às obras de misericórdia. Neste ponto o Papa coloca um acento na “festa, na gratuidade, no buscar outras famílias e viver a fé como um espaço de prazer familiar”. A isto deve ser acrescentado outro elemento:  “não existe festa sem solidariedade”. Não dar o supérfluo, “mas dividir com os outros aquilo que temos”.
Uma catequista
Por fim, uma catequista pede ao Papa um conselho sobre como abrir à escuta e ao diálogo com todos os educadores que trabalham com os jovens:
A educação deve ser harmônica, responde o Papa. Educar com o conteúdo, as atitudes na vida e os valores. Mas nunca educar somente, por exemplo, com noções, ideias. Também o coração se deve fazer crescer na educação, o fazer, o modo de caminhar na vida.
Uma educação baseada no pensar-fazer-sentir (cabeça-mãos-coração). O conhecimento é multiforme, nunca é uniforme. Não separar. Não educar somente o intelecto – dar noção intelectual é importante, mas isto, sem o coração e as mãos, não serve.
Os jovens/alunos tem interesses e facilidades diferentes.  Para isto – diz o Papa – o professor deve estimular as boas qualidades de seus alunos.
O Papa, por fim, chama a atenção para o bullying. “Estejam atentos!”.
Agora pergunto a vocês, crismandos...escutem em silêncio: na vossa escola, em vosso bairro, há alguém que você insulta, engana, porque ele/ela tem algum defeito, porque é gordo, magro, isto ou aquilo?...pensem! Vocês gostam de fazê-los passar vergonha e de bater neles por isto? Pensem! Isto se chama bullying. Por favor...ainda não acabei...Por favor! Para o Sacramento da santa Crisma, façam a promessa ao Senhor de nunca fazer isto e nunca permitir que se faça isto em vosso colégio, escola, bairro, entendido? E me prometam nunca enganar, insultar o companheiro de colégio, de bairro. Prometem isto hoje? (Siiim, respondem!). O Papa não está contente com a resposta. Prometem isto? (Siiim, respondem!). Este sim disseram ao Papa. Agora em silêncio, pensem que coisa ruim é isto e pensem se vocês são capazes de prometer isto a Jesus. Prometem a Jesus nunca fazer este bullying? ...siiim!.  Obrigado! E que o Senhor vos abençoe.
Com a oração do Pai Nosso e a bênção final, o Santo Padre deixou o Estádio de São Siro pouco depois das 19 horas (hora local), para dirigir-se ao aeroporto e retornar a Roma. (JE)(from Vatican Radio)
Fonte: Rádio Vaticano

PAPA FRANCISCO NO ANGELUS: VIVER COMO FILHOS DA LUZ E CAMINHAR NA LUZ



Cidade do Vaticano (RV) – A cura do cego de nascença, narrada pelo Evangelho do dia, inspirou a alocução do Papa – que precede a oração do Angelus -  neste IV Domingo da Quaresma.
 
“Com este milagre Jesus se manifesta e se manifesta a nós como luz do mundo” e que acolhendo novamente nesta Quaresma a luz da fé, “também nós, a partir da nossa pobreza”, sejamos “portadores de um raio da luz de Cristo”, disse Francisco, dirigindo-se aos milhares de fieis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.
“O cego de nascença – explicou o Santo Padre -  representa cada um de nós que fomos criados para conhecer Deus, mas por causa do pecado somos como cegos, temos necessidade de uma nova luz, a da fé, que Jesus nos deu”.
Aquele cego do Evangelho, ao readquirir a visão, “abre-se ao mistério de Cristo”, disse o Pontífice, que explicou:
“Este episódio nos induz a refletir sobre nossa fé em Cristo, o Filho de Deus, e ao mesmo tempo refere-se também ao Batismo, que é o primeiro Sacramento da fé: o Sacramento que nos faz “vir à luz”, mediante o renascimento da água e do Espírito Santo; assim como acontece ao cego de nascença, ao qual se abrem os olhos após ter sido lavado na água da piscina de Siloé”.
“O cego de nascença curado – completou Francisco -  nos representa quando não nos damos conta que Jesus é a luz, “a luz do mundo”, quando olhamos para outros lugares, quando preferimos confiar nas pequenas luzes, quando tateamos no escuro”:
“O fato de que aquele cego não tenha um nome, nos ajuda a nos refletir com o nosso rosto e o nosso nome na sua história. Também nós fomos “iluminados” por Cristo no Batismo, e portanto somos chamados a comporta-nos como filhos da luz. E comportar-se como filhos da luz exige uma mudança radical de mentalidade, uma capacidade de julgar homens e coisas segundo uma outra escala de valores, que vem de Deus. O Sacramento do Batismo, de fato, exige a escolha firme e decidida de viver como filhos da luz e caminhar na luz”.
Mas, o que significa “ter a verdadeira luz, caminhar na luz?”:
“Significa, antes de tudo, abandonar as falsas luzes: a luz fria e fátua do preconceito contra os outros, porque o preconceito distorce a realidade e nos enche de aversão contra aqueles que julgamos sem misericórdia e condenamos sem apelo. Isto é pão de todo dia! Quando se fala mal dos outros, não se caminha na luz, se caminha na sombra”.
E Francisco completa:
“Outra luz falsa, porque sedutora e ambígua, é aquela do interesse pessoal: se valorizamos homens e coisas baseados em critérios de nossa utilidade, do nosso prazer, do nosso prestígio, não realizamos a verdade nos relacionamentos e nas situações. Se vamos por este caminho do buscar somente o interesse pessoal, caminhamos nas sombras”.
O Papa concluiu, pedindo que a Virgem Santa obtenha para nós “a graça de acolher novamente nesta Quaresma a luz da fé, redescobrindo o dom inestimável do Batismo, que todos nós recebemos. E esta nova iluminação nos transforme nas atitudes e nas ações, para sermos também nós, a partir da nossa pobreza, portadores de um raio da luz de Cristo”. (JE)(from Vatican Radio)
Fonte: Rádio Vaticano

PAPA: DEUS CONTINUA A PROCURAR ALIADOS PARA COOPERAR COM A CRIATIVIDADE DO ESPÍRITO



Milão (RV) – Diante de um público estimado em 1 milhão de pessoas, o Papa Francisco presidiu na tarde deste sábado, no Parque de Monza, a Santa Missa na Solenidade da Anunciação. Francisco destacou que como ontem, Deus continua a procurar aliados, continua a procurar homens e mulheres capazes de acreditar, capazes de fazer memória, de sentir-se parte de seu povo para cooperar com a criatividade do Espírito".
 
“Acabamos de ouvir o anúncio mais importante de nossa história: a anunciação a Maria (cfr. Lc 1, 26-38). Uma passagem densa, cheia de vida, e que gosto de ler à luz de outro anúncio:  o do nascimento de João Batista (cfr Lc 1, 5-20). Dois anúncios que se seguem e que estão unidos; dois anúncios que, comparados entre eles, nos mostram o que Deus dá a nós em seu Filho.
A anunciação de João Batista ocorre quando Zacarias, sacerdote, pronto para dar início à ação litúrgica, entra no Santuário do Templo, enquanto toda a assembleia está do lado de fora, à espera. A anunciação de Jesus, ao invés disto, realiza-se em um lugar perdido da Galileia, em uma cidade periférica e com uma fama não particularmente boa (cfr Jo 1,46), no anonimato da casa de uma jovem chamada Maria.
Um contraste não sem pouca importância, que nos indica que o novo Templo de Deus, o novo encontro de Deus com o seu povo, terá lugar em locais onde normalmente não se espera, às margens, na periferia. Lá se marcarão os encontros, lá se encontrarão; lá Deus se fará carne para caminhar junto a nós desde o seio de sua Mãe. Já não será mais um lugar reservado a poucos, enquanto a maioria permanece fora, à espera. Nada e ninguém lhe será indiferente, nenhuma situação será privada da sua presença: a alegria da salvação tem início na vida cotidiana da casa de uma jovem de Nazaré.
Deus mesmo é Aquele que toma a iniciativa e escolhe inserir-se, como fez com Maria, em nossas casas, nas nossas lutas cotidianas, cheias de ansiedades e desejos. E é precisamente dentro das nossas cidades, das nossas escolas e universidades, das praças e dos hospitais que se cumpre o anúncio mais belo que podemos ouvir: “Alegra-te, o Senhor é contigo!”. Uma alegria que gera vida, que gera esperança, que se faz carne no modo em que olhamos ao amanhã, na postura com que olharmos para os outros. Uma alegria que se torna solidariedade, hospitalidade, misericórdia para com todos.
Como Maria, também nós podemos ser tomados pela dúvida. “Como acontecerá  isto?” em tempos assim com tanta especulação? Se especula sobre a vida, o trabalho, a família. Se especula sobre os pobres e os migrantes; se especula sobre os jovens e sobre seu futuro. Tudo parece reduzir-se a cifras, deixando por outro lado, que a vida cotidiana de tantas famílias se tinja de precariedade e de insegurança. Enquanto a dor bate em muitas portas, enquanto em tantos jovens cresce a insatisfação pela falta de oportunidades reais, a especulação é abundante por tudo.
Certamente, o ritmo vertiginoso a que somos submetidos parece nos roubar a esperança e a alegria. As pressões e a impotência diante de tantas situações pareceriam quase nos tirar o ânimo e tornar-nos insensíveis diante de inúmeros desafios. E paradoxalmente quando tudo se acelera para construir – em teoria – uma sociedade melhor, no final não se tem tempo para nada e para ninguém. Perdemos o tempo para a família, o tempo para a comunidade, perdemos o tempo para a amizade, para a solidariedade e para a memória.
Nos fará bem perguntarmo-nos: Como é possível viver a alegria do Evangelho hoje nas nossas cidades? É possível a esperança cristã nesta situação, aqui e agora?
Estas duas perguntas dizem respeito à nossa identidade, a vida das nossas famílias, dos nossos países e das nossas cidades. Dizem respeito à vida de nossos filhos, de nossos jovens e exigem de nossa parte um novo modo de situar-nos na história. Se a alegria e a esperança cristã continuam a ser possíveis, não podemos, não queremos permanecer diante de tantas situações dolorosas como meros expectadores que olham para o céu esperando que “pare de chover”. Tudo aquilo que acontece exige de nós que olhemos para o presente com audácia, com a audácia de quem sabe que a alegria da salvação toma forma na vida cotidiana da casa de uma jovem de Nazaré.
Diante da dúvida de Maria, diante de nossas dúvidas, três são as chaves que o Anjo nos oferece para ajudar-nos a aceitar a missão que nos é confiada:
1.    Evocar a Memória
A primeira coisa que o Anjo faz é evocar a memória, abrindo assim o presente de Maria a toda história da salvação. Evoca a promessa feita a Davi como fruto da aliança com Jacó. Maria é filha da Aliança. Também nós hoje somos convidados a fazer memória, a olhar para o nosso passado para não esquecer de onde viemos. Para não nos esquecermos dos nossos antepassados, dos nossos avós e de tudo aquilo que passaram para chegarmos onde estamos hoje. Esta terra e a sua gente conheceram a dor de duas guerras mundiais; e às vezes viram a sua merecida fama de trabalhadores e de civilidade manchada por desregradas ambições. A memória nos ajuda a não permanecer prisioneiros de discursos que semeiam fraturas e divisões como único modo para resolver os conflitos. Evocar a memória é o melhor antídoto a nossa disposição diante das soluções mágicas da divisão e do afastamento.
2.    A pertença ao Povo de Deus
A memória permite a Maria de apropriar-se de sua pertença ao Povo de Deus. Nos faz bem recordar que somos membros do Povo de Deus! Milaneses, sim, ambrosianos, certo, mas parte do grande Povo de Deus. Um povo formado por mil rostos, histórias e proveniências, um povo multicultural e multiétnico. Esta é uma das nossas riquezas. É um povo chamado a acolher as diferenças, a integrá-las com respeito e criatividade e a celebrar a novidade que provém dos outros; é um povo que não tem medo de abraçar as fronteiras; é um povo que não tem medo de dar acolhida a quem tem necessidade porque sabe que ali está presente o seu Senhor.
3.    A possibilidade do impossível
“Nada é impossível para Deus” (Lc 1,37): assim termina a resposta do Anjo a Maria. Quando acreditamos que tudo depende exclusivamente de nós, permanecemos prisioneiros das nossas capacidades, das nossas forças, dos nossos míopes horizontes. Quando, pelo contrário, nos dispomos a deixar-nos ajudar, a deixar-nos aconselhar, quando nos abrimos à graça, parece que o impossível começa a se tornar realidade. Sabem bem estas terras que, no decorrer de sua história, geraram tantos carismas, tantos missionários, tanta riqueza para a vida da igreja! Tantos rostos que, superando o pessimismo estéril e divisor, abriram-se à iniciativa de Deus e tornaram-se sinal do quão fecunda possa ser uma terra que não se deixa fechar nas próprias ideias, nos próprios limites e nas próprias capacidades e se abrem aos outros.
Como ontem, Deus continua a procurar aliados, continua a procurar homens e mulheres capazes de acreditar, capazes de fazer memória, de sentir-se parte de seu povo para cooperar com a criatividade do Espírito. Deus continua a percorrer os nossos bairros e as nossas ruas, vai em cada lugar em busca de corações capazes de escutar o seu convite e de fazê-lo tornar carne aqui e agora. Parafraseando Santo Ambrósio em sua comentário a esta passagem podemos dizer: Deus continua a buscar corações como o de Maria, dispostos a acreditar até mesmo em condições  extraordinárias (cfr. Esposizione del Vangelo sec. Luca II, 17: PL 15, 1559). Que o senhor faça crescer em nós esta fé e esta esperança. (JE)(from Vatican Radio)
Fonte: Rádio Vaticano

HORÁRIO DE MISSAS


Paróquia São Vicente de Paulo, à Avenida Desembargador Moreira, 2211, no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza.

*Diariamente: 6h30 e 17h30
* De 3ª a 6ª: 11h30 e 19 horas
*Sábado: 6h30, 12 horas e 17h30
* Domingo: 6h30, 8h30, 11h30, 17h30 e 19h30

Comunidade Face de Cristo, à Rua Edmilson Barros de Oliveira, 191, no bairro Cocó, em Fortaleza
* De segunda à quinta-feira, às18 horas
* De segunda à sexta-feira: 7 horas.
* Domingo: às 8 e 18h30

 Paróquia São João Eudes:

Na Igreja  Menino Deus, à Rua Jaime Leonel, s/n, no bairro Luciano Cavalcante

* Às 3ªs e 5ªs feiras, às 19 horas
* Domingo: às 7 e 19 horas.

Na Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, à rua Albert Sabin, s/n, no bairro Cocó/Guararapes.

* Às  4ªs feiras, às 18h30, novena de Nossa Senhor do Perpétuo Socorro, às 19 horas, missa e, às sextas-feiras, às 18h30, Adoração ao Santíssimo Sacramento e, logo em seguida, missa.
* Domingo: às 9, 17 e 19 horas.

Paróquia Nossa Senhora da Assunção (Santuário), no bairro Barra do Ceará

* De terça-feira a sábado, as 6 e 19horas.
*Domingo : às 7, 9, 17, 18h30 e 20horas.

Paróquia Nossa Senhora Aparecida, à Avenida Gomes de Matos, no bairro Montese.

*De 2ª à sexta-feiras, às 18h30, exceto nas terças-feiras.
*Domingo: às 7, 9,17 e 19 horas;*Nos dias 12, Missa em honra a Nossa Senhora Aparecida; dia 13, Nossa Senhora de Fátima, e dia19, Santo Expedito. E toda 1ª terça-feira do mês, Missa de Cura.

Paróquia do Coração de Jesus, no Centro de Fortaleza, na Praça do Coração de Jesus.

*Diariamente, de segunda-feira a domingo, às 7 horas.
* Domingo: às 7,8,30, 16 e 18 horas.

Paróquia de Cristo Rei, à Rua Nogueira Acioli, 263, na Aldeota.

De segunda-feira à sexta-feira, às 6h30 e às 17 horas
Sábado, às 6h30, 17 e 19 horas.
Domingo, 6h30, 9, 11, 17 e 19 horas
Últimas terças-feiras: “Noite da Misericórdia”. Observação: não há missa das 17 horas.
Dia 13 – Missa Mariana: às 12 horas, na Igreja Matriz e às 18 horas, na Praça Ceart.

Paróquia Nossa Senhora do Carmo, na Avenida Duque de Caxias, no Centro de Fortaleza

Domingo, às 8, 10, 17 e 18h30
Sábado, às 7h30, 17h30 e 17h30
De 3ª A 6ª feira, às 7h30 e 17 horas.     

Paróquia de Santa Luzia,  Rua Tenente Benévolo esquina com Rua Antônio Augusto

Diàriamente, às 17 horas
Sábado, às 17 e 19 horas.
Domingo, às 8, 10 (missa das crianças), 17 e 19 horas (missa dos jovens)
Todo dia 13 de cada mês, missa às 12 horas, em honra a Nossa Senhora de Fátima.

Paróquia de São Gonçalo do Amarante, a 57 quilômetros distante de Fortaleza

De terça-feira à sexta-feira, às 18 horas.
Domingo, às 19 horas.

Igreja Matriz de São José - Lagoa Redonda (Avenida Recreio, 1815)
- Sábado, 20 horas
- Domingo, 7 e 17h30

Capela de Santa Edwiges, Conjunto Curió Lagoa Redonda (Rua Isabel Ferreira, 1001)
- Domingo às 9 horas

Igreja dos Remédios – Benfica – na Avenida da Universidade
- Às segundas e quartas-feiras, às 6h30m.
- Às terças, quintas e sextas-feiras, às 17h30min.
- Aos sábados – 15h30min e 17 horas.
- Aos domingos, às 7, 17 e 19 horas.
- Domingos, ás 9horas, Missa com crianças (exceto no 1. domingo de cada mês, dia dos batizados)
- No primeiro sábado, missa pela saúde e todo o dia 13, às 12 horas, celebração em honra a Nossa Senhora. Mais informações pelo telefone (85) 3223.5644.

Envie-nos os horários de Missa de sua Paróquia ou Comunidade para o e-mailvaivém@secrel.com.br

EVANGELHO DO DIA


João 9,1.6-9.13-17.34-38

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 1ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. 6E cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. 7E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.8Os vizinhos e os que costumavam ver o cego — pois ele era mendigo — diziam: “Não é aquele que ficava pedindo esmola?” 9Uns diziam: “Sim, é ele!” Outros afirmavam: “Não é ele, mas alguém parecido com ele”.Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo!”13Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. 14Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. 15Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: “Colocou lama sobre os meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!”16Disseram, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado”. Mas outros diziam: “Como pode um pecador fazer tais sinais?”17E havia divergência entre eles. Perguntaram outra vez ao cego: “E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?” Respondeu: “É um profeta”.34Os fariseus disseram-lhe: “Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?” E expulsaram-no da comunidade.35Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: “Acreditas no Filho do Homem?” 36Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele?” 37Jesus disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. Exclamou ele: 38“Eu creio, Senhor!” E prostrou-se diante de Jesus. Palavra da Salvação.

REFLEXÕES SOBRE AS LEITURAS DE HOJE


26/03/2017 - IV Domingo da Quaresma 1ª. Leitura

 1 Samuel 16, 1.6-7.10-13 – “precisamos esperar o tempo de Deus”

Humanamente falando nunca poderemos entender o modo de Deus agir, porque difere completamente do nosso modo de escolher. Aquele, porém, que tem sintonia com o Senhor e está muito atento aos Seus sinais e moções poderá entender as Suas escolhas. As deliberações de Deus, muitas vezes, são inconcebíveis aos nossos olhos. As nossas eleições são feitas de acordo com a nossa empatia ou no melhor dos casos, a partir da capacidade que nós julgamos que a pessoa tenha. O Senhor, no entanto, “olha o coração” e vê claramente o que é essencial na pessoa para a missão que lhe será outorgada. O Senhor conhece aqueles (as) a quem Ele capacita de acordo com os Seus desígnios. Samuel, homem de Deus, a princípio foi traído pela sua humanidade, no entanto, teve paciência e esperou a confirmação do Senhor para ungir o rei que lhe seria apresentado. Assim, ele esperou pacientemente e, mesmo diante da perspectiva de não ter mais opções, ele foi mais além e fez uma pergunta meio sem propósito: “Estão aqui todos os teus filhos?” Jessé respondeu de uma maneira muito simplória: “Resta ainda o mais novo, que está apascentando as ovelhas”. E no momento certo, não duvidou e ungiu David como rei de Israel. Com certeza, o pai de Davi nunca imaginara que o mais novo dos seus filhos, simples pastor de ovelhas seria o escolhido de Deus. Com este fato nós aprendemos que precisamos esperar o tempo de Deus para que não atropelemos as Suas resoluções pela pressa e falta de discernimento. Na nossa vida o Senhor também nos motiva a fazer escolhas segundo o Seu coração e precisamos de muita prudência para não sermos enganados (as) pela aparência, das pessoas, das coisas e dos fatos que nos atraem à primeira vista. – Você tem tido paciência para fazer as suas opções de vida? – Você espera algum sinal de Deus para decidir as suas escolhas? – Você já perdeu a esperança de encontrar aquele (a) que você espera? – Talvez seja alguém que você nunca imagina, pois, aos seus olhos, é uma pessoa muito simples e sem expressão! Já pensou nisso?
Salmo 22 – “O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma”
Por isso mesmo é que somente Ele, o Senhor, pode fazer as escolhas corretas para a nossa vida. A Sua mão é segura e firme e a Sua sabedoria extrapola as nossas conveniências. Confiando nisso, nós temos a perspectiva de caminhar com esperança pois nunca nos faltará coisa alguma, tudo será providenciado, no tempo certo.

2ª. Leitura Efésios 5, 8-14 “ A luz de Cristo nos tira da ignorância,!”

São Paulo nos conscientiza da nossa condição de filhos da Luz, chamados a refletir a luz que emana de Jesus Cristo. Assim ele nos convoca a sair da mornidão e da morte pelo pecado, para viver como filhos de Deus batizados em Nome de Jesus. Para que isso aconteça precisamos nos colocar sob Seu senhorio a fim de dar frutos de bondade, de justiça e de verdade, oferecendo ao mundo o testemunho das grandes obras de Deus na nossa vida. Tudo isso irá se refletir na nossa vivência humana e espiritual, pois aprenderemos a discernir o que agrada a Deus e fugiremos das obras do mal. Assim fazendo, as trevas não terão mais poder sobre nós e as nossas obras serão vistas por todos. A luz de Cristo nos tira da ignorância, da injustiça e da maldade e nos fará resplandecer de esperança diante de todos. – Você tem sabido refletir a luz de Cristo no mundo? – As suas ações dão testemunho da manifestação do amor de Deus em você? – Você já despertou para perceber que, diante de Deus você é responsável pelas pessoas com quem você convive?

Evangelho – João 9, 1-41 – “o pecado nos deforma e nos deixa na ignorância e na escuridão.”

Diante dos fariseus, que desconfiavam Dele por causa da cura de um cego de nascença, Jesus pronuncia palavras que abrem a nossa consciência para enxergar a nossa cegueira espiritual diante dos mistérios de Deus. “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem vejam e os que veem se tornem cegos”. Enquanto não nos deixarmos curar por Jesus e ser invadidos pelo Seu Espírito, nós seremos sempre cegos e viveremos nas trevas. Somente a experiência pessoal com Jesus ressuscitado nos faz enxergar as coisas que antes não enxergávamos apesar de nos considerarmos pessoas esclarecidas. As coisas mais expressivas e essenciais à nossa felicidade estão escondidas dentro de nós e só o Amor misericordioso de Deus fá-las-á vir à tona. Foi isso que Jesus veio fazer. A história do cego de nascença vem nos mostrar que o pecado nos deforma e nos deixa na ignorância e na escuridão. Porém, a ação da graça e da bênção de Deus sobre nós revela ao mundo as Suas obras de libertação das nossas deficiências. Enquanto aqui estamos é o tempo em que podemos usufruir de tudo o que o Senhor tem para nos dar. As nossas dificuldades e tribulações são como cegueiras e doenças incuráveis aos nossos olhos, porém o poder amoroso de Jesus por meio do Seu Espírito Santo, nos toca, nos harmoniza e nos faz superá-las, embora que as outras pessoas do mundo nunca entendam como isto pode acontecer. O Senhor nos cura e nos liberta para que, livres do pecado, possamos garantir que ninguém é um caso sem solução, porque Jesus Cristo veio salvar a todos. – Você admite que em ainda existam cegueiras que podem trazer para a sua vida, dificuldades e problemas? – Você já se expôs a ação do Espírito que santifica e purifica o coração, a fim de que seja curado (a? – Peça que Jesus toque nas suas “cegueiras”! Exponha as suas dificuldades e deixe-se, hoje, ser curado (a), para glória de Deus!

Helena Serpa,
Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho

REFLETINDO SOBRE O EVANGELHO



João 9,1-41

QUARTO DOMINGO DA QUARESMA – ANO A

            O evangelho deste domingo (João 9,1-41) inicia-se mostrando que Jesus fez, de lama, barro (lembra a criação) e coloca-o nos olhos do cego e manda-o lavar-se na piscina. O cego obedece e a cura acontece. É à força da Palavra de Deus que transforma. É a vida nova que acontece na vida do cego. Depois de curado, acontece uma discussão entre Jesus, o cego e as autoridades que não aceitam a prática de Jesus em dia de sábado. Devemos sempre nos alegrar quando acontece algo de bem para alguma pessoa e não queiramos colocar outra. A cura do cego nos mostra que Jesus é a água que nos lava das cegueiras e a luz que faz brilharem os olhos da fé. É um encontro entre aquele, que é treva, com o Cristo-luz.

            A cura do cego de nascença reflete o espírito da Quaresma: a conversão é fruto do encontro entre as trevas e a luz. É encontro que liberta e provoca visão nova, da História e da sociedade. Cego não é o outro. Sou eu. Somos nós. É o cristão (a comunidade) que perdeu de vista seu compromisso batismal com o projeto de Deus. Jesus cura um cego, mas o resultado que importa mesmo é a profissão de fé: reconhecer o Senhor, ver Deus revelado em Jesus Cristo.

           Neste evangelho encontramos duas linhas: uma ascendente e outra descendente. Na linha ascendente, encontramos o testemunho do cego, a sua profissão de fé. Na linha descendente, encontramos a dúvida, especialmente dos fariseus – a incredulidade e a cegueira deles. À procura da luz pelo cego responde a auto-revelação de Jesus como luz do mundo (cf.Jo. 8).

            A mensagem que tiramos deste Evangelho é a seguinte: vem das próprias palavras daquele pobre homem que era cego, e agora vê. No inicio, Jesus é para ele um simples homem, depois, um profeta; e, em seguida, um homem de Deus e, por fim é o Senhor. Um exemplo para todos nós: a luz que ilumina a nossa fé encaminha-nos por essa vereda decrescimento espiritual, a ponto, de, finalmente, nos tornarmos apóstolos e anunciadores da verdadeira mensagem: Creio, Senhor!

          Com o cego de nascença, entramos em nossa própria escuridão do mundo que nos envolve pra podermos experimentar a claridade da luz que nos vem de Jesus. Com nossos olhos ungidos e abertos, livres de nossa cegueira original, bendizemos o Pai. Tocados pelo Senhor neste 4º Domingo da Quaresma, renovamos nosso empenho de viver como filhos e filhas da luz, vencendo a cegueira que nos impede de reconhecê-lo nos irmãos e irmãs. Uma ótima caminhada quaresmal a todos.

 

Pe. Raimundo Neto

Pároco de São Vicente de Paulo