O significado espiritual da Cidade Santa de Jesus foi tema de reflexão de um grupo de trabalho formado pelo Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso e pela Comissão Palestina para o Diálogo Inter-Religioso. Em audiência no Vaticano nesta quinta-feira (9), Francisco enalteceu aos participantes o valor universal de Jerusalém como cidade de paz, de amor, de diálogo, respeito e veneração, ao invés de projeção ideológica de qualquer dos lados.
Andressa Collet - Vatican News
A Cidade
Santa de Jesus, onde Ele cumpriu a sua missão "com a paixão, a morte e a
ressureição", direcionou o encontro desta quinta-feira (9), no Vaticano,
entre o Papa Francisco e os participantes de uma reunião entre o Dicastério
para o Diálogo Inter-Religioso e a Comissão Palestina para o Diálogo
Inter-Religioso. O intitulado "Grupo Conjunto de Trabalho para o
Diálogo", criado pelo cardeal Jean-Louis Tauran e pelo Xeque Mahmoud
Al-Habbash, ambos recordados pelo Pontífice, escolheu justamente o
"significado espiritual de Jerusalém, cidade santa para judeus, cristãos e
muçulmanos" como argumento de reflexão.
Na
saudação, o Papa lembrou a declaração feita em 2019 sobre "o apelo para
que Jerusalém seja considerada 'patrimônio comum da humanidade e especialmente
para os fiéis das três religiões monoteístas, como lugar de encontro e símbolo
de coexistência pacífica". No Evangelho, continuou Francisco,
Jerusalém é "o coração da fé cristã", lugar onde acontecem
vários episódios da vida de Jesus e onde "a Igreja nasceu".
Jerusalém,
a Cidade da Paz
Jerusalém,
assim, "tem um valor universal, já contido no significado do seu nome:
'Cidade da paz", disse o Papa, ao recordar o momento em que Jesus,
poucos dias antes da sua paixão, próximo à Cidade Santa, chorou:
“Jesus chora sobre
Jerusalém. Não devemos seguir em frente muito depressa. Esse choro de Jesus
merece ser meditado, em silêncio. Irmãos e irmãs, quantos homens e mulheres,
judeus, cristãos, muçulmanos, choraram e ainda choram por Jerusalém! Também
para nós, às vezes, pensar na Cidade Santa nos leva às lágrimas, pois é como
uma mãe cujo coração não consegue encontrar a paz por causa do sofrimento dos
seus filhos.”
Ao final
da saudadação ao grupo e pegando essa passagem do Evangelho como referência,
veio o encorajamento renovado do Papa Francisco pelo diálogo inter-religioso,
"que é tanto importante":
"Este episódio
evangélico lembra o valor da compaixão: a compaixão de Deus por Jerusalém, que
deve tornar-se a nossa compaixão, mais forte do que qualquer ideologia, de que
qualquer dos lados. Maior
deve ser sempre o amor pela Cidade Santa, como por uma mãe, que merece o
respeito e a veneração de todos."
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