sábado, 24 de agosto de 2019

INCÊNDIOS NA AMAZÔNIA: O APELO QUE CHEGA DOS BISPOS MEXICANOS E PARAGUAIOS



Depois do apelo do Conselho Episcopal Latino-Americano, o Celam, as Conferências Nacionais da América Latina também manifestam o seu grito de alarme em favor da Amazônia. O tema das queimadas naquela região, além de pauta do governo brasileiro, agora está no centro dos debates políticos internacionais, inclusive da cúpula do G7, que acontece neste final de semana em Biarritz, na França.
Eugenio Murrali, Andressa Collet – Cidade do Vaticano
A respiração do mundo parece se reduzir. A dimensão dos incêndios se prolongou e, depois do Brasil e da Bolívia - os países mais atingidos, as chamas alcançaram o Paraguai, onde estão queimando 40 mil hectares de florestas na região do Chaco.
As Conferências Episcopais do Brasil, México e Paraguai lançam apelos por medidas urgentes em defesa da Amazônia. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ordenou o envio do exército e prometeu “tolerância zero” contra crimes ambientais, mas foi criticado pela sua gestão com a emergência por chefes de Estado do G7 que, a partir deste sábado (24), participam de encontro em Biarritz, na França.
O presidente francês, Emmanuel Macron, foi um deles, além da chanceler alemã, Angela Merkel. Ela pediu que, da cúpula do G7, saia uma mensagem clara para que a Amazônia pare de queimar. Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu ajuda ao Brasil para parar com os incêndios na Amazônia.

A carta dos bispos mexicanos

A Comissão da Pastoral Social da Conferência Episcopal do México expressa profunda preocupação pela situação: “erguemos a nossa voz e a unimos àquela de tantos irmãos e irmãs que sentem nos seus corações a dor e a morte” da nossa Casa Comum. Os bispos pedem que a política possa intervir e que “os governos” que tem condições de trazer soluções para combater esses incêndios “que o façam de maneira urgente, pois está em risco a vida de todos os seres vivos que ali moram e o futuro das gerações”.
Na carta, a Comissão exorta ainda a “unir os esforços” e enfatiza com o desastre na Amazônia nos lembra “que o nosso território está em perigo, porque na nossa Casa Comum tudo está interligado”. “É urgente” um consenso das nações para que “tomem decisões que corrijam as atitudes egoístas e destrutivas”, ligadas ao modelo econômico tecnocrático.

O apelo da Conferência Episcopal do Paraguai

Os bispos do Paraguai também entraram no debate, apoiando as posições do Celam e expressando proximidade às populações limítrofes, ainda mais atingidas daquela do país pelas devastações dos incêndios que, lembram os prelados, estão fazendo danos de dimensões planetárias.
Na nota, eles citam o documento de trabalho do Sínodo para a Amazônia e recordam o peso que ocupa hoje no nosso planeta “a cultura do descarte”: “acreditamos, como as autoridades do Celam, que a unidade e a solidariedade dos governos dos países amazônicos, sobretudo do Brasil e da Bolívia, das Nações Unidas e das comunidades internacionais, devam tomar medidas urgentes para salvar o pulmão do mundo”.
Os bispos lembram, enfim, as palavras do Papa Francisco na homilia da missa para o início do seu ministério petrino: “gostaria de pedir, por favor, a todos aqueles que ocupam papeis de responsabilidade em âmbito econômico, político e social, a todos os homens e mulheres de boa voante: sejamos ‘protetores’ da criação, do desenho de Deus inscrito na natureza, protetores do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e de morte acompanhem o caminho deste nosso mundo!”.

Fonte: Vatican News

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