26 DE FEVEREIRO DE 2026
5ª. FEIRA DA PRIMEIRA
SEMANA DA QUARESMA
Cor roxo
1ª Leitura - Est 4,17n.p-r.aa-bb.gg-hh
Leitura do Livro de Ester 4,17n.p-r.aa-bb.gg-hh
Naqueles dias: 17nA rainha Ester, temendo o perigo de morte que se
aproximava, buscou refúgio no Senhor. 17pProstrou-se por terra
desde a manhã até ao anoitecer, juntamente com suas servas, e disse:
17q'Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacó, tu és bendito. Vem em
meu socorro, pois estou só e não tenho outro defensor fora de ti, Senhor,
17rpois eu mesma me expus ao perigo.
17aaSenhor, eu ouvi, dos livros de meus antepassados, que tu libertas,
Senhor, até ao fim, todos os que te são caros. 17bbAgora, pois, ajuda-me, a
mim que estou sozinha e não tenho mais ninguém senão a ti, Senhor meu
Deus. 17ggVem, pois, em auxílio de minha orfandade. Põe em meus lábios um
discurso atraente,
quando eu estiver diante do leão, e muda o seu coração para que odeie
aquele que nos ataca, para que este pereça com todos os seus cúmplices.
17hhE livra-nos da mão de nossos inimigos. Transforma nosso luto em alegria e
nossas dores em bem-estar'.
Palavra do Senhor.
Reflexão - É tempo de nos prostrarmos por terra, reconhecendo a nossa
limitação.
Há momentos na nossa vida em que experimentamos a solidão, a orfandade, o
deserto, a humilhação que são a nossa incapacidade e impotência diante dos
acontecimentos. No entanto, são estes os momentos de maior graça que
vivemos, porque podemos avaliar a nossa dor e fazer uma reflexão para
concluir até que ponto nós mesmos nos expomos ao perigo. Ester reconheceu:
“eu mesma me expus ao perigo”. Somos muitas vezes responsáveis pelas
coisas que acontecem erradamente e nem sempre temos consciência do que
realmente está acontecendo dentro do nosso interior e o que está motivando
as nossas ações. Nestas horas, porém, somos motivados a procurar refúgio no
Senhor. A oração de Ester para nós é um convite à conversão e um modelo de
reflexão sobre o momento atual da nossa vida. A maior parte da nossa vida
nós a passamos na tranquilidade, no bem bom, na rotina como se não
precisássemos de mais ninguém. O tempo da felicidade superficial é,
portanto, o tempo da desgraça, isto é, da nossa indiferença à graça de Deus,
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quando nos bastamos, quando nos saciamos com os frutos da carne e, por isso,
nos expomos aos perigos. Este tempo da quaresma nos é propício para
voltarmos para o Senhor e mesmo que não estejamos passando por nenhum
tormento, nos conscientizarmos de que somos eternos devedores diante de
Deus. É tempo de nos prostrarmos por terra, reconhecendo a nossa limitação,
o nosso pecado, a nossa insensatez e pedir clemência ao nosso juiz e ajuda
para podermos enfrentar os “leões” no tempo da peleja. Prostrar-se significa:
humilhar-se, render-se, entregar-se. Todo tempo é tempo de conversão e
toda hora é hora de buscar refúgio no Senhor. Não esperemos o tempo ruim,
aproveitemos o tempo da graça do Senhor que é constante. – Você tem
consciência do tempo que está vivendo? É tempo de penúria ou de
felicidade? – Você reconhece a sua orfandade, sua limitação? Quem poderá
ajudá-lo? - Você busca refúgio no Senhor quando tudo está bem?
Salmo - Sl 137, 1-2a. 2bc-3. 7c-8 (R. 3a)
R. Naquele dia em que gritei,
vós me escutastes, ó Senhor!.
1Ó Senhor, de coração eu vos dou graças,*
porque ouvistes as palavras dos meus lábios!
Perante os vossos anjos vou cantar-vos*
2ae ante o vosso templo vou prostrar-me.R.
2bEu agradeço vosso amor, vossa verdade,*
2cporque fizestes muito mais que prometestes;
3naquele dia em que gritei, vós me escutastes*
e aumentastes o vigor da minha alma.R.
7cestendereis o vosso braço em meu auxílio*
e havereis de me salvar com vossa destra.
8Completai em mim a obra começada;*
ó Senhor, vossa bondade é para sempre!
Eu vos peço: não deixeis inacabada*
esta obra que fizeram vossas mãos!R.
Reflexão - Precisamos tomar consciência de que somos uma obra de Deus
inacabada e que Ele ainda tem muitos planos a realizar na nossa vida. No
entanto, é necessário que estejamos atentos aos Seus acenos, pois somente
assim compreenderemos qual seja o nosso papel. A nossa vida é uma
caminhada em busca da perfeição, ou melhor, da nossa condição de sermos
imagem e semelhança de Deus. Por isso, precisamos sempre pedir o auxílio do
Senhor a fim de que Ele nos modele e nos restaure dia a dia. Não podemos
baixar guarda nem desanimar, estejamos vigilantes, pois um dia, perante os
anjos, nós também cantaremos e nos prostraremos no templo do Senhor que é
a Casa do Pai.
Evangelho - Mt 7,7-12
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 7,7-12
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Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7Pedi e vos será dado!
Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! 8Pois todo aquele que
pede, recebe; quem procura, encontra; e a quem bate, a porta será aberta.
9Quem de vós dá ao filho uma pedra,
quando ele pede um pão? 10Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe?
11Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto
mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem!
12Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto
consiste a Lei e os Profetas.
Palavra da Salvação.
Reflexão – O pão que mata a nossa fome de amor é Jesus!
As palavras de Jesus neste Evangelho precisam ser acolhidas no nosso coração
a fim de percebermos a profundidade das Suas promessas, e nunca desanimar
diante dos desafios da nossa vida. “Pedi e vos será dado! Procurai e achareis!
Batei e a porta vos será aberta!” O pedir o procurar e o bater são ações de
caráter indispensável da nossa existência humana. Vivemos continuamente
este movimento no nosso dia a dia. Normalmente, no entanto, nós pedimos,
procuramos e batemos em busca das coisas que consideramos essenciais e
absolutamente necessárias para saciar a nossa fome de prazer, de possuir e de
poder. Na verdade, nós nos submetemos diante dos reis e dos governantes da
terra por um punhado de sucesso, de reconhecimento do nosso potencial
humano ou então nos degradamos e nos corrompemos para conquistar um
lugar ao sol ou ainda nos humilhamos para nos apossar do coração de alguém.
Fazemos mil e uma voltas para buscar, fora o pão que mata a nossa fome de
amor. Porém, não percebemos que o que poderá alimentar a nossa alma e o
nosso corpo está escondido dentro de nós e faz parte da essência da nossa
alma, pois vem da fonte que jorra dentro de nós. Dentro de nós há uma fonte
de amor para onde devemos voltar o nosso olhar a fim de pedir, procurar e
bater à procura das coisas de que precisamos realmente. A fé no amor de
Deus é o alimento imprescindível da nossa existência humana e Jesus é o pão
que mata a nossa fome de amor. Deus sabe que precisamos do Seu amor como
alimento, todavia, Ele espera a nossa livre vontade, o nosso querer e o nosso
desejar para abrir as comportas e nos conceder tudo o que queremos
alcançar. Pedir, procurar, bater, é perseverar na vivência do Evangelho com
esperança e determinação. Não podemos nos escusar nem perder a grande
chance da nossa vida buscando fora de nós pedra e cobra quando o Pai nos
oferece pão e peixe, hoje. Por isso, também não podemos deixar para pedir,
procurar e bater somente amanhã o que hoje nos é oferecido. Alimentados
com o pão do amor, na Eucaristia, conseguiremos também cumprir o que a lei
e os profetas nos propõem: fazer aos outros tudo aquilo que desejamos que
nos façam.
- O que você tem pedido a Deus: pão ou pedra; peixe ou
cobra? – O que na verdade você precisa pedir a Deus? Reflita! – Onde você
tem buscado alimento e proteção? – Você tem batido nas portas dos
homens para receber o que está à sua disposição dentro do seu coração?
Helena Serpa,
Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho
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