9
DE MARÇO DE 2023
5ª.
FEIRA DA SEGUNDA
SEMANA
DA QUARESMA
Cor Roxo
1ª.
Leitura – Jr 17, 5-10
Leitura do Livro do Profeta Jeremias
17,5-10
5Isto diz o Senhor: 'Maldito o homem que confia no homem e faz
consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do
Senhor; 6como os cardos no deserto, ele não vê
chegar a floração, prefere vegetar na secura do ermo, em região salobra e desabitada.
7Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; 8é como a árvore plantada junto às águas,
que estende as raízes em busca de
umidade, por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde,
não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos. 9Em tudo é enganador o coração, e isto é incurável; quem poderá
conhecê-lo?
10Eu sou
o Senhor, que perscruto o coração e provo os sentimentos, que dou a cada qual
conforme o seu proceder
e conforme o fruto de suas obras. Palavra do Senhor.
Reflexão - Confiar
em Deus ou nos homens?
O profeta Jeremias faz
o paralelo entre o homem que confia em Deus e outro que põe a sua confiança
nele mesmo ou em outros homens e faz a comparação com a árvore que é plantada
junto às águas, cujas folhas mantêm-se sempre verdes e os cardos do deserto que
não veem chegar a floração. Colocando essa comparação na nossa vida constatamos
que é isso mesmo o que acontece quando estamos perto do Senhor e quando Dele
nos afastamos. Quando deixamos de confiar em Deus para confiar nos homens,
sobretudo, em nós mesmos, somos malditos, isto é, condenados a viver o mal, o
pecado, experimentamos o fracasso e entramos nas trevas. Do contrário, quando
nós nos voltamos para Deus e confiamos no Seu poder vitorioso, somos então,
benditos, isto é, motivados a viver o bem, a vida plena, a vitória e caminhar
sob a luz. Bendito, então é aquele que confia em Deus e não depende da força
dos homens! Cada um de nós, então, pode fazer uma
avaliação para observar em quem estamos pondo a nossa confiança para chegarmos
a uma conclusão se somos benditos ou malditos. As consequências dessas duas
condições manifestam-se dentro de nós, no interior do nosso coração: se temos
paz, esperança e fé, mesmo passando por dificuldades é porque somos como uma
árvore plantada junto às águas e, que se conserva verde até no tempo da seca e
nunca deixa de dar frutos. Nesse caso, com certeza, estamos depositando a nossa
confiança e esperança no Senhor e aguardando Dele a orientação para as nossas
ações, produzindo frutos conforme a Sua vontade. Por
outro lado, a revolta, o desassossego, a ira, o ressentimento e a murmuração
são sinais sensíveis da nossa alma quando colocamos a nossa confiança nos
homens, nos negócios, nas facilidades da vida e nos esquecemos de olhar para
Deus. Quando estamos agindo assim, somos tentados, nunca achamos saída para
nossas mazelas e ao mesmo tempo, também nunca estamos satisfeitos (as) com o
que possuímos, queremos sempre mais, e por isso, a nossa vida se torna amarga. Assim sendo, tenhamos cuidado para não
colocarmos a confiança nas criaturas que passam, mas tenhamos sempre em mente
que o Senhor conhece as nossas necessidades e somente Ele poderá nos ajudar. – Em quem você coloca a sua confiança? – Você é
muito autossuficiente? – Você espera muito dos homens ou seu coração está
voltado para Deus? Você é como cardo no deserto ou como árvore plantada junto
às águas? - Nos seus empreendimentos e problemas em quem você confia mesmo?
Salmo 1,1-2.3.4.6 (R. Sl 39,5a)
R.É feliz quem a Deus se
confia!
1Feliz é todo aquele que não anda*
conforme os conselhos dos perversos;
que não entra no caminho dos malvados,*
nem junto aos zombadores vai sentar-se;
2mas
encontra seu prazer na lei de Deus*
e a medita, dia e noite, sem cessar. R.
3Eis que ele é semelhante a uma árvore,*
que à beira da torrente está plantada;
ela sempre dá seus frutos a seu tempo,
e jamais as suas folhas vão murchar.*
Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.
R.
4Mas bem outra é a sorte dos perversos.
Ao contrário, são iguais à palha seca*
espalhada e dispersada pelo vento.
6Pois
Deus vigia o caminho dos eleitos,*
mas a estrada dos malvados leva à morte.
R.
Reflexão - O salmo é uma confirmação da
profecia de Jeremias. O salmista faz uma comparação entre as pessoas que andam
conforme os conselhos dos perversos, isto é, dos homens que têm a mentalidade
do mundo e as pessoas que meditam na lei de Deus em todos os momentos da sua
vida. Os que seguem a teoria do mundo
são como a palha seca que se espalha e é dispersa pelo tempo. Porém, os que
andam segundo a Lei do Senhor, prosperam e têm uma vida profícua, portanto, são
felizes.
Evangelho – Lc 16, 19-31
+ Proclamação do Evangelho de Jesus
Cristo segundo Lucas 16,19-31
Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: 19'Havia um homem rico,
que se vestia com roupas finas e
elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão à porta
do rico. 21Ele queria matar a fome
com as sobras que caíam da mesa do rico.
E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. 22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão.
Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos,
o rico levantou os olhos e viu de longe a
Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim!
Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para
me refrescar a língua,
porque sofro muito nestas chamas'. 25Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens
durante a vida
e Lázaro, por sua vez, os males. Agora,
porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 6E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém
desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam
atravessar até nós'. 27O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico,
manda Lázaro à casa do meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não
venham também eles para este lugar de tormento'.
29Mas
Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!' 30O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até
eles, certamente vão se converter'. 31Mas Abraão lhe disse: `Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas,
eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'.' Palavra da Salvação.
Reflexão – A Palavra
de Deus é quem nos previne.
A nossa vivência aqui na terra já pode ser um testemunho de que estamos salvos e um dia iremos viver na companhia dos anjos ou no meio dos tormentos. A Palavra de Deus é para nós uma advertência porque nos ensina como podemos nos apropriar dos terrenos celestes e nos previne sobre o resultado da nossa vda. Aquele homem rico viveu aqui na terra aproveitando-se de tudo o que possuía para deleitar-se e satisfazer apenas a sua carne, isto é, o seu apetite humano, como se um dia não tivesse que se apartar do seu patrimônio. O pobre, por força das circunstâncias teve uma experiência completamente oposta e provou das agruras da vida por conta da sua completa miséria. O rico teve todas as chances para bem viver com a sua riqueza fazendo dela um trampolim para alcançar a vida plena depois que partisse para a outra existência. Infelizmente, muitos ainda não compreenderam isso, por isso, a parábola do rico e do Lázaro nos mostra uma situação, ainda hoje, persistente dentro da nossa realidade de vida. A conjuntura do rico e do Lázaro nos dá uma amostra do julgamento de Deus. Não podemos nos confundir achando que a riqueza é uma coisa má, no entanto, há uma condição imprescindível para que ela seja um instrumento para a nossa salvação: a de partilharmos os nossos bens e nossos terrenos da terra com os outros moradores. O mal é quando queremos ter tudo só para nós e desprezamos àqueles que vivem à nossa porta implorando por migalhas porque não possuem o suficiente para viverem com dignidade. Jesus nos fala que o rico recebe os bens durante a vida e o pobre, os males, mas que na outra vida dar-se-á o contrário. O pobre existe para dar ao rico uma chance de empregar os seus bens e assim poder obter ainda muito mais para ajudar a quem precisar. Jesus também nos mostra a perspectiva da eternidade para o rico avarento e o pobre humilhado: para o primeiro a região dos mortos que é a ausência de Deus e para o segundo, o seio de Abraão, isto é, a presença de Deus, na companhia dos anjos e tendo consolo para as suas dores. Precisamos refletir no tempo atual da nossa vida quando temos a oportunidade de pôr em prática todos os ensinamentos da Palavra de Jesus a fim de não tenhamos a mesma sorte dos mesquinhos.
– Como você está usando os bens que tem recebido aqui na terra?
– Você sabia que aqui na terra estamos preparando o nosso terreno no céu?
– Você tem partilhado com alguém de tudo que possui ou
tem dado somente migalhas que sobram da sua mesa? Você tem a consciência
tranquila diante de Deus?
Helena Serpa,
Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho
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