sábado, 19 de março de 2022

OBEDIENTES, ATÉ EM SONHOS

 



Há quase 10 anos fui chamado para trabalhar num seminário, que se realizou no Sitio Santo Inácio, no Eusébio, na equipe de cozinha. Participei de algumas reuniões preparatórias, coordenadas pelo Chico Rocha,  a primeira pessoa que conheci na Face de Cristo. Foi, inclusive, atendendo a um convite dele, que fiz o primeiro seminário na comunidade. Terminado o louvor, o Chico Rocha transmitiu para os membros da equipe o que iríamos fazer.

Com a minha curiosidade de jornalista, simplesmente indaguei ” Vamos ter que executar isso que você está mandando, sem contestação?. Temos que ser obedientes?. Não podemos reclamar? Temos que baixar a cabeça? “E nunca mais me esqueci da resposta do Chico Rocha. “E, sim. Temos que obedecer”. Fiquei calado e o Chico naquele momento, cheio do Espírito Santo, continuou: “Jesus Cristo foi obediente. Ele foi tão obediente, que teve uma morte de cruz. Não fez nenhuma indagação ao Pai. Foi obediente para nos salvar”. Continuou, porque sentiu que eu não tinha aceitado a sua resposta.

Pegou a sua Bíblia e pediu para que todos abrissem as suas nesse texto: “Sendo Jesus de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou  o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toa língua confesse, para a glória de Deus Pai que Jesus Cristo é o Senhor”  (Filipensesn2, 6-11). Calei-me e passei a ter comportamento diferente com relação à obediência.

Há anos venho sendo convidado pela Comunidade para participar de um encontro em que faríamos, eu, minha mulher e outros, parte de um grupo de postulantes, com duração de dois anos, e logo em seguida o “Noviciado’, de mais dois anos, no qual completaremos em outubro deste ano.. Ao completarmos essa etapa , depois de um discernimento da Comunidade, poderemos ser consagrados ou não. E logo quando iniciamos essa caminhada, para chegarmos à  consagração, se for da vontade de Deus, as pregações foram e continuam sendo em cima das colunas de sustentação Amor, Perdão, Humildade e Obediência, especialmente, Obediência, como ouvi na primeira pregação “Vocês nunca tomaram conhecimento de um desobediente no céu!”. O pregador era o coordenador geral, Aluízio Nóbrega, que inclusive leu para todos numa das regras o texto de João 8, 29b, quando Jesus em resposta aos escribas e fariseus disse: “Ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado”.

No último Natal, lendo Mateus deparei-me com um texto sobre o nascimento de Jesus, ainda no primeiro capítulo, que diz: “Antes de coabitarem, aconteceu que Maria concebeu por virtude do Espírito Santo José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente.” Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em SONHO e lhe disse: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito. Ela dará à luz um filho a quem porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo de seus pecados.” Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta. “Eis que a Virgem conceberá e dará  à luz a um filho que se chamará Emanuel “ (Is 7, 14) que significa “Deus Conosco”. Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa. E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu á luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus.

E Jesus nasceu em Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes. E conta Mateus, no segundo capitulo, que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém perguntando “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer”? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.   

Ao tomar conhecimento, Herodes ficou perturbado e perguntou aos sumos sacerdotes, bem como aos mestres da lei, onde o Messias deveria nascer e eles responderam que em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta. Herodes chamou em segredo os magos a quem pediu que procurassem informações exatas sobre o menino e quando colhessem tudo, “me avisem para que eu também vá adorá-lo”. O rei Herodes apresenta-se como o símbolo do pecado. E os reis magos viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram os seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. E avisados em SONHO para não voltarem a Herodes (o pecado) , retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho. E que façamos isso, quando sairmos do pecado, não voltemos mais para ele. Façamos como os magos, sigamos em frente e não voltemos mais pelo que passamos que foi o do pecado.

Mas, depois da partida dos magos, um anjo do Senhor apareceu em SONHO a José         e disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar”. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito e ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor disse pelo profeta: “Eu chamei do Egito meu filho (Oséias 11,1).

E depois da morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em SONHO a José, no Egito, disse: “Levanta-te, toma o menino ´Tua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam conta a vida do menino.” José levantou-se, tomou a criança e sua mãe e foi para a terra de Israel. Ao ouvir, porém, que Arquelau reinava na Judeia em lugar de seu pai, não ousou ir para lá. Avisado divinamente em SONHO, retirou-se para a província da Galileia e foi habitar na cidade Nazaré para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas “será chamado Nazareno” Segundo a Bíblia da Ave Maria, no seu comentário e pagina 1.286, esta frase se encontra no Antigo Testamento. Mas Nazareno parece ser um qualificativo que significa desdém. Os profetas sobretudo Isaias anunciavam um Servo de Deus humilde e desprezado. O adjetivo provém, sem dúvida, do nome de Nazaré Serviu para designar os cristãos (Atos 24,5)

                                                                                               

José Maria Melo

Jornalista e membro da Comunidade Face de Cristo, de 1995 a 2012.

 Publicado no número 14, da revista Face de Cristo, de

Janeiro e fevereiro de 2003                             

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