Papa Francisco durante a coletiva de imprensa no
avião que o levou do Panamá a Roma – Foto: Mercedes de la Torre
Vaticano, 29 Jan. 19 / 09:30 am (ACI).- Durante o voo de
volta a Roma, o Papa Francisco adiantou alguns detalhes sobre como será o
encontro de fevereiro sobre abusos sexuais e indicou que dois de seus objetivos
são tomar consciência do drama e ter protocolos claros para agir.
De 21 a 24 de fevereiro, acontecerá
no Vaticano um encontro do Papa com os presidentes das conferências episcopais
do mundo para abordar o problema do abuso sexual dentro da Igreja.
"No encontro se rezará, haverá
alguns testemunhos para se tomar consciência, alguma liturgia penitencial para
pedir perdão por toda a Igreja. Estão trabalhando bem na preparação do
encontro", indicou o Papa durante o voo de regresso do Panamá, onde
participou da Jornada Mundial da Juventude.
Respondendo a perguntas da imprensa,
o Santo Padre assinalou que a ideia do encontro nasceu no seio do Conselho
dos Cardeais (C9),
porque "nós vimos que alguns bispos não entendiam
bem ou não sabiam o que fazer ou faziam uma coisa boa e outra errada".
Francisco explicou que a ideia é dar
uma catequese para que, em primeiro lugar, "se tome consciência do
drama" que as vítimas vivem.
"De que se trata de um menino ou
uma menina vítimas de abuso? Recebo regularmente pessoas vítimas de abuso.
Recordo uma pessoa: 40 anos sem poder rezar. É terrível", expressou.
O Papa disse que depois da
conscientização, é necessário elaborar "programas gerais" que cheguem
a todas as conferências episcopais para que cada bispo saiba "o que deve
fazer". De tal forma “que haja protocolos claros. Esse é o objetivo
principal", afirmou.
"Permito-me dizer – esclareceu –
ter percebido uma expectativa de certo modo exagerada. É preciso moderar as
expectativas em relação a estes pontos que lhes disse, porque o problema dos
abusos continuará, é um problema humano, em todos os lugares".
Indicou que segundo as estatísticas
que leu, “50% dos casos de abusos é denunciado, 20% escutado e diminui. E
terminava assim: 5% é condenado. Terrível. É um drama humano do qual tomar
consciência".
"Também nós, resolvendo o
problema na Igreja, ajudaremos a resolvê-lo na sociedade e nas famílias, onde a
vergonha cobre tudo. Mas primeiro devemos tomar consciência, ter os protocolos
e seguir em frente".
Fonte: ACI Digital

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