“Levados pela caridade de Cristo… (cf. 2Cor. 5,14.)”
Na plena Alegria do Evangelho, quero
rezar por todos, pelas bênçãos de Deus, e lhes fazer os votos de Santo
Advento, Feliz Natal, Abençoado Ano 2015.
Estamos vivendo o Centenário Jubilar da
Arquidiocese de Fortaleza, o que nos faz estar em Ação de Graças pela
existência desta Igreja Particular de Fortaleza e sua maternidade quanto
às demais Igrejas diocesanas do Ceará.
A Igreja é a Família de Deus, o Povo de
Deus, o Corpo de Cristo. Nasceu de Jesus, enviado pelo Pai, com o Dom do
Espírito Santo, e se faz presente até os confins da terra e no decorrer
da história da humanidade rumo ao definitivo Reino de Deus. Como
recordou e declarou o Concílio Vaticano II (1962 a 1965), do qual
estamos comemorando o cinquentenário, em sua fundamental Constituição
Dogmática sobre a Igreja – Lumen Gentium 4: “Consumada a obra que o Pai
confiara ao Filho para que ele a realizasse na terra (cf. Jo 17,4), no
dia de Pentecostes foi enviado o Espírito Santo para santificar
continuamente a Igreja e assim dar aos crentes acesso ao Pai, por
Cristo, num só Espírito (cf. Ef 2,18). Este é o Espírito que dá a vida, a
fonte da água que jorra para a vida eterna (cf. Jo 4,14; 7,38-39); por
ele, o Pai dá vida aos homens mortos pelo pecado, até que um dia
ressuscitem em Cristo os seus corpos mortais (cf. Rm 8,10-11). O
Espírito habita na Igreja e nos corações dos fiéis, como num templo (cf.
1Cor 3,16; 6,19): neles ora e dá testemunho de que são filhos adotivos
(cf. Gl 4,6; Rm 8,15-16.26). Leva a Igreja ao conhecimento da verdade
total (Jo 16,13), unifica-a na comunhão e no ministério, dota-a com
diversos dons hierárquicos e carismáticos, com os quais a dirige e
embeleza (cf. Ef 4,11-12; 1Cor 12,4; Gl 5,22). Com a força do Evangelho,
faz ainda rejuvenescer a Igreja, renova-a continuamente e eleva-a à
união consumada com o seu Esposo. Pois o Espírito e a Esposa dizem ao
Senhor Jesus: “Vem” (cf. Ap 22,17). Assim a Igreja universal aparece
como o “povo congregado na unidade do Pai e do Filho e do Espírito
Santo”. (S. Cipriano, De Orat. Dom. 23 etc)
A fonte da Igreja está no próprio coração da Trindade Santa.
Assim: “Dispôs a divina providência que
várias Igrejas, fundadas em diversas regiões pelos apóstolos e seus
sucessores, se reunissem com o decorrer dos tempos em grupos
organicamente estruturados, que, salvaguardando a unidade da fé e a
única constituição divina da Igreja universal, gozem de disciplina, de
liturgia e de tradição teológica e espiritual próprias. E, algumas
dessas, especialmente as antigas Igrejas patriarcais, como mães da fé,
geraram filhas, às quais continuaram ligadas até hoje por vínculos mais
íntimos de caridade na vida sacramental e na observância mútua de
direitos e deveres. Esta variedade das Igrejas locais, assim a tenderem
para a unidade, demonstra, com maior evidência, a catolicidade da igreja
indivisa.” (LG 23).
Mais além, a mesma Constituição
Dogmática afirma que: (LG 11) “Diocese é a porção do povo de Deus, que
se confia aos cuidados pastorais de um bispo, coadjuvado pelo seu
presbitério, para que unida ao seu Pastor e reunida por ele no Espírito
Santo por meio do Evangelho e da Eucaristia, constitua uma Igreja
particular, na qual está e opera verdadeiramente a Igreja de Cristo una,
santa, católica e apostólica.”
Estamos comemorando o Centenário desta
Igreja Particular que está em Fortaleza, que se tornando mãe de outras
Igrejas Particulares que dela nasceram pela evangelização e a partir
dela foram constituídas, tornou-se Arquidiocese (a primeira entre estas
dioceses).
Motivos de ações de graças impulsionam a
comemoração deste Jubileu centenário: a graça divina que realiza a
presença de Jesus, o Filho de Deus, em seu Corpo Místico que é a Igreja.
Nela é Ele mesmo quem age pelo Seu Espírito derramado nos seres
humanos.
Esta realidade tem seu fundamento
histórico na Encarnação do Filho de Deus: “O Verbo (que) se fez carne e
habitou entre nós.” (Jo 1, 14.)
A cada ano retornamos na celebração
litúrgica ao Natal do Senhor. A Igreja, Corpo de Cristo na história,
refaz memória do Mistério que a funda. O próprio Deus se fez homem e
entrou na história humana e se uniu à humanidade de modo que a uniu a
si. Em Jesus, Deus e Homem verdadeiro, não há mais distância que separe o
divino e o humano, não há mais solidão da criatura exilada do seu
Criador. O abismo foi superado. Tudo se tornou Unidade, Comunhão em
Jesus. Desta comunhão a Sua comunidade peregrina no tempo é sinal
sacramental – instrumental da íntima comunhão dos homens com Deus e de
todo o gênero humano. (cf. LG 1)
Em nossa celebração centenária, estamos
vivendo o ANO DA CARIDADE, do Amor Divino que irrompeu na história
humana e nos arrastou com Ele. A Palavra divina que nos inspira é tirada
da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, quando falando destas
realidades ele afirma que: “A Caridade de Cristo nos leva (nos
constrange, nos impulsiona, nos carrega)” (cf. 2 Cor 5, 14).
Tudo nos faz voltar ao essencial: Deus nos ama imensamente. Este Amor
Ele nos manifestou em seu Filho Jesus, feito homem, feito menino, feito
pobre, feito encontro para ser o nosso Salvador. Os que são por Ele
alcançados se fazem encontro com Deus e em Deus com todos. Surge o Reino
de Deus, o Novo Mundo do Encontro de Amor que tudo renova.Estamos vivendo o tempo natalino, o tempo que nos chama à memória do encontro, da Caridade de Deus. Nosso grande desejo de renascer de nossa vida limitada e pequena se faz acontecimento, não só possibilidade, mas certeza: “Somos levados pela caridade de Cristo…” Nela podemos firmar os votos: Santo Advento – santo encontro, Feliz Natal – feliz novo nascimento, Abençoado Ano 2015 – em Deus tudo é novo, o tempo vai irrompendo para a eternidade.
+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano
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