Lucas 12, 49-53
VIGÉSIMO DOMINGO
TEMPO COMUM
Na vida de Cristo verificou-se a
profecia de Simeão quando, como criança, foi apresentado no templo: ”Este
menino vai ocasionar a queda e reerguimento de muitos em Israel; ele será um
sinal de contradição, pra que se revelem os pensamentos de muitos corações
“(cf.Lc.2,34). Eco destas palavras é o que Cristo afirma no Evangelho de Lucas
(12,49-53): “ Pensam acaso que vim trazer paz à terra? Não, eu lhes digo, vim
trazer a divisão, inclusive entre os membros de uma mesma família.
O cristão autêntico, que é fiel
ao Evangelho, não pode, no mínimo, deixar de se converter em pedra de tropeço e
sinal de contradição, pois seus critérios se oporiam necessariamente aos do
mundo. Se não abandonar a estrada de seguimento, o discípulo participara
inevitavelmente da condição de seu Mestre, que “veio trazer fogo á terra”,
abrindo assim a era escatológica do juízo de Deus e desejando um batismo de
fogo: sua paixão e morte pela salvação do mundo.
Cristo é nossa paz, efetivamente
(cf. Ef.2,14); mas a paz messiânica que ele traz não é uma falsa paz a qualquer
preço, porque não é conformismo com a injustiça, o egoísmo, o desamor, a doce
comodidade de status, o laxismo e a mentira. A paz de Jesus não é o que o mundo
dá. Para alcançar sua paz é preciso uma luta contra o mal, uma divisão entre
luz e trevas, uma guerra, em última instância. É a violência que sofre o Reino
de Deus por parte daquele que quer consegui-lo .
Cristo necessita de testemunhas
dos valores do Reino. Para um mundo carente de valores e de espírito, fez muita falta uma cura de
emergência e um tratamento intensivo a cargo daqueles que levam ou deveriam
levar consigo o Espírito com maiúscula, para mostrar os autênticos valores
espirituais e humanos:desprendimento e solidariedade, amor e oração, carência e
responsabilidade, paixão pelos direitos humanos, pela verdade e liberdade,
compromisso com a justiça e libertação de toda escravidão e descriminação
social, cultural, religiosa, política e econômica, assim como promoção de quem
necessita como pessoa, cidadão e como filho de Deus. Onde existirem testemunhas
assim, haverá comunidade cristã cuja lei
constitucional é o amor, como disse Cristo. Mas onde não há testemunho e nem
missão no mundo, tampouco haverá comunidade, nem Espírito, nem presença de
Jesus, nem evangelização porque falta testemunho, que é o seu elemento
essencial.
Em síntese, podemos dizer: o
cristão de verdade , que segue radicalmente a Jesus, não pode ser neutro,
indefinido para não dizer passivo ou ausente, a respeito da missão do evangelho
no mundo. Sua fé tem que ser comprometida com o Reino de Deus inaugurado por
Jesus.
Pe. Raimundo Neto
Pároco de São Vicente

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