domingo, 9 de dezembro de 2012

REFLETINDO SOBRE O EVANGELHO

Lucas 3, 1-6

SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO

Conta-se, no evangelho de hoje (Lc. 3,1-6), o inicio da atividade
profética de João Batista, o último dos grandes profetas do Antigo
Testamento e o primeiro do Novo Testamento, ligando a pregação do
profeta a um dado histórico. Por outro, parece que Lucas previa que
estava escrevendo para o mundo, abrangendo todos os tempos: dá o momento
preciso da História, o ambiente histórico e geográfico e o contexto
religioso. Vejamos quem são os personagens que marcam a data do começo
da pregação do precursor de Jesus. Tibério (César) era filho adotivo do
Imperador (César) Augusto (que governava o Império Romano quando Jesus
nasceu: Cf. Lc 2,1). Sucedeu a Augusto, no ano 14(a.C) e reinou até
março de 37 (a.C). Mas já desde o ano 12(a.C) tinha o poder nas mãos,
porque Augusto estava doente. Pôncio Pilatos foi procurador romano na
Judéia e Samaria de 26 a 36 (a.C). Teve parte ativa na morte de Jesus.
Foi destituído. Há muitas lendas em torno de sua morte.
Herodes Antipas era o filho mais moço de Herodes Magno; tinha o título
de Tetrarca e o povo o chamava rei. Foi ele quem mandou matar João
Batista e zombar de Jesus na paixão. Felipe também era filho de Herodes
Magno, Lisânias, pouco conhecido, governou Abilene, um território que
hoje seria parte do Líbano, entre os anos 14 e 29(a.C). Anás foi sumo
sacerdote de 6 a 15(a.C) e estava no interrogatório de Jesus.
Provavelmente, Jesus nasceu 6 a 7 anos do chamado ano 1 cristã. Por isso
no 15º aniversário de Tibério César (anos 26/27) (a.C), Jesus tinha
cerca de 30 anos (Cf.Lc 3,23).
Descrito o contexto histórico-geográfico, o evangelista Lucas pinta, com
uma única expressão, a figura de João: recebeu de Deus a Palavra, isto
é, foi por Deus tornado profeta. Ninguém é profeta por escolha pessoal,
como é o médico ou um arquiteto. A vocação vem de Deus. De Deus também é
o ensinamento que o profeta deve transmitir. O evangelho diz que a
palavra de Deus veio sobre João “no deserto”.
É o deserto de Judá, não formado de areias, mas de montanhas calcárias
onde, se chover, pode crescer vegetação. Esse deserto era habitado, nos
tempos de Jesus, por algumas centenas de monges, chamados essênios.
Viviam no deserto, para “preparar a vinda do Senhor”, através da
penitência e da santificação pessoal. Esperavam um Messias político, que
retornasse a liberdade nacional, o culto no templo, a compreensão das
escrituras e o predomínio de Israel sobre os povos.
A figura de João Batista é colocada na liturgia do Advento para lembrar
a proximidade da chegada do Senhor. Está próxima essa manifestação entre
o povo. Ele não virá apenas como redentor temporário, político, mas virá
como “salvação de Deus”, que ultrapassa a geografia, a história e o
tempo, supera a todos os empecilhos e dificuldades: é uma salvação
definitiva, eterna, para sempre. Neste domingo do convite à conversão,
João Batista clama no deserto, convidando todos para que se convertam e
preparem o coração para a noite. Ela é um processo contínuo em nossa
vida. A coversão na linguagem bíblica e cristã é um trabalho contínuo de
toda existência, tarefa silenciosa de cada dia. Nunca estaremos
suficientemente convertidos, porque o amor não tem fim de meta. A meta
está sempre além. Muitas pessoas perguntam: Mas, se converter de quê? E
nós respondemos: Do pecado profundo que faz ninho em nosso coração e tem
múltiplas manifestações: egoísmo, soberba, agressividade, violência,
luxúria etc. Que as palavras de João Batista possam despertar nossa vida
para a mudança que Deus quer de nós.

Pe. Raimundo Neto
Pároco de São Vicente

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