Lucas 3, 1-6
SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO
Conta-se, no evangelho de
hoje (Lc. 3,1-6), o inicio da atividade
profética de João Batista, o último
dos grandes profetas do Antigo
Testamento e o primeiro do Novo Testamento,
ligando a pregação do
profeta a um dado histórico. Por outro, parece que
Lucas previa que
estava escrevendo para o mundo, abrangendo todos os tempos:
dá o momento
preciso da História, o ambiente histórico e geográfico e o
contexto
religioso. Vejamos quem são os personagens que marcam a data do
começo
da pregação do precursor de Jesus. Tibério (César) era filho adotivo
do
Imperador (César) Augusto (que governava o Império Romano quando Jesus
nasceu: Cf. Lc 2,1). Sucedeu a Augusto, no ano 14(a.C) e reinou até
março de 37 (a.C). Mas já desde o ano 12(a.C) tinha o poder nas mãos,
porque Augusto estava doente. Pôncio Pilatos foi procurador romano na
Judéia e Samaria de 26 a 36 (a.C). Teve parte ativa na morte de Jesus.
Foi destituído. Há muitas lendas em torno de sua morte.
Herodes Antipas
era o filho mais moço de Herodes Magno; tinha o título
de Tetrarca e o povo
o chamava rei. Foi ele quem mandou matar João
Batista e zombar de Jesus na
paixão. Felipe também era filho de Herodes
Magno, Lisânias, pouco conhecido,
governou Abilene, um território que
hoje seria parte do Líbano, entre os
anos 14 e 29(a.C). Anás foi sumo
sacerdote de 6 a 15(a.C) e estava no
interrogatório de Jesus.
Provavelmente, Jesus nasceu 6 a 7 anos do chamado
ano 1 cristã. Por isso
no 15º aniversário de Tibério César (anos 26/27)
(a.C), Jesus tinha
cerca de 30 anos (Cf.Lc 3,23).
Descrito o contexto
histórico-geográfico, o evangelista Lucas pinta, com
uma única expressão, a
figura de João: recebeu de Deus a Palavra, isto
é, foi por Deus tornado
profeta. Ninguém é profeta por escolha pessoal,
como é o médico ou um
arquiteto. A vocação vem de Deus. De Deus também é
o ensinamento que o
profeta deve transmitir. O evangelho diz que a
palavra de Deus veio sobre
João “no deserto”.
É o deserto de Judá, não formado de areias, mas de
montanhas calcárias
onde, se chover, pode crescer vegetação. Esse deserto
era habitado, nos
tempos de Jesus, por algumas centenas de monges, chamados
essênios.
Viviam no deserto, para “preparar a vinda do Senhor”, através da
penitência e da santificação pessoal. Esperavam um Messias político, que
retornasse a liberdade nacional, o culto no templo, a compreensão das
escrituras e o predomínio de Israel sobre os povos.
A figura de João
Batista é colocada na liturgia do Advento para lembrar
a proximidade da
chegada do Senhor. Está próxima essa manifestação entre
o povo. Ele não virá
apenas como redentor temporário, político, mas virá
como “salvação de Deus”,
que ultrapassa a geografia, a história e o
tempo, supera a todos os
empecilhos e dificuldades: é uma salvação
definitiva, eterna, para sempre.
Neste domingo do convite à conversão,
João Batista clama no deserto,
convidando todos para que se convertam e
preparem o coração para a noite.
Ela é um processo contínuo em nossa
vida. A coversão na linguagem bíblica e
cristã é um trabalho contínuo de
toda existência, tarefa silenciosa de cada
dia. Nunca estaremos
suficientemente convertidos, porque o amor não tem fim
de meta. A meta
está sempre além. Muitas pessoas perguntam: Mas, se
converter de quê? E
nós respondemos: Do pecado profundo que faz ninho em
nosso coração e tem
múltiplas manifestações: egoísmo, soberba,
agressividade, violência,
luxúria etc. Que as palavras de João Batista
possam despertar nossa vida
para a mudança que Deus quer de nós.
Pe.
Raimundo Neto
Pároco de São Vicente
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