
Devoção: no percurso entre a Catedral Metropolitana e a Paróquia Nossa Senhora da Assunção, os motoqueiros eram aclamados pelos populares que acenavam e os receberam com aplausos no bairro Vila Velha (Foto: Alex Costa)
No próximo dia 15, acontecerá a Caminhada com Maria, que fará o percurso inverso do percorrido com as motosÀs 7h45 de ontem a imagem da Virgem Maria chegou à Catedral Metropolitana, onde os motoqueiros devotos à santa já esperavam para iniciar a III Motorromaria com Maria, em direção à Paróquia Nossa Senhora da Assunção, no bairro Vila Velha. Em meio a fotos com a imagem e filmagens do momento, os fiéis se apertavam para ouvir o sermão e receber a bênção do pároco Claírton Alexandrino de Oliveira, que logo avisou: “A moto é um veículo que está a serviço da sociedade, quem a utiliza é que causa lágrimas. O transporte é para provocar união entre os homens e não ser motivo de tristeza”.Em seguida, capacetes nas cabeças e buzinas constantes caracterizavam o cortejo de aproximadamente mil motoqueiros, segundo a organização. A motorromaria encerra os festejos da Paróquia Nossa Senhora da Assunção e inicia as comemorações na Catedral, as quais seguirão até o próximo dia 15, data em que se homenageia a padroeira de Fortaleza. “A motorromaria serve como preparação da Caminhada com Maria, que encerra os festejos da Catedral Metropolitana”, explica um dos organizadores, delegado Cavalcante.EvangelizarDe acordo com ele, além da preparação, a romaria também contribui para a evangelização dos participantes. Isso porque, como afirma, com o fortalecimento da fé os motoqueiros passam a valorizar mais a família, tornando-se mais prudentes. “Com a religiosidade, eles se conscientizam, diminuem a bebida e evitam mais acidentes nas vias”, complementa. Até pelo de fato de, alerta Edson Maia, também da organização, “a Motorromaria ser um evento de fé. E temos de pedir proteção, pois no veículo de duas rodas estamos mais expostos a sofrer acidentes”, reconhece.Por isso, para Maia, o percurso é uma maneira de chamar a atenção dos motoqueiros para os cuidados com a direção no trânsito cada vez mais caótico da Capital cearense. Até mesmo, conforme justifica o padre Claírton Alexandrino Oliveira, ontem ainda era comemorado o Dia dos Pais.E, nesse dia, os motoqueiros também tiveram a oportunidade para refletir sobre suas missões e a transmissão de valores para seus filhos. “Vocês são um grupo pequeno, mas podem ajudar a disseminar os valores, que pode contribuir para a conversão do próximo. O maior valor que temos é a vida”.Alcançar graçasPor outro lado, como se percebe ao seguir por quase uma hora até a Paróquia no Vila Velha, além dos motoqueiros todos resolvem pedir proteção à mãe de Jesus. Afinal, em todos as ruas, curiosos se postavam nas calçadas, janelas e portas para acenar para os motoqueiros e, claro, também compartilhar da demonstração de fé que a dona-de-casa Célia Rocha, 39 anos, ressalta ao avaliar a importância do cortejo que está na sua terceira edição.“Sinto que, com certeza, esta motorromaria aumenta a minha fé em Deus. É interessante porque chego em casa me sentindo purificada, mais disposta a resolver qualquer problema que possa aparecer”, considera. Da mesma maneira que Célia, a costureira Maria da Penha, 42 anos, sente que, participar de iniciativas como a motorromaria, é uma forma de expressar toda sua paixão e devoção à Virgem Maria.Pela primeira vez, Maria da Penha sobe na garupa de um motoqueiro para seguir à Paróquia. No entanto, como descreve, apesar de ser sua primeira vez, o cortejo “é um momento apaixonante para aumentar a fé e alcançar mais graças com a ajuda da santa”, diz. Ao contrário de Maria, o policial civil Francisco Fernandes Neto, 53 anos, já compartilha dessa emoção há três anos, quando iniciou a Motorromaria, na Capital. Na sua opinião, a romaria é também uma forma de alertar os jovens que, a cada dia, estão morrendo por conta de irresponsabilidades sejam sobre as motos ou não.“Hoje os jovens estão se matando por besteira, por acidentes que podiam ser evitados. Há, ainda, aqueles que se drogam. A motorromaria é uma forma de unir muita gente e incentivar o jovem para que possa agir diferente. Até mesmo, sentir estímulo para trabalhar, comprar a sua moto e fortalecer a fé, alcançando graças”. Também nesse sentido, como antecipa um dos organizadores Edson Maia, os motoqueiros devotos à Virgem Maria participaram, no dia 13 do próximo mês, na motorromaria em direção à cidade de Canindé (120km de Fortaleza).A romaria, que partirá da Avenida Mister Hull, pretende reunir 40 mil fiéis. “Falamos para que os motoqueiros sejam prudentes, não costurem na frente de veículos, não levem crianças menores de cinco anos e sempre se preocupem que a moto esteja em bom estado. Está cada vez mais difícil andar na cidade e os motoristas precisam se conscientizar dos cuidados necessários”, finaliza.Momento para fortalecer a fé e alcançar a pazHá três anos, basta agosto começar para Erinalda acertar a corrida da Motorromaria com o amigo. ´Depois é só ficar na expectativa´, diz. Na garupa, ela não esconde a felicidade de homenagear a padroeira e fortalecer a fé´.Erinalda da Costa Melo, artesã Pela segunda vez, o motoboy usa o veículo para obter ´uma paz de espírito e tranqüilidade´, como descreve, em vez de usá-la apenas para o trabalho. Para ele, a romaria é uma forma de demonstrar a fé cristã´.
Janine MaiaRepórter/Diário do Nordeste
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