segunda-feira, 10 de agosto de 2009

MAIS DE 5 MIL ROMEIROS PARTICIPAM DA 11ª ROMARIA DA TERRA E DA ÁGUA

A 11ª Romaria da Terra e da Água do Piauí reuniu nos dias 01 e 02 de agosto mais de cinco mil romeiros vindos de todos os cantos do Brasil para uma a discussão do tema "Migração Forçada e Trabalho Escravo", na cidade de Corrente. A romaria foi realizada pela pelo Regional Nordeste IV (Piauí) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com apoio das Pastorais Sociais.
As caravanas foram recepcionadas e durante todo o dia 01, quando os moradores da cidade de Corrente, em um gesto de partilha acomodaram os romeiros em suas casas. Durante a tarde e a noite os romeiros se dirigiram para a igreja matriz Nossa Senhora da Conceição para visitar o memorial com a história de todas as romarias, a tenda onde estava exposto o santíssimo sacramento enfatizando o momento espiritual do evento.
Em um palco montado em frente à igreja aconteceu a Tribuna Livre, onde foi feita a apresentação de testemunhos, além de apresentações musicais e teatrais que animaram os fiéis. Durante a noite também foram colhidas assinaturas para engrossar a luta pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo e a Campanha Ficha Limpa.
No segundo dia, os romeiros madrugaram em frente à Igreja Matriz para iniciar a tradicional caminhada passando pelo rio Corrente, simbologia em defesa da água. Uma missa campal presidida pelo arcebispo de Teresina (PI), dom Sérgio da Rocha.
Segundo dados das pastorais sociais, 5.244 pessoas foram resgatadas em trabalho escravo ou em condições análogas a ele no ano de 2008. Esses dados colocam o Piauí como o estado que mais exporta mão-de-obra para o agronegócio. Os principais destinos dos agricultores é o corte de cana, a colheita de frutas e o trabalho manual em fazendas de criação de gado.
A cidade de Corrente, que fica no extremo sul do estado, não foi escolhida à toda. A cidade é cortada pela BR-135, principal porta de entrada e saída para os estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. "Os nossos amigos saem daqui para trabalhar em outros lugares e chegando lá é tudo totalmente diferente. Vão com propostas de ganharem um salário digno e quando chegam lá ficam decepcionados com salários de 200 reais", conta Anatália Pereira da Silva, 25 anos, moradora de Corrente.
Segundo Carlos Humberto Campos, sociólogo e secretário regional da Cáritas Brasileira, muitos trabalhadores migram por falta de oportunidades e pela ilusão de ganhar grandes volumes de dinheiro, e, quando não conseguem voltar para suas casas causa um desequilíbrio familiar, deixando as mulheres "viúvas de marido vivo", as quais acabam se tornando - a duras penas - chefes de família.
Fonte: Cáritas Regional Piauí, com CNBB

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