“Combater a pobreza, construir a paz”
A Mensagem do Papa Bento XVI, como acontece todo início de ano, chega-nos com estas simples e claras. É ela uma verdadeira proposta, um plano de ação para toda a humanidade na busca do que sonha e formula em votos de Feliz Ano Novo. Ela quer ser mais do que votos ou fogos de artifício que iluminam os céus, os olhos e os corações por alguns instantes, fulgurando as esperanças, que se não foram mais profundas e decididas, são apenas fugidias luzes coloridas nos céus por toda a face da terra.“Desejo, também no início deste novo ano, fazer chegar os meus votos de paz a todos e, com esta minha Mensagem, convidá-los a refletir sobre o tema: Combater a pobreza, construir a paz. Já o meu venerado antecessor João Paulo II, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1993, sublinhara as repercussões negativas que acaba por ter sobre a paz a situação de pobreza em que versam populações inteiras. De fato, a pobreza encontra-se freqüentemente entre os fatores que favorecem ou agravam os conflitos, mesmo os conflitos armados. Estes últimos, por sua vez, alimentam trágicas situações de pobreza. « Vai-se afirmando (...), com uma gravidade sempre maior – escrevia João Paulo II –, outra séria ameaça à paz: muitas pessoas, mais ainda, populações inteiras vivem hoje em condições de extrema pobreza. A disparidade entre ricos e pobres tornou-se mais evidente, mesmo nas nações economicamente mais desenvolvidas. Trata-se de um problema que se impõe à consciência da humanidade, visto que as condições em que se encontra um grande número de pessoas são tais que ofendem a sua dignidade natural e, conseqüentemente, comprometem o autêntico e harmônico progresso da comunidade mundial » (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2009 – Bento XVI, 1).Como romper com esta disparidade no uso dos bens da natureza para a promoção da vida de todas as pessoas humanas indistintamente? É preciso combater a pobreza. Não a pobreza em seu sentido evangélico como reconhecimento da dependência que a criatura tem para com seu Criador. Não a pobreza escolhida como vida simples e confiante no necessário, sem o acúmulo de supérfluo e de luxo. Não a pobreza como bem-aventurança do Reino de Deus. Esta não é pobreza a ser combatida, mas promovida. Dela fazem os discípulos de Cristo uma verdadeira profissão, voto a Deus pelos irmãos. Mas a pobreza da dignidade humana, pobreza na deficiência dos bens do corpo, da alma e do espírito, que impedem a pessoa humana seu desenvolvimento natural e realizador. Mais miséria, que pobreza. Ela degrada a pessoa humana e embrutece tanto os que a sofrem como privação como as que a provocam como expropriação.Com a lucidez que lhe é própria, o Papa Bento XVI chama a atenção para as diversas causas que provocam tal pobreza de dignidade humana. São causas pessoais, culturais, estruturais na sociedade humana. Todas estas causas devem ser enfrentadas para se “combater a pobreza e promover a paz”. E a própria realidade hoje tão propalada da globalização, que – como fenômeno humano – é ambígua, necessita ser transformada pela solidariedade e fraternidade universal. Está na hora sim, e é urgente que a capacidade humana que atinge níveis globais seja movida não pela busca do lucro, mas pela solidariedade na promoção dos valores e dignidade de toda pessoa humana. E quanta capacidade a humanidade esbanja em processos egoístas que destroem a vida nas pessoas e no planeta, quando a mesma poderia ser potenciada em todas as direções para o bem comum!Iniciamos um novo ano. Que esta mensagem é uma chamada à inteligência e à vontade humana, para que se abra à luz daquele que é a própria Luz que veio aos seus para divinizar a humanidade que assumiu com sua divindade. Desejamos muito. Prometemos muito. Sonhamos muito no início de um Novo Ano. Teremos que fazer muito para “combater a pobreza e promover a paz”. Combate e Promoção! Apenas pela solidariedade a paz.
Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques,
Arcebispo de Fortaleza
A Mensagem do Papa Bento XVI, como acontece todo início de ano, chega-nos com estas simples e claras. É ela uma verdadeira proposta, um plano de ação para toda a humanidade na busca do que sonha e formula em votos de Feliz Ano Novo. Ela quer ser mais do que votos ou fogos de artifício que iluminam os céus, os olhos e os corações por alguns instantes, fulgurando as esperanças, que se não foram mais profundas e decididas, são apenas fugidias luzes coloridas nos céus por toda a face da terra.“Desejo, também no início deste novo ano, fazer chegar os meus votos de paz a todos e, com esta minha Mensagem, convidá-los a refletir sobre o tema: Combater a pobreza, construir a paz. Já o meu venerado antecessor João Paulo II, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1993, sublinhara as repercussões negativas que acaba por ter sobre a paz a situação de pobreza em que versam populações inteiras. De fato, a pobreza encontra-se freqüentemente entre os fatores que favorecem ou agravam os conflitos, mesmo os conflitos armados. Estes últimos, por sua vez, alimentam trágicas situações de pobreza. « Vai-se afirmando (...), com uma gravidade sempre maior – escrevia João Paulo II –, outra séria ameaça à paz: muitas pessoas, mais ainda, populações inteiras vivem hoje em condições de extrema pobreza. A disparidade entre ricos e pobres tornou-se mais evidente, mesmo nas nações economicamente mais desenvolvidas. Trata-se de um problema que se impõe à consciência da humanidade, visto que as condições em que se encontra um grande número de pessoas são tais que ofendem a sua dignidade natural e, conseqüentemente, comprometem o autêntico e harmônico progresso da comunidade mundial » (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2009 – Bento XVI, 1).Como romper com esta disparidade no uso dos bens da natureza para a promoção da vida de todas as pessoas humanas indistintamente? É preciso combater a pobreza. Não a pobreza em seu sentido evangélico como reconhecimento da dependência que a criatura tem para com seu Criador. Não a pobreza escolhida como vida simples e confiante no necessário, sem o acúmulo de supérfluo e de luxo. Não a pobreza como bem-aventurança do Reino de Deus. Esta não é pobreza a ser combatida, mas promovida. Dela fazem os discípulos de Cristo uma verdadeira profissão, voto a Deus pelos irmãos. Mas a pobreza da dignidade humana, pobreza na deficiência dos bens do corpo, da alma e do espírito, que impedem a pessoa humana seu desenvolvimento natural e realizador. Mais miséria, que pobreza. Ela degrada a pessoa humana e embrutece tanto os que a sofrem como privação como as que a provocam como expropriação.Com a lucidez que lhe é própria, o Papa Bento XVI chama a atenção para as diversas causas que provocam tal pobreza de dignidade humana. São causas pessoais, culturais, estruturais na sociedade humana. Todas estas causas devem ser enfrentadas para se “combater a pobreza e promover a paz”. E a própria realidade hoje tão propalada da globalização, que – como fenômeno humano – é ambígua, necessita ser transformada pela solidariedade e fraternidade universal. Está na hora sim, e é urgente que a capacidade humana que atinge níveis globais seja movida não pela busca do lucro, mas pela solidariedade na promoção dos valores e dignidade de toda pessoa humana. E quanta capacidade a humanidade esbanja em processos egoístas que destroem a vida nas pessoas e no planeta, quando a mesma poderia ser potenciada em todas as direções para o bem comum!Iniciamos um novo ano. Que esta mensagem é uma chamada à inteligência e à vontade humana, para que se abra à luz daquele que é a própria Luz que veio aos seus para divinizar a humanidade que assumiu com sua divindade. Desejamos muito. Prometemos muito. Sonhamos muito no início de um Novo Ano. Teremos que fazer muito para “combater a pobreza e promover a paz”. Combate e Promoção! Apenas pela solidariedade a paz.
Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques,
Arcebispo de Fortaleza
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