Clima tenso: sede da congregação foi desapropriada pelo Estado e ontem as irmãs deveriam deixar o prédio, mas depois de negociação, ganharam mais tempo.
Em acordo com a irmã, também ficou acertado que a PGE ajudará a liberar 80% do valor que será pagoDepois de duas horas de nervosismo, a decisão: as Irmãs Mensageiras de Santa Maria têm até o próximo dia 5 para desocupar a sede da congregação, na Avenida Washington Soares. A novidade foi transmitida à imprensa e às irmãs, que esperavam apreensivas no lugar, pelo procurador geral do Estado Fernando Oliveira.De acordo com o ele, em reunião com a presidente da congregação, irmã Francisca Saraiva da Cruz, ficou acertado que, diante do evento que acontecerá na sede até o próximo dia 31, as irmãs terão até o próximo mês para sair do imóvel.Além disso, como garantiu Oliveira, a Procuradoria Geral do Estado (PGE), ajudará a liberar 80% do valor (R$ 9,8 milhões) que está depositado em juízo pela desapropriação da área e disponibilizará os caminhões necessários para auxiliar no transporte dos bens. “Ficou combinado que a congregação não discutirá mais a desocupação. Elas negociarão apenas o valor que será pago. É um processo doloroso e não queremos que tenha conflito”, informa.Para a presidente da congregação, irmã Francisca Saraiva da Cruz, as freiras não mais questionarão a retirada do imóvel. No entanto, continuarão a negociar o preço que será pago pela desapropriação. “Ainda não temos para onde ir. Sem o dinheiro da desapropriação, não podíamos nem procurar outro lugar. Questionaremos o preço que querem nos pagar. Afinal, o Estado avaliou em R$ 9,8 milhões, enquanto o avaliador da Caixa Econômica em R$ 17,8 milhões. Terá um novo laudo pelo Estado, com um assistente nosso”, antecipa.A negociação com o procurador geral do Estado aconteceu devido à a chegada de dois oficiais de Justiça, na tarde de ontem, para cumprir o mandado de desocupação do imóvel. De acordo com o oficial de Justiça Jeová dos Santos Araújo, o prazo para a desocupação do imóvel, segundo o mandado, terminou no último dia 16, devendo ter sido iniciado no dia 9 deste mês. Os oito mil m² da sede da congregação é um dos quatro imóveis que foram desapropriados pelo Estado para a construção do Pavilhão de Feiras e Eventos.A tristeza e o desconsolo por ter que deixar o espaço estava estampada nos rostos das 46 irmãs que se encontravam na congregação para a assembléia anual da congregação, que acontecerá até o fim do mês. Para a irmã Mariana Bezerra, 68 anos, é uma injustiça tudo o que está acontecendo. Até porque, há 47 anos realizam trabalho gratuito de evangelização no mesmo lugar.
Diário do Nordeste
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