Pastoral do Migrante Nacional, está realizando na cidade do Crato (CE), no Centro de Expansão Educacional Dom Vicente, o II Encontro entre igrejas de origem e destino dos migrantes temporários rurais. Esse encontro tem como objetivos conhecer melhor as situações em que atuam as entidades de origem dos migrantes; o que ainda sentem e como continuam convivendo com a migração temporária; coletar novos tipos de influências que a migração forçada está trazendo para as culturas locais; que perspectivas de enfrentamento à migração as comunidades locais ainda possuem para o contexto.
Irmã Claudina Scapini, coordenadora da Pastoral do Migrante no Ceará, explica porque o encontro acontecerá no Ceará, diz quais os resultados esperados e qual vem sendo a atuação da Pastoral no Ceará e no Brasil. O encontro acontece no Ceará porque, como em outros estados do Nordeste, o Ceará é um dos que mais consideravelmente passa pela situação de migração temporária. Do Ceará saem muitas pessoas com destino às grandes capitais do Sudeste e do Sul, principalmente São Paulo. Acontece no Crato por ser um lugar central para todo o Nordeste, facilitando a chegada de quem vem dos outros estados.
Este é o segundo encontro, o primeiro aconteceu em março de 2007, em são Raimundo Nonato, no Piaui, e foi avaliado como uma iniciativa positiva. Ficou naquela ocasião aprovada a realização de um segundo encontro para dar continuidade à primeira experiência, com o intuito de aprofundar o tema proposto, apontar outros, partilhar experiências da caminhada (origem e destino), avaliar resultados, estabelecer novos rumos e projetos missionários. Queremos com este encontro chamar a atenção de toda a Igreja e da sociedade para a problemática dos migrantes temporários, de pessoas que vivem o trabalho escravo ou análogo. Hoje a situação é muito parecida com a escravidão de tempos anteriores. Para contrapor essa situação queremos formar um trabalho em rede junto com a sociedade e as comunidades eclesiais, comentou Irmã Claudina.
A Pastoral do Migrante também questiona a falta de políticas públicas para as comunidades e cidades. Por que o povo nordestino deve sair de sua terra? Não seria melhor que essas pessoas tivessem meios de viver em sua própria terra, comunidade, bairro? Por que têm que viver como escravos em outras terras? Muita gente vai e não volta mais. Com isso, se iniciam uma desestruturação familiar, o consumo de drogas, dentre outras situações delicadas, comentou Irmã Claudina.
A Pastoral do Migrante é um serviço eclesial voltado para a acolhida, orientação e inserção socio-religiosa dos migrantes sob a animação das Congregações dos Missionários e Missionárias Escalabrinianos, que atuam no Brasil, em estreito vínculo com o Setor de Mobilidade Humana da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz e com o Serviço Pastoral dos Migrantes, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
A Pastoral do Migrante do setor rural temporário desenvolve suas atividades sócio-pastorais em duas frentes: regiões de origem e regiões de destino dos migrantes. Origem - Os migrantes temporários rurais são provenientes de grandes áreas geográficas do Brasil, como o Nordeste (Bahia, Maranhão, Paraíba, Piauí, Ceará, Pernambuco e Alagoas), Minas Gerais (Vales do Jequitinhonha e do São Francisco), profundamente marcadas pela pobreza histórica, pela seca, concentração fundiária, dominação política, precariedade dos serviços sociais e falta de oportunidades de trabalho. Destino - Os migrantes temporários rurais buscam trabalho basicamente nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil, na busca dos mais variados tipos de trabalho na agroindústria nacional, especialmente na sucro-alcooleira. Tais regiões de destino são marcadas pela abundância de capital, grandes investimentos, desenvolvimento tecnológico, mão de obra altamente qualificada e riquezas. Em contrapartida, são responsáveis também pela existência exacerbada de exploração da abundante e barata mão de obra de origem migrante.
CONTATO: Arivaldo José Sezyshta (83) 88012417 (Assessor Serviço Pastoral dos Migrantes) spmpb@yahoo.com.br ou Irmã Claudina
Fonte: Anote
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