quarta-feira, 1 de setembro de 2021

FALECEU DOM JOSÉ GONÇALVES HELENO, BISPO EMÉRITO DA DIOCESE DE GOVERNADOR VALADARES

 



 

A diocese de Governador Valadares (MG) comunicou, na manhã desta quarta-feira, 1º de setembro, o falecimento do bispo emérito dom José Gonçalves Heleno, aos 93 anos de idade, ocorrido na madrugada de hoje, em Caratinga (MG). A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou nota de pesar ao bispo de Governador Valadares, dom Antônio Carlos Félix.

O corpo do bispo emérito será velado na Catedral de Caratinga, onde será celebrada a Missa Exequial, às 16 horas. O corpo será sepultado na Cripta da Catedral logo após a Missa.

 

Dom José Heleno

Natural de Cipotânea (MG), dom José Heleno nasceu no dia 3 de novembro de 1927. Foi ordenado presbítero em Mariana (MG) por dom Oscar de Oliveira, em 1952, exercendo seu ministério nas paróquias de Rio Espera, Desterro do Melo e Mercês. Foi sagrado bispo em Mercês (MG), no dia 18 de outubro de 1976, também por dom Oscar de Oliveira, então arcebispo de Mariana.

Foi bispo coadjutor de Governador Valadares a partir de 3 de novembro de 1976, durante o governo de dom Hermínio Malzone. Em 7 de dezembro de 1977, com a renúncia do bispo ao governo da diocese, dom José Heleno tornou-se bispo titular, exercendo seu ministério episcopal na Igreja Particular até 2001.

Dom José Heleno também atuou como administrador apostólico da diocese de Guanhães, entre julho de 1995 e maio de 1998.

Desde sua renúncia ao governo da diocese de Governador Valadares, em 2001, devido às complicações de saúde, dom José Heleno residia em Caratinga (MG).

 

Nota de Condolências da CNBB pelo falecimento de dom José Gonçalves Heleno 

 

Brasília-DF, 1º de setembro de 2021 

Estimado irmão, dom Antônio Carlos Félix, 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta seu pesar pelo falecimento de dom José Gonçalves Heleno, bispo emérito da Diocese de Governador Valadares (MG), nesta quarta-feira, 1º de setembro. 

Segundo bispo dessa Igreja Particular no Vale do Rio Doce, dom José quis anunciar o Evangelho e as riquezas de Cristo para nós, como expresso no seu lema episcopal. 

Nossa solidariedade ao senhor, aos familiares, amigos e todo o povo de Deus na Diocese de Governador Valadares, onde esteve a serviço por mais de 20 anos, e também da Diocese de Ganhães, onde atuou como Administrador Apostólico.  

Receba nosso abraço e nossas orações pelo descanso eterno de dom José Heleno.  

Em Cristo, 

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB 

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB 

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima (RR)
Segundo Vice-Presidente da CNBB 

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB 

 

Fonte CNBB

DOM WALMOR ABRE MÊS DA BÍBLIA E DESEJA QUE A LUZ DA PALAVRA DE DEUS ILUMINE A SEMANA DA PÁTRIA

 

  

A Igreja no Brasil abriu, nesta quarta-feira, 1º de setembro, o Mês da Bíblia, com uma Celebração Eucarística presida pelo arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, no Santuário de Nossa Senhora da Piedade. Em sua homilia, dom Walmor manifestou alegria em celebrar os 50 anos do Mês da Bíblia e desejou que a luz da Palavra de Deus ilumine as celebrações da Semana da Pátria, momento em que “nós somos chamados a pensar de modo muito profundo e sério, comprometidos sobre a nação brasileira que nós formamos”. 

Todos são, segundo dom Walmor, “exigidos de uma cidadania qualificada, marcada pelo diálogo, pela solidariedade, pelo respeito, pela cooperação, por um olhar que atinge os mais pobres, sem radicalismos, sem polarizações, sem disputas”. O presidente da CNBB ainda ressaltou a necessidade de reconciliação na sociedade brasileira. “E nós os cristãos temos que contribuir de modo cada vez mais decisivo. Não temos tempo a perder, não podemos jogar fora energias, não podemos perder oportunidades”, exortou ao destacar o compromisso de reconciliação como tarefa de todos.

“É por isso que suplicamos a Deus a oportunidade de vivermos essa Semana da Pátria de uma maneira diferente: no diálogo, no respeito, no respeito às instituições democráticas, na contribuição bonita e importante da nossa cidadania qualificada”, afirmou o presidente da CNBB.

 

Mês da Bíblia

Durante a celebração, dom Walmor afirmou ser “uma grande emoção” viver a celebração de ação de graças pelo início do Mês da Bíblia e pelos 50 anos da inciativa nascida na arquidiocese de Belo Horizonte.

O arcebispo recordou que o Concílio Vaticano II retomou com constituição Dei Verbum um caminho importante da Igreja para colocar a Palavra de Deus em primeiro lugar. “A partir dessa experiência bonita do Concilio Vaticano II, constatando uma distância da Igreja da Palavra de Deus por séculos, este caminho fecundo tem se tornado um grande dom para a vida da Igreja e de todos nós”.

“Celebrar 50 anos do  Mês da Bíblia é trazer a beleza de um caminho percorrido com o trabalho  de tantos irmãos e irmãs, homens e mulheres dedicados a este trabalho. Por isso quero referir-me ao trabalho da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, presidida por dom Antônio Peruzzo, que com seus vários colaboradores que difundem a Palavra de Deus e dão à catequese a sua alma a partir da Palavra Santa de nosso Deus”.

Confira a programação da Abertura do Mês da Bíblia e como acompanhar:

 

Celebração Eucarística presidida por Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Horário: 9h
Local: Santuário Nossa Senhora da Piedade

Exibição

·         Redes Sociais da CNBB (Facebook e Youtube)

·         TV HORIZONTE

·         TV EVANGELIZAR

·         TV PAI ETERNO

·         TV IMACULADA

Leitura Orante com Dom Josê Antônio Peruzzo

Horário: 17h

Exibição

·         TV EVANGELIZAR

·         TV HORIZONTE

Mesa Redonda

Horário: 20h

1. Dom Joel Portella Amado – Aspectos pastorais do Mês da Bíblia
2. Dom José Antônio Peruzzo – O livro do mês da Bíblia deste ano – Carta aos Gálatas
3. Pe. Reginaldo Manzotti – A importância da Bíblia nos meios de comunicação
Mediação: Pe. Jânison e Patricia Zaganin

Exibição

·         TV EVANGELIZAR

·         TV PAI ETERNO

·         TV IMACULADA

·         TV HORIZONTE

 

Fonte: CNBB

O TEMPO DE DEUS

 

Pe. Johnja López

O PAPA APÓS A OPERAÇÃO: "NUNCA PASSOU PELA MINHA CABEÇA RENUNCIAER"

 


Francisco foi entrevistado por Carlos Herrera da Rádio COPE. Pela primeira vez ele fala sobre a cirurgia em julho e também aborda temas como o Afeganistão, China, eutanásia, reforma da Cúria.

Salvatore Cernuzio - Cidade do Vaticano

Da operação no cólon a que foi submetido no último dia 4 de julho na Policlínica Gemelli  - e suas atuais condições de saúde -, à crise no Afeganistão e à preocupação com a população. Depois o diálogo com a China, o ponto de vista sobre a eutanásia e o aborto, ambos símbolos daquela "cultura do descarte" que sempre foi denunciada, o julgamento no Vaticano e, por fim, os desafios do seu pontificado como a reforma do A Cúria e a luta contra a corrupção e a pedofilia. Pontificado que, tendo chegado quase ao nono ano, ao contrário de boatos que circulam na mídia italiana e argentina, não será interrompido antes do previsto: "Nunca me passou pela cabeça renunciar".

A entrevista que o Papa Francisco concedeu no último final de semana à Rádio Cope, emissora da Conferência Episcopal Espanhola, dura uma hora e meia. Esta é a primeira entrevista após a cirirgia de estenose diverticular e também a primeira para uma rádio na Espanha.

A saúde após a operação no Gemelli

Em entrevista ao jornalista Carlos Herrera, sob o olhar da imagem tão cara ao Pontífice de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, colocada no hall da Casa Santa Marta, o Papa fala de temas da atualidade e não se esquiva das perguntas mais pessoais. A começar pela pergunta mais simples mas, neste momento de recuperação pós-operatória, a mais importante: “Como o senhor está?”.

“Ainda estou vivo”, responde Francisco com um sorriso. E conta que a sua vida foi salva por um enfermeiro do serviço de saúde da Santa Sé,  “um homem com mais de 30 anos de experiência”, que insistiu na cirurgia: “Ele salvou a minha vida! Disse-me: 'Deve fazer uma operação'”. E isso, apesar do parecer contrário de alguns que sugeriram um tratamento "com antibióticos". A insistência do enfermeiro, em vez disso, mostrou-se providencial, visto que a cirurgia revelou um quadro necrótico: agora, após a operação, revela Francisco, "tenho 33 centímetros a menos de intestino". Fato, entretanto, que não o impede de levar uma vida "totalmente normal". “Posso comer de tudo” e, tomando os “remédios adequados”, manter a agenda lotada: “Hoje,  audiência toda a manhã, toda a manhã”. Agenda que inclui também a viagem à Eslováquia e à Hungria de 12 a 15 de setembro próximo, a 34ª de seu pontificado.

"Renúncia? Nunca pensei nisso"

Ainda falando da própria saúde, o Papa desmente categoricamente as especulações de alguns jornais italianos e argentinos sobre uma possível renúncia ao pontificado. Questionado a este respeito, Francisco afirma: "Nunca me passou pela cabeça ... Não sei de onde tiraram a ideia de que eu renunciaria!". Com um toque de ironia, o Papa também explica que veio a saber de tais notícias muito depois: "Disseram-me também que na semana passada estava na moda. Eva (Fernández, correspondente da Cope para a Itália e o Vaticano, ndr ) disse-me ... e eu disse a ela que não fazia ideia, porque aqui só leio um jornal de manhã, o jornal de Roma. Eu o leio porque gosto da forma como é apresentado um título, o leio rapidamente e pronto, não me deixo envolver no jogo. Eu não assisto televisão. E recebo, sim, mais ou menos, um relato das notícias do dia, mas descobri muito mais tarde, alguns dias depois, que havia algo sobre minha renúncia. Sempre que um Papa está doente, há sempre uma brisa ou um furacão de Conclave”.

 

A crise no Afeganistão

Amplo espaço na entrevista é dedicado à crise no Afeganistão, ferido pelos recentes ataques kamikaze e pela sangria de cidadãos após a tomada do poder pelo Talibã. “Uma situação difícil”, observa o Papa Francisco, que não entra em detalhes sobre os esforços que a Santa Sé vem realizando no plano diplomático para evitar represálias contra a população, mas elogia o trabalho da Secretaria de Estado. “Estou certo que está ajudando ou pelo menos oferecendo ajuda”, afirma, definindo o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, como “o melhor diplomata que já conheci”: “Um diplomata que acrescenta, não um daqueles que subtrai, quem está sempre procurando, um homem de acordo”.

O Papa cita a seguir a chanceler alemã Angela Merkel, "uma das grandes figuras da política mundial", em seu pronunciamento de 20 de agosto em Moscou: "É necessário colocar um fim na política irresponsável de intervir do exterior e construir a democracia em outros países, ignorando as tradições do povo”. “Incisivo… mas percebi um senso de sabedoria diante das palavras dessa mulher”, afirma Francisco. E, quando questionado a este respeito, define a retirada dos Estados Unidos do Afeganistão como "lícita", após vinte anos de ocupação, mesmo se "o eco que existe em mim seja outra coisa", nomeadamente o fato de "deixar o povo afegão ao seu destino”. Para o Papa, de fato, o problema a ser resolvido é outro: "Como desistir, como negociar uma saída". “Pelo que vejo - diz ele na entrevista - nem todas as eventualidades foram levadas em consideração aqui, ao que parece, não quero julgar, nem todas as eventualidades. Não sei se haverá uma revisão ou não, mas certamente houve muito engano talvez por parte das novas autoridades. Eu falo em engano ou muita ingenuidade, não entendo”.

Diálogo com a China: este é o caminho a seguir

Do Afeganistão, o olhar permanece na Ásia, mas se desloca para a China e ao acordo sobre nomeação dos bispos renovado por mais dois anos. “Há quem insista que o senhor não se renove o acordo que o Vaticano assinou com aquele país, porque põe em perigo a sua autoridade moral”, observa o jornalista. “A China não é fácil, mas estou convencido de que não devemos renunciar ao diálogo”, responde o Papa. “Pode-se enganar no diálogo, pode-se cometer erros, tudo isso ... mas é o caminho a seguir. Mas é o caminho a seguir. O que foi alcançado até agora na China foi pelo menos o diálogo ... algumas coisas concretas como a nomeação de novos bispos, lentamente ... Mas esses são passos que podem ser discutidos ​​e os resultados de uma parte ou de outra”.

A inspiração do Cardeal Casaroli

Para o Papa, o ponto de referência e inspiração é o cardeal Agostino Casaroli, por muito tempo secretário de Estado durante o pontificado de João Paulo II, já com João XXIII "o homem encarregado de construir pontes com a Europa Central". O Pontífice cita "um belíssimo livro", O martírio da paciência, no qual o purpurado narra suas experiências nos países comunistas: "Foi um pequeno passo atrás do outro, para construir pontes ... Lentamente, lentamente, lentamente, foi conseguindo reservas de relações diplomáticas que no final significava nomear novos bispos e cuidar do povo fiel de Deus. Hoje, de alguma forma, devemos seguir passo a passo os caminhos do diálogo nas situações mais conflituosas”. A experiência com o Islã, com o Grande Imame Al-Tayyeb, foi muito positiva em muitos aspectos: “O diálogo, sempre o diálogo ou disponibilidade ao diálogo”.

Os desafios do pontificado

E o diálogo é uma das pedras angulares desses oito anos de pontificado que o Papa Francisco recorda na entrevista. A começar pela eleição de 13 de março de 2013, totalmente inesperada ("vim aqui com uma valise"), passando pelos vários desafios sempre enfrentados com o objetivo de concretizar o que foi acordado pelos cardeais nas reuniões pré-Conclave, tudo resumido na Evangelii Gaudium: “Penso que ainda existam diversas coisas a serem feitas, mas nada foi inventado por mim. Estou obedecendo ao que foi estabelecido no tempo devido”.

"Pequenos ajustes" na Cúria Romana

A reforma da Cúria Romana, novos avanços na transparência das finanças vaticanas e a prevenção de casos de abusos dentro da Igreja são as três questões nas quais Jorge Mario Bergoglio está trabalhando intensamente. Sobre a reforma da Cúria, o Papa assegura que "está andando passo a passo e bem" e revela que neste verão ele estava prestes a terminar de ler e assinar a nova constituição apostólica "Praedicar Evangelium", cuja publicação foi, no entanto, atrasada "por causa da minha doença". O documento, por sua vez, explica o Pontífice, "não conterá nada de novo em relação ao que vemos agora", apenas algumas fusões de Dicastérios, como a Educação Católica com o Pontifício Conselho para a Cultura e o Dicastério da Nova Evangelização que se unirá à Propaganda Fide. "Pequenos ajustes", explica o Papa.

O julgamento no Vaticano

A luta contra a corrupção nas finanças vaticanas continua a ser uma luta importante. "Foram feitos progressos na consolidação da justiça no Estado do Vaticano", diz o Pontífice, e isto permitiu "que a justiça fosse mais independente, com meios técnicos, também com testemunhos registrados, coisas técnicas atuais, a nomeação de novos juízes, novos promotores...". A referência é também para o maxi julgamento que começou em 27 de julho passado no Vaticano pelos atos ilícitos realizados com os fundos da Secretaria de Estado, que vê entre os dez réus o ex-substituto da Secretaria de Estado, o cardeal Angelo Becciu. Francisco, lembrando que todo o caso começou com as queixas de duas pessoas que trabalhavam no Vaticano e que viram irregularidades em seu trabalho, reiterou que ele não tem "medo da transparência ou da verdade". Às vezes dói muito, mas a verdade é o que nos liberta". Quanto a Becciu, cujas prerrogativas e direitos como cardeal ele revogou, explica que o cardeal havia sido julgado porque a lei do Vaticano assim o prevê: "Quero que ele seja inocente de todo o meu coração. Ele foi um colaborador meu e me ajudou muito. Ele é alguém por quem eu tenho uma certa estima como pessoa, então meu desejo é que ele se saia bem. Mas é uma forma afetiva da presunção de inocência... Além da presunção de inocência, eu quero que ele se saia bem. Agora cabe aos tribunais decidirem”.

Luta contra a pedofilia, apelo aos governos contra a pornografia infantil

O Papa também fala de justiça no que diz respeito ao flagelo da pedofilia. Quando perguntado sobre isto, ele primeiro elogia o cardeal Sean O'Malley, presidente da Comissão para a Proteção de Menores, por sua "coragem" e por todo o trabalho feito contra este crime desde quando era arcebispo de Boston, depois lança um forte apelo internacional aos governos para agirem e reagirem contra a pornografia infantil, "um problema global e grave". "Às vezes me pergunto como alguns governos permitem a produção de pornografia infantil. Que não digam que não sabem. Hoje, com os serviços secretos, sabemos tudo. Um governo sabe que em seu país se produz pornografia pedófila. Para mim, esta é uma das coisas mais monstruosas que eu já vi”.

Eutanásia, sinal da "cultura do descartável

Com igual vigor, o Papa também aborda a questão da eutanásia, à luz das recentes leis aprovadas na Espanha. A legalização desta prática é um sinal da "cultura do descartável" que agora permeia as sociedades modernas: "O que é inútil é descartado". Os idosos são descartáveis: eles são um incômodo. Também os doentes terminais; até mesmo as crianças indesejadas, e elas são enviadas ao remetente antes de nascerem", afirma. É aquela "cultura do descarte", denunciada desde o início do pontificado, que tem um grande impacto sobre o "inverno demográfico" do Ocidente e que afeta particularmente países como a Itália, onde a idade média é de 47 anos. "A pirâmide se inverteu... A cultura demográfica está com prejuízo porque olha para o lucro. Olha para o da frente... e às vezes usando a compaixão! O que a Igreja pede é que se ajudem as pessoas a morrerem com dignidade. Ela sempre o fez", comenta Francisco. Ele não deixa de estigmatizar o aborto mais uma vez: "Diante de uma vida humana, eu me faço duas perguntas: é lícito eliminar uma vida humana para resolver um problema? É correto contratar um assassino para resolver um problema?".

A esperança de estar em Glasgow para Cop26

O Papa também fala de abusos com relação à criação, uma de suas mais profundas preocupações, amadurecida nestes anos de pontificado. Francisco espera estar presente na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) que será realizada de 1º a 12 de novembro em Glasgow: "Em linha de princípio, o programa é que eu vá. Tudo depende de como eu me sinta naquele momento. Mas, na verdade, meu discurso já está sendo preparado, e o programa é de estar presente lá".

O motu proprio “Tratitionis Custodes”

O foco da entrevista muda então para o motu proprio Traditionis Custodes, que regula as missas em latim e que neste verão despertou algumas controvérsias nos setores eclesiásticos mais conservadores. O Papa responde a uma pergunta sobre o assunto elencando a cronologia que levou à assinatura do documento: "A história de Traditionis Custodes é longa. Quando Bento XVI tornou possível celebrar com o missal de João XXIII (anterior ao de Paulo VI, que é pós-conciliar) para aqueles que não se sentiam à vontade com a liturgia atual, que tinham uma certa nostalgia... pareceu-me uma das mais belas e humanas ações pastorais de Bento XVI, que é um homem de uma extraordinária humanidade. E assim começou. Esta foi a razão". “A preocupação" - reitera o Papa, como no texto que acompanha o motu próprio -, “que mais aparecia era que algo feito para ajudar pastoralmente aqueles que tinham vivido uma experiência anterior, se transformasse em uma ideologia. Em outras palavras, uma coisa pastoral transformada em uma ideologia. Por isso tivemos que reagir com regras claras... Se você ler bem a carta e o decreto, você verá que esta é simplesmente uma reorganização construtiva, com cuidado pastoral e evitando excessos".

Recomendações ao Dicastério para a Comunicação

Na entrevista com a Cope, também é mencionada a visita de 24 de maio último ao Dicastério para a Comunicação do Vaticano e as palavras de encorajamento, mas também de chamada de atenção dirigidas aos funcionários da mídia do Vaticano. "Foi uma reprimenda", pergunta o jornalista. "A reação me divertiu", explica o Papa, "eu disse duas coisas". Primeiro, uma pergunta: quantas pessoas leem o L'Osservatore Romano? Eu não disse se é lido muito ou pouco. Uma pergunta. Eu acho legítimo perguntar isso, não? E a segunda pergunta, que era mais temática, (eu a fiz) quando, depois de ver todo o novo trabalho de união, o novo organograma, a funcionalização, falei da doença dos organogramas, que dá a uma realidade um valor mais funcional do que real. E digo: com toda essa funcionalidade, que é funcionar bem, não devemos cair no funcionalismo. O funcionalismo é o culto dos organogramas sem levar em conta a realidade. Parece que alguém não entendeu estas duas coisas que eu disse, ou talvez alguém não tenha gostado, ou não sei o quê, e interpretou isso como uma reprovação. É uma coisa normal, é uma pergunta e um aviso. Sim... Talvez algumas pessoas tenham ouvido dizer algo, e .... Acho que o Dicastério é muito promissor, é o Dicastério com o maior orçamento da Cúria no momento, é liderado por um leigo - espero que em breve haja outros liderados por um leigo ou uma leiga - e que está decolando com novas reformas. L'Osservatore Romano, que eu chamo de 'o jornal do partido', fez grandes progressos e o esforço cultural que está fazendo é maravilhoso".

A família, o futebol, as lágrimas

Ao final da entrevista, outras questões eclesiais são abordadas, como, por exemplo, o caminho sinodal na Alemanha, para o qual o Papa recorda sua carta de junho de 2019, bem como questões internacionais como a independência da Catalunha e as políticas migratórias, para as quais o Pontífice argentino reitera a fórmula dos quatro verbos: "Acolher, proteger, promover, integrar". O Papa não se esquiva de perguntas mais pessoais sobre temas como sua relação com sua família, em particular com sua avó Rosa, seu apoio ao time de futebol San Lorenzo, seu sentimento de ser "um pecador que tenta fazer o bem". O Papa Francisco revela que não é um homem de lágrimas fáceis, embora seja verdade que algumas situações lhe causam tristeza, e confessa que o que ele mais sente falta dos tempos de Buenos Aires é "andar de uma paróquia a outra" ou os densos dias nebulosos do outono argentino enquanto escuta a música do compositor argentino Astor Piazzolla. "Eu gostaria de andar pela rua, mas tenho que me conter, porque não poderia andar dez metros".

 

Fonte: Vatican News

EVANGELHO DO DIA

 + Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 4,38-44

Naquele tempo: 38Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. 39Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los. 40Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levaram a Jesus. 
Jesus colocava as mãos em cada um deles e os curava. 41De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: 'Tu és o Filho de Deus.' Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque sabiam que ele era o Messias. 42Ao raiar do dia, Jesus saiu, 
e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo que os deixasse. 43Mas Jesus disse: 
'Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado.' 44E pregava nas sinagogas da Judéia. Palavra da Salvação. 

 

REFLEXÕES SOBRE AS LEITURAS DE HOJE

 

1 DE SETEMBRO DE 2021

 

4ª. FEIRA DA XXII SEMANA DO

 

TEMPO COMUM

 

Cor Verde

 

 

1ª Leitura - 1Cl 1,1-8

.

Início da Carta de São Paulo aos Colossenses 1,1-8

1Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus 
e o irmão Timóteo, 2aos santos e fiéis irmãos em Cristo que estão em Colossos: graça e paz da parte de Deus nosso Pai. 3Damos graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, sempre rezando por vós, 4pois ouvimos acerca da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que mostrais para com todos os santos, 5animados pela esperança na posse do céu. Disso já ouvistes falar no Evangelho, 
cuja palavra de verdade chegou até vós. 6E como no mundo inteiro, assim também entre vós ela está produzindo frutos e se desenvolve desde o dia em que ouvistes a graça divina e conhecestes verdadeiramente. 7Assim aprendestes de Epafras, 
nosso estimado companheiro, que é junto de vós um autêntico mensageiro de Cristo. 8Foi ele quem nos deu notícia sobre o amor 
que o Espírito suscitou em vós. Palavra do Senhor. 

 

Reflexão - “as virtudes dos santos”

A nossa experiência espiritual não está dissociada da nossa experiência humana e o nosso desenvolvimento interior tem consequências nas nossas ações. Na medida em que caminhamos guiados pelo Espírito Santo, a nossa Fé em Deus e no Seu Amor vão dando o ritmo à nossa trajetória de vida. Como resultado desse crescimento espiritual nós colhemos bons frutos de conversão os quais nos motivam a alimentar as pessoas com quem convivemos. Por isso, São Paulo se dirige aos cristãos da cidade de Colosso, dando graças a Deus, pela manifestação entre eles das três virtudes dos santos: fé, esperança e caridade. A fé em Jesus Cristo produz em nós a virtude da esperança que nos dá a garantia de uma vida plena. Por causa disso, nós temos a certeza da conquista do céu, que nos é dado pela vivência da caridade. A caridade é o amor de Deus praticado como Jesus Cristo o fez. Tudo isso, nós, assim como os colossenses, aprendemos e conhecemos por meio do Evangelho, que é a Palavra de Deus revelada por Jesus Cristo, o Verbo que se fez carne e veio morar no meio dos homens. Somos hoje os arautos do Evangelho de Jesus Cristo aqui na terra. Por nosso intermédio a Palavra de Deus produz verdadeiros frutos de vida e de santidade no meio do povo de Deus. Somos instrumentos do Senhor no serviço da Igreja, a fim de que muitas pessoas saiam da multidão, e se transformem nos novos discípulos de Jesus. O Espírito Santo é quem suscita em nós as novidades de Deus para que possamos cumprir com a nossa missão fielmente. Que possamos um dia, também, dar graças a Deus, porque, muitos dos Seus filhos, puderam viver em plenitude as três virtudes dos santos, por causa do nosso anúncio. Isso é garantia para que eles também tenham a certeza do céu, desde já.    - Você já saiu do meio da multidão e já se considera um discípulo (a) de Jesus? - As três virtudes dos santos já se manifestam na sua vida? - Você tem anunciado Jesus  Cristo no meio da multidão?

 

Salmo - Sl 51,10. 11 (R. 10b)

 

R. Confio na clemência do meu Deus, agora e sempre!


10Eu, porém, como oliveira verdejante * 
na casa do Senhor, 
confio na clemência do meu Deus * 
agora e para sempre!R.

11Louvarei a vossa graça eternamente, * 
porque vós assim agistes; 
espero em vosso nome, porque é bom, * 
perante os vossos santos!R. 

Reflexão - Somos pecadores necessitados do perdão de Deus. Diante Dele, porém, somos como uma planta verde, que precisa ser cuidada. Mesmo na fraqueza nós louvamos eternamente ao Senhor pela sua graça que se manifesta eternamente, pela sua bondade e paciência. O Senhor deseja nos fazer santos e santas, por isso, confiamos na obra que Ele realiza em nós.

 

Evangelho - Lc 4,38-44

 

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 4,38-44

Naquele tempo: 38Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. 39Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los. 40Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levaram a Jesus. 
Jesus colocava as mãos em cada um deles e os curava. 41De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: 'Tu és o Filho de Deus.' Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque sabiam que ele era o Messias. 42Ao raiar do dia, Jesus saiu, 
e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo que os deixasse. 43Mas Jesus disse: 
'Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado.' 44E pregava nas sinagogas da Judéia. Palavra da Salvação. 

 

Reflexão – “o toque de Jesus”

Jesus foi enviado pelo Pai para nos dar vida plena e tem competência para nos tirar das diversas situações que nos paralisam, mesmo que estejamos à beira da morte. A qualquer momento e em qualquer circunstância da nossa vida Ele tem poder para nos curar e nos tirar da impotência. Neste Evangelho Jesus nos dá prova disso quando cura a sogra de Pedro que, embora já tivesse idade bem avançada, foi sarada da sua enfermidade e, na mesma hora se pôs à disposição para servir a Ele e aos seus discípulos. Portanto, isto comprova que a cura que Jesus faz em nós, nos desinstala e nos tira da acomodação. As doenças e os males que nos atingem na maioria das vezes provêm da nossa alma necessitada do toque de Jesus, da ação e orientação da sua Palavra. Por isso, as multidões O procuravam e não queriam largá-Lo.  Jesus se enchia de compaixão por aquele povo necessitado, no entanto, Ele não se detinha no mesmo lugar, pois, sabia que a cada passo encontraria alguém necessitado de cura e salvação.  Hoje também, Jesus continua nos curando e nos libertando, mas deseja que tenhamos atitudes de pessoas livres, que não ambicionem possuir tudo para si, mas se proponham a ajudar o próximo a viverem a vida nova em Cristo. Somos curados, para amar e servir a Deus aqui na terra em favor de todos que são necessitados de libertação. A Boa Nova do Reino que Jesus anunciou aqui na terra é a Boa Notícia que nós devemos transmitir a todos: “Jesus, o filho de Deus, está muito perto de nós. Mora no nosso coração e nos quer curar de todos os males, hoje, como antes”. 

- Você já teve alguma experiência de cura ou de libertação pelo toque o Amor de Deus?  

 - Você tem saído do seu lugar em busca de alguém que precisa sentir também esse Amor? 

- Existe alguém que você conhece e está muito doente? Você acha que Jesus também pode curá-lo?


Helena Serpa,

Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho

SANTO DO DIA - SANTA BEATRIZ

 Beatriz nasceu no Século XV em Ceuta, ao norte da África, cidade que, nessa época, encontrava-se sob o domínio da coroa de Portugal. Nasceu portuguesa, portanto. Seu pai foi governador de Ceuta. Ainda pequena, mudou-se para Portugal com sua família, que cultivou na menina uma profunda devoção a Nossa Senhora da Conceição. Aos vinte anos de idade, foi enviada para a Espanha como dama de honra de D. Isabel, neta de D. João I, que se tornou esposa do rei João II de Castela, onde começou seu calvário.

Beatriz era muito bonita, e a rainha, dominada por uma mistura de ciúme e inveja, fechou Beatriz em um caixão durante dias, a fim de que morresse asfixiada, mas uma invisível proteção da Virgem Maria a salvou.

Como gesto concreto de agradecimento, Santa Beatriz aceitou sua vocação para a vida religiosa, e logo em seguida partiu a Toledo, onde se recolheu no mosteiro das Dominicanas (ramo feminino da Ordem de São Domingos de Gusmão), cujas religiosas viviam sob a regra cisterniense, onde viveu cerca de 30 anos.

Deus, entretanto, tinha predestinado Beatriz para uma obra maior: fundar uma Ordem de estrita clausura numa vida contemplativa na oração, penitência e trabalho.

Santa Beatriz da Silva deixou o mosteiro dominicano e foi habitar numa nova sede que veio a ser o berço das monjas concepcionistas. Essa Ordem está caracterizada por três heranças espirituais de Santa Beatriz: o amor à Maria Imaculada, a Paixão de Jesus Cristo e a Santíssima Eucaristia.

Santa Beatriz faleceu em 9 de agosto de 1490 com 66 anos de idade. No momento de sua morte, seu rosto fora visto transfigurado por uma grande claridade e uma estrela resplandecente sobre sua cabeça até ela expirar.

Beatificada em 1926 pelo Papa Pio XI, sua canonização ocorreu no dia 3 de outubro de 1976 por Paulo VI.

Santa Beatriz, rogai por nós!

Fonte: Canção Nova Notícias