Mateus 13,24-43
DÉCIMO SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM
O evangelho sobre que
se vai refletir hoje (Mateus 13,24-43) destaca a paciência de Deus, que se
mostra tolerante com sua criatura, o ser humano, que é fraco e pecador.
Dois momentos
importantes encontramos no Evangelho de hoje 1º) Três parábolas de Jesus ao
povo: o joio e o trigo, o grão de mostarda e o fermento na massa. 2º)
Explicação da parábola do joio e do trigo.
Essas parábolas nos
fazem meditar sobre o crescimento do Reino de Deus dentro de nós e do mundo.
Reconhecem que o joio está presente no coração humano que, um dia, será
destruído. Joio, chamado também de cizânia, pertencente à família das plantas
dos gramíneos, simboliza o MAL. O
trigo simboliza o BEM, o Reino de
Deus. O trigo era cultivado na Palestina desde tempos imemoriais. A terra
prometida era conhecida como “terra do trigo” (cf.DT. 8,8). A expressão “flor
de trigo” refere-se à farinha de trigo fina usada para fazer pão e para os
sacrifícios.
O joio, era uma erva
venenosa que produzia no organismo humano um efeito parecido com a embriaguez, causando
vômito, náusea, vertigem, delírio e até a morte. Seu perigo consistia em
crescer no meio das plantações do trigo de outros cereais, podendo contaminar
os alimentos. Só quando maduro, era possível distingui-lo dos cereais com os
quais se misturava.
Joio e trigo estão
presentes em todas as dimensões humanas: vida profissional, familiar, social, política
e até onde nunca deveria estar: na vida eclesial evidentemente. Infelizmente
encontramos joio nas grandes religiões e nas Igrejas cristãs: católicas,
protestantes e ortodoxas.
Essas parábolas ainda
chamam atenção para duas virtudes: a prudência
e a confiança. Principalmente a
paciência que não é resignação, acomodação, alienação, mais paciência
histórica, dinâmica, refletida. Aos olhos do mundo moderno, as vezes, essa
virtude parece negativa. No reino de Deus, a separação do joio e do trigo só
será feita no final dos tempos e pelo Senhor Jesus. Nós, os servos, não somos
aptos para arrancar o joio; corremos o risco de arrancar o trigo. Cuidemos com
atenção, de na fazermos juízos precipitados á respeito de outras pessoas e
grupos. E não percamos a confiança no Reino de Deus; afinal suas forças
infinitas se manifestam na pequenez dos grãos de mostardas de nossas boas obras
e no escondimento do fermento dos gestos que ninguém consegue perceber.
A lição das parábolas
no evangelho de hoje é clara: a relação conflituosa entre os adversários e os
discípulos do Reino seria uma constante na vida destes. Seu término estava
antevisto apenas para o fim dos tempos com o estabelecimento do juízo de Deus
sobre a história humana.
Neste domingo do trigo
e do joio, o grão de mostarda e do fermento na massa, peçamos ao Senhor Jesus
sabedoria para melhor edificar o seu reino entre nós.
Pe. Raimundo
Neto
Pároco de
São Vicente de Paulo

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