Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald -
Redentorista e Assessor da CNBB Reg. NE1
Os magos sempre desfrutaram
de enorme popularidade: seja suficiente lembrar que, desde 150 anos depois do
nascimento de Jesus, nos cemitérios cristãos começa a ser reproduzida a sua imagem.
Os cristãos naquele tempo não ficaram satisfeitos com as escassas notícias que
se encontram no texto evangélico. Faltaram muitos detalhes: De onde vinham?
Quantos eram? Como se chamavam? Que meio de transporte usaram etc. Para
responder a essas perguntas surgiram, desde os tempos antigos, muitas
histórias.
Os magos só são mencionados
em apenas um dos quatro evangelhos, o de Mateus. Nos 12 versículos em que se
trata do assunto, Mateus não especifica o número deles. Sabe-se apenas que eram
mais de um, porque a citação está no plural – e não há nenhuma menção de que
eram reis. Vários peritos no assunto, mas nem todos, afirmam que não há
evidência histórica da existência dessas pessoas. Provavelmente são personagens
criados pelo evangelista Mateus para simbolizar o reconhecimento de Jesus por
todos os povos.
De qualquer forma, a
tradição permaneceu viva e foi apenas no século três que eles receberam o
título de reis, provavelmente como uma maneira de confirmar a profecia contida
no Salmo 72: “Todos os reis cairão diante dele”.
Historicamente falando, a
festa dos Magos ou da Epifania é uma duplicata: enquanto o Ocidente celebrava
Natal no dia 25 de dezembro, no quarto século introduziu-se aí, também, a festa
natalina dos cristãos orientais, a Epifania, celebrada no dia 6 de janeiro. Epifania significa “manifestação”. Recorda para
nós a adoração do menino Jesus pelos magos, representantes do mundo inteiro
então conhecido. A festa também significa universalismo, quer dizer, a união
dos cristãos ocidentais e orientais. Na Igreja a Epifania é o encerramento do
ciclo natalino.
Os Magos segundo o Evangelho
de São Mateus (2, 1-12) que visitaram Jesus recém-nascida em Belém, eram,
provavelmente, sábio astrólogos da Babilônia que conheciam o messianismo
judaico. Uma tradição do século Vl diz que eram reis e chegam a dar-lhes nomes:
Melquior, Baltazar e Gaspar. Peritos como Beda os consideraram representantes
da Europa, da Ásia e da África (sendo Melquior da raça branca, Baltazar da raça
amarela, e Gaspar da raça negra). No mesmo século “descobriram” seus lugares de
origem: Melquior, rei da Pérsia; Gaspar, rei da Índia; e Baltazar, rei da
Arábia. Em hebreu, esses nomes significavam “rei da luz” (Melquior), “o branco”
(Gaspar), e “senhor dos tesouros” (Baltazar). O mesmo Beda afirmou que eles
viajaram no lombo de camelos e dromedários. Evidentemente, trata-se de
histórias.
Quem hoje for visitar a
catedral de Colônia, na Alemanha, será informado de que ali repousam os restos
dos reis magos. De acordo com uma tradição medieval, os magos teriam se
reencontrado quase 50 anos depois do primeiro Natal, em Sewa, uma cidade da
Turquia, onde viriam a falecer. Mais tarde, seus corpos teriam sido levados
para Milão, na Itália, onde permaneceram até o século 12, quando o imperador
germânico Frederico dominou a cidade e trasladou as urnas mortuárias para
Colônia. O número tradicional (os três magos) baseia-se, provavelmente, apenas
no número de presentes.
A Igreja Católica considerou
os presentes como símbolos da pessoa e do mistério de Jesus: realeza (ouro),
divindade (incenso), morte e sepultura (mirra).
Com relação à estrela:
acreditava-se, na Antiguidade, que quando nascia uma pessoa destinada a uma
grande missão, ao mesmo tempo surgia uma estrela no céu. Porém, a estrela que
os magos viram não foi um astro físico ( um cometa), mas a estrela da qual fala
a Escritura. Por isso, devemos informar nossas crianças que a estrela sobre o presépio
não é um astro do céu, mas sim Jesus; é Ele a luz que ilumina todos os homens.
Os magos representam os homens do mundo inteiro, que se deixam guiar pela
mensagem de paz e amor de Cristo. Hoje, como no tempo de Jesus, diante da
estrela, os homens tomam posições diferentes. Há os que, como os próprios
magos, se ajoelham, reconhecendo em Jesus a luz do mundo e a seguem; há outros
que ficam indiferentes e, ainda há aqueles que procuram apagar esta luz. Que a
Estrela de Belém brilhe para todos os leitores deste site no ano 2014.

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