Lucas 1,26-38
Imaculada Conceição
No dia 8/12/1854, o Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição, uma festa que teve início no Oriente, a partir do século VII. A proclamação deste dogma se dá em pleno contexto sócio-cultural modernista – contexto eclesial anti-modernista. A Igreja, na época, temia avanços das idéias modernistas, o avanço das ciências em geral, particularmente da ciência política representada pelas idéias socialistas que irrompiam na Europa como ameaça ao mundo religioso. A declaração da isenção de Maria do pecado original vem confirmar, de certa forma, a postura da Igreja da época: não querer se imiscuir no Modernismo, considerado grande pecado do momento.
O mistério que celebramos nesta liturgia é este: Deus preservou Maria do pecado original e fê-la cheia de graça. Por pecado original entendemos aquela situação originária que gera a incapacidade de amar; é o fechamento do homem sobre si mesmo. É a impossibilidade de alguém se relacionar adequadamente com os três grandes eixos da existência humana: o mundo, o próximo e Deus.
Cheia de Graça: significa admitir que Deus, com sua bondade, suavidade, equilíbrio, transparência e retidão, em todas as dimensões da vida, se auto-doou a Maria, a humilde serva do Senhor. Graça não é algo misterioso no ser humano, mas é presença pessoal e viva do próprio Deus dentro de nós.
O texto bíblico para esta liturgia é o de Lucas ( 1, 26-38 ) que nos mostra a fisionomia espiritual de Maria, que reassume o contraste entre a sua humilde condição humana e a sua grandeza por causa da graça: ela é uma pobre materialmente, feita rica para Deus.
Celebrando hoje a Imaculada Conceição, refletimos sobre a verdade de que, com Maria, está terminado o tempo em que a Santidade era restrita ao templo da Pedra de Jerusalém. Agora, na plenitude do tempo, a carne humana de Maria é o templo de Deus. Não é possível esquecer que a Imaculada Conceição venerada nos altares é a pobre Maria de Nazaré, mulher do povo, inexpressiva na estrutura social de seu tempo e a humilde serva do Senhor.
Que Maria, Santuário bendito de Deus, obra prima de Deus, a mais perfeita obra de arte, nos ajude a viver, no dia-a-dia , a palavra salvadora de seu filho Jesus Cristo.
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