domingo, 24 de março de 2013

REFLETINDO SOBRE O EVANGELHO

Lucas 23, 1-49

 

Iniciamos hoje a Semana Santa, a Semana Maior do Calendário Cristão. Esta semana vai desde o Domingo de Ramos até o Domingo de Páscoa, e sem dúvida, é um dos maiores tesouros do ano litúrgico, pois, nela se realizaram e agora se repetem os maiores acontecimentos da História da Salvação. Seria lamentável, pois reduzir a Semana Santa a um feriadão, com muitos jogos e bebidas, muita praia e sol, chácaras e serras, quando estes dias deveriam ser aproveitados para uma participação maior nas celebrações litúrgicas nas igrejas e para refletir os passos mais decisivos da jornada terrestre de Cristo.

Nesse Domingo de Ramos, a eucaristia é precedida da solene benção e procissão de ramos, mediante a qual relembramos a alegria e a festa que o povo simples organizou quando Jesus entrou em Jerusalém, reconhecendo n’Ele o Messias esperado. A comunidade cristã vive essa celebração, fazendo recordar dessa forma a vitória de Jesus e proclamando-o Rei, porque, ao ressuscitar triunfalmente da morte, foi constituído para sempre Senhor da vida e da história. Depois da procissão dos ramos, é proclamada solenemente a paixão do Senhor para que nos deixemos impregnar pelo espírito da Semana Santa e para compreendermos como Jesus alcança o triunfo mediante o sofrimento e a morte.

A celebração do Domingo de Ramos não tem como única finalidade fazer lembrar um acontecimento histórico passado, mas nos convida a realizar uma profissão de fé em que a cruz e a morte de Cristo são definitivamente um triunfo. Por meio da morte vence a vida, assim como a glória e a ressurreição não prescindem da cruz, mas é daí que lhe advém seu verdadeiro sentido. O encontro que temos hoje com Cristo vencedor convida-nos a participar mais profundamente do mistério pascal durante a Semana Santa e prepara-nos igualmente para nosso encontro definitivo com Ele.

O Evangelho anunciado hoje – chamamos o evangelho da Paixão de Cristo.  (Lucas 23, 1-49), o qual apresenta Jesus como modelo que todo cristão deve imitar. A vida de Jesus é uma grande subida a Jerusalém, realização da visita escatalógica de Deus a seus santuários. Mas Jerusalém não reconhecem a hora de sua visitação. Os pobres, a multidão dos discípulos, estes, sim, reconheceram. Os detentores do poder, porém, não o quiseram reconhecer, nem ouvir o testemunho dos pequenos.

A Igreja, como Mãe e Mestra da verdade, propicia a seus filhos, a partir de hoje, a Semana Santa – Um grande tesouro espiritual. Desde a queda dos primeiros pais, a humanidade ficou excluída da Salvação. No entanto, após a promessa do Salvador (Gn 3,15), passou a viver em função da vinda de quem estabeleceria a ordem primitiva do plano divino. E este plano foi corroborado pelo gesto redentor de Cristo que venceu a morte e o pecado. Que todos nós aproveitemos nestes dias a graça abundante de Cristo para um maior crescimento espiritual e maior aproximação a Deus.

 

Pe. Raimundo Neto.

Pároco de São Vicente de Paulo     

 


 

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