As meditações para as 14 estações da Via-Sacra que o Papa presidirá na Sexta-feira Santa, 10, no Coliseu de Roma, refletem sobre o mistério do sofrimento cristão, sobre a violência que mortifica grupos étnicos e religiosos e assolam algumas nações e sobre conflitos entre interesses econômicos e políticos. Males que brotam da avareza e do orgulho, segundo o arcebispo indiano de Guwahati, Dom Thomas Menamparampil, que preparou os textos das meditações deste ano. A escolha do arcebispo indiano é vista como um sinal de solidariedade aos cristãos na Índia, que têm sido alvo da violência de facções fundamentalistas hindus. A cada ano, o Papa pede a um autor diferente para redigir os textos que servem de reflexão para cada uma das estações deste exercício de piedade cristã, que é seguido por milhares de peregrinos com velas na mão.A Via Sacra terá início as 21h15 (hora local).Meditações As meditações oferecem uma análise sobre a realidade atual, onde muitas vezes o sentido do sagrado e o ímpeto em direção a Deus são sufocados pelo efêmero e por escolhas oportunistas.Diante do ódio e das guerras, escreve o prelado indiano, "quando a justiça é administrada de modo distorcido nos tribunais, quando a corrupção é radicada, as estruturas injustas oprimem os pobres, as minorias são suprimidas e os refugiados e os migrantes, maltratados".Para o Arcebispo, quando as mulheres são obrigadas a humilharem-se e as crianças dos bairros pobres buscam comida no lixo, não devemos perguntar-nos de quem é a culpa, mas que responsabilidade temos nessas formas de desumanidade.O cristão, afirma Dom Thomas, deve ter uma conduta justa, íntegra e honesta, deve ter a coragem de assumir decisões responsáveis quando presta um serviço público, deve combater pela justiça, desafiando o inimigo com a certeza da própria causa, suscitando a boa vontade do opositor, para que desista da injustiça com a conversão do coração. O bispo indiano cita como exemplo desta atitude Mahatma Gandhi.Diante das ofensas históricas que ferem as memórias das sociedades, o perdão deve fazer-nos transformar a ira coletiva em novas energias de amor, assinala.Dom Thomas Menamparampil, 62 anos, salesiano, conduz uma arquidiocese onde os católicos são 50 mil, numa população de 6 milhões de pessoas.
Da Redação da Canção Nova Noticias, com Ecclesia
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