

A senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, participou na noite de ontem, em Belém, do III Fórum Mundial de Teologia e Libertação, e foi ovacionada pelos participantes durante toda sua apresentação. Convidada para falar sobre a Amazônia, a senadora condenou a devastação da floresta e os projetos que não têm como base a sustentabilidade.“A Amazônia é Amazônia porque é sustentada por uma cultura e um jeito de fazer”, disse a ex-ministra. Para Marina Silva, a atual crise por que passam as grandes potências econômicas não é apenas econômica, mas “civilizatória” e tem como causa a busca desenfreada pelo lucro que não respeita a natureza. “É preciso rever os paradigmas. Até pouco tempo não tínhamos furacões nem o que aconteceu em Santa Catarina. As mudanças que estão acontecendo na natureza são fruto da ação humana”, disse.Formada nas Comunidades Eclesiais de Base, Marina Silva mostrou que as lições que aprendeu ainda estão muito vivas e citou várias vezes passagens bíblicas ao se referir à realidade da Amazônia. Disse que não se pode mais continuar a visão antropocêntrica interpretada a partir do relato da criação no livro do Gênesis. “É preciso acabar com a visão antropocêntrica que vê o homem mais importante que a natureza. O ser humano é o ser que mais depende das outras formas de existências”, acentuou. “Quando Deus diz para o homem dominar a terra, trata-se de um domínio amoroso, cuidadoso, como no capitulo dois de Gênesis em que Deus coloca o homem no jardim do Éden para cuidar dele”.Marina Silva disse também que a Amazônia deve se abrir a seus “novos defensores” e acolher as diferenças. “Não acredito em projetos que eliminam as diferenças. É preciso acolher os novos defensores da Amazônia”, sublinhou lembrando, agora, a passagem bíblica em que Davi, proibido de construir o Templo para Deus, deixou tudo preparado para que Salomão o fizesse. Ao falar de sua renúncia ao ministério do Meio Ambiente, a senadora explicou que não tinha mais condições políticas de continuar. “Aprendi que, no serviço público, a gente não pode ficar esquentando a cadeira. Saí porque não reunia condições políticas para tocar a agenda”, esclareceu.
CNBB
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