domingo, 2 de janeiro de 2022

REFLEXÕES SOBRE AS LEITURAS DE HOJE

 

2 de JANEIRO DE 2022

 

DOMINGO - EPIFANIA DO SENHOR 

Cor - Branco

 

 

1ª. Leitura -  Is 60, 1-6


Leitura do Livro do Profeta Isaías 60, 1-6 –


1Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. 2Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. 3Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. 4Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços.5Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; 6será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor. Palavra do Senhor.

 

Reflexão - “Palavra de esperança e de ânimo”

O profeta nos acena com a chegada do Salvador que vem para tirar o mundo das trevas e as nuvens escuras do pecado, dizendo:   “Levanta-te, acende as luzes... porque chegou a tua Luz”. Esta é, portanto, uma Palavra de esperança e de ânimo para todos os que ainda se encontram no anonimato, isolados da Luz redentora da glória do Senhor. A Luz de Jesus é que acende as nossas “luzes”, isto é, as nossas lâmpadas. Ele veio como Farol para tirar o mundo das trevas e, enquanto continuarmos sem dar o passo para nos levantar da nossa acomodação que gera trevas, nós continuaremos sofrendo a angústia e o medo, que são uma consequência da escuridão. A profecia de Isaias também prediz a vinda dos reis magos para visitar o Salvador da humanidade, trazendo ouro, incenso proclamando a glória do Senhor. Assim como os magos caminharam ao encontro do Salvador, nós também marchamos na busca de encontrar Aquele que veio nos tirar da escuridão. Não podemos nos acomodar na escuridão esperando pelas pessoas, pois Jesus Cristo é a Luz que se manifesta por meio do Espírito Santo para nos tirar da ignorância e da obscuridade. Precisamos perceber como estão as nossas lâmpadas; se estão apagadas ou enfraquecidas. Muitas vezes não conseguimos mostrar ao mundo a Luz de Deus porque ainda não nos levantamos para acionar o interruptor. Precisamos nos apossar da Luz de Jesus para enxergar tudo de bom que Deus providencia e os milagres que acontecem ao nosso redor. Apossemo-nos, portanto, das riquezas de além-mar que o Senhor já nos mostra com a Sua Luz.  Que neste ano novo saibamos ofertar ao Senhor ouro e incenso através do nosso louvor e serviço em favor do Seu reino. – Como você está vivendo: na luz ou na escuridão? -  Você já deixou que Jesus acenda a sua lâmpada? – Quem você está esperando para fazer mudar a sua vida? – Como está a sua disposição para viver mais um ano?

 

Salmo - Sl 71, 1-2.7-8.10-11.12-13 (R. Cf.11)

 

R. As nações de toda a terra, hão de adorar-vos ó Senhor!

1
Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus,*
vossa justiça ao descendente da realeza!
2
Com justiça ele governe o vosso povo,*
com equidade ele julgue os vossos pobres. R.

7Nos seus dias a justiça florirá*
e grande paz, até que a lua perca o brilho!
8
De mar a mar estenderá o seu domínio,*
e desde o rio até os confins de toda a terra! R.

10Os reis de Társis e das ilhas hão de vir*
e oferecer-lhes seus presentes e seus dons;
e também os reis de Seba e de Sabá*
hão de trazer-lhe oferendas e tributos.
11
Os reis de toda a terra hão de adorá-lo,*
e todas as nações hão de servi-lo.R.

12Libertará o indigente que suplica,*
e o pobre ao qual ninguém quer ajudar.
13
Terá pena do indigente e do infeliz,*
e a vida dos humildes salvará. R.

 

Reflexão - Essa é uma afirmação que confirma que todos os habitantes da terra têm direito a salvação preparada por Deus para os homens. Jesus é o Rei que acolhe a todos os reis da terra, assim como todos os povos, o indigente, o pobre, o humilde, o rico. Todos têm o direito O adorar. De mar a mar estende-se o Seu domínio e não fica ninguém de fora.


2ª. Leitura - Ef  3,2-3a.5-6

 

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios 3,2-3a.5-6
Irmãos: 2Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, 3ae como, por revelação, tive conhecimento do mistério. 5Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: 6os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho. Palavra do Senhor.

 

Reflexão – “livre escolha de cada um.

São Paulo foi escolhido por Deus para revelar os Seus mistérios e o Seu projeto de amor aos homens. Assim sendo, ele quebrou o preconceito de que somente os judeus tinham direito a salvação.  Nessa perspectiva, portanto, todos nós precisamos ter consciência de que a salvação de Deus é para todos os homens, independentemente da raça, religião, cor, nível social e intelectual. Todos nós somos povo que tem direito à Salvação de Jesus e fomos “admitidos à mesma herança, membros do mesmo corpo e associados à mesma promessa em Jesus Cristo!” Receber, acatar, acolher ou não esse direito, é, porém, uma livre escolha de cada um. Deus não se interpõe e respeita a nossa liberdade, mas nos dá conhecimento dos Seus mistérios nos revelando as Suas promessas e nos acenando com uma vida nova em Jesus Cristo. Depende de cada um! -  Como se encontra o seu coração para acolher os mistérios de Deus? – Você acredita que Ele tem um plano para a sua vida?    Você já procurou sondar o seu coração para entender isso? – Você tem algum preconceito com pessoas de outras religiões? – Você já imaginou que Deus precisa da sua ajuda para que essas pessoas possam Jesus?

 

Evangelho - Mt 2,1-12

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 2,1-12
 

1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia,
no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: 'Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.' 3Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado
assim como toda a cidade de Jerusalém. 4Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5Eles responderam: 'Em Belém, na Judéia,
pois assim foi escrito pelo profeta: 6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá,
porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo.' 7Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido.
8
Depois os enviou a Belém, dizendo: 'Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo.' 9Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino.
10
Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. 11Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. 12Avisados em sonho para não voltarem a Herodes,
retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.Palavra da Salvação.


Reflexão – “ouro incenso e mirra
O primeiro sinal visível de Deus de que o Seu Plano se dirigia a toda a humanidade foi nos dado quando os magos, guiados por uma estrela, foram em busca do lugar onde poderiam adorar ao menino Jesus e a Ele oferecerem o que traziam em suas mãos. Simplesmente, eles foram atraídos, saíram da sua terra e encontraram Jesus com a Sua Mãe Maria e o adoraram. Quando estamos atentos e abertos, também a Estrela nos guia até Jesus e somos atraídos pela Sua Luz. Sempre O encontraremos com Maria, pois ela é a Estrela que nos conduz até o Seu Filho Jesus. Assim, ela faz duplo papel: orienta-nos, nos mostra onde Jesus se encontra e, ao mesmo tempo, nos recebe e nos acolhe como nossa intercessora. Os reis magos ofereceram a Jesus, ouro incenso e mirra.  Diante de Jesus, nós também podemos oferecer o ouro que são os nossos bens, dons, talentos, o incenso, que é o nosso louvor e adoração, assim como também, a mirra, significando, a nossa luta do dia a dia, os nossos sofrimentos e dificuldades. Tudo será acolhido com amor por Jesus, e Ele nos justificará diante do Pai.

– Qual a função que Maria tem exercido na sua vida?

 - Você tem percebido a presença dela como uma Estrela guia? 

– Quem tem o ajudado a buscar Jesus? 

 – O que você tem colocado à disposição de Deus? 

-  Você tem ofertado as suas alegrias, tristezas e sofrimentos?


Helena Serpa,

Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho

 

SANTO DO DIA - SANTOS BASÍLIO MAGNO E GREGÓRIO DE NAZIANZENO

A Igreja alegra-se com a memória conjunta destes grandes Santos doutores: Santos Basílio Magno e Gregório de Nazianzeno.

Basílio nasceu em Cesareia, no ano 329. Nasceu em uma família santa que buscava testemunhar, na própria vida e na formação dos filhos, o grande amor por Cristo e pela Igreja. Foi assim que, ajudado pelo pai, Basílio recebeu a primeira formação. Depois, passou por Constantinopla, chegando a estudar em Atenas e formar-se em retórica. A essa altura, mesmo tendo um coração bem semeado pelo Evangelho, ele começou a buscar glórias humanas, mas, ao conhecer o amigo São Gregório Nazianzeno, São Basílio conheceu Cristo mais profundamente e retomou a amizade com Jesus. Ele, que já era muito culto, direcionou todo o seu potencial para Aquele que é a verdade, o Logus, o Verbo que se fez carne, Jesus Cristo, nosso Senhor e salvador. Retirou-se por um tempo dali e pôde viver uma vida de muita oração e penitência. Depois, foi inspirado a aprofundar-se na vida eremítica e também na vida monástica. Visitou o Egito, Síria, Palestina e estudou a ponto de, com seu amigo Nazianzeno, começar uma comunidade monástica.

Aconteceu que, diante da realidade na qual o Arianismo — heresia que afirmava que Jesus Cristo não é Deus — confundia muito as pessoas e ainda era apoiada pelo imperador do Oriente chamado Valente. Nesta altura, em Cesareia, São Basílio, em 370 d.C. foi eleito bispo, sucessor de um dos apóstolos. Homem de caridade e de testemunho, ele pôde combater e ver a verdade vencendo o Arianismo. O imperador não colocava medo nesse homem cheio do Espírito Santo. São Basílio também tinha muitas obras, não era apenas um homem de palavras; cidades de caridade surgiram por meio dele.

Ainda padre, ele já era um testemunho reconhecido, uma autoridade não só pela Igreja, mas pela vida. São Basílio Magno deixou uma riqueza de escritos e, principalmente, a certeza de que amigo de Jesus, felizes nós seremos. Em 379 d.C., ele partiu para o céu e intercede por nós.

Gregório Nazianzo nasceu no mesmo ano que Basílio (329). Seu pai era Gregório, o Velho, que depois foi Bispo de Nazianzo. Estudou em Atenas, onde conheceu Basílio, ao qual teve um forte elo de amizade e com quem conviveu no eremitério da Capadócia. Homem de estudo e poeta, recebeu a alcunha de teólogo em decorrência de sua excelente doutrina e inflamada eloquência.

Foi enviado pelo imperador Teodósio a Constantinopla para combater a difusão da heresia ariana, mas assim que chegou foi atacado por pedradas, sendo obrigado a permanecer fora dos muros de Constantinopla. Graças a seu exemplo de vida, Gregório reconduziu a cidade à ortodoxia. Não conseguiu ser Bispo de Constantinopla, como o povo desejava, pois foi hostilizado por uma facção de opositores. Despediu-se e retornou para a sua terra natal.

Retirou-se no silêncio, onde continuou a falar com Deus e com os homens. Escreveu cerca de 240 cartas de grande importância teológica e moral, além de belíssimas pela forma literária. Morreu no ano 390.

Santos Basílio Magno e Gregório de Nazianzeno, rogai por nós! 

Referências:
vaticannews.va

Livro ‘Santos de cada dia’ – Organização de José Leite, S.J.  

sábado, 1 de janeiro de 2022

MENSAGEM DE ANO NOVO DO PRESIDENTE DA CNBB DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO


Em mensagem por ocasião do início de um novo ano, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, aponta que a humanidade deve compreender que o chamado ‘novo normal’ não pode significar uma volta ao passado.

Vatican News

O ano de 2022 está chegando trazendo na bagagem a esperança altruísta de vivenciar o ‘novo normal’ imposto pela pandemia da covid-19 e o avanço da vacinação no mundo que trouxe um pouco mais de alívio e segurança para a população.

Em mensagem por ocasião do início de um novo ano, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, aponta que a humanidade deve compreender que o chamado ‘novo normal’ não pode significar uma volta ao passado.

“As atitudes egoístas, o consumo sem limite, o descaso com a casa comum e a indiferença em relação aos mais pobres têm provocado muitos adoecimentos, o novo ano precisa inspirar mudanças profundas. Essas transformações devem começar na interioridade de cada um de nós”, disse.

Dom Walmor ressaltou ainda que os cristãos têm o desafio de apontar o caminho da fraternidade, amizade social, a partir de gestos de solidariedade e defesa dos direitos e da justiça.

“A meta para 2022 precisa ser construir, reconstruir, sempre mais a fraternidade, amizade social, sobre os pilares da solidariedade e dos ensinamentos de Jesus Cristo nosso Senhor”, apontou.

O presidente da CNBB destaca ainda o ano jubilar que vai celebrar os 70 anos de criação da CNBB, a ser comemorado dia 14 de outubro de 2022.

“Este ano jubileu avançarmos mais da tarefa de investir numa igreja sinodal, efetivamente de comunhão e participação fecundos da missão. Contemplaremos a nossa história, atentos aos desafios vencidos pelos evangelizadores que nos precederam para revigorarmos, sempre cada vez mais, o compromisso de ajudar o Brasil a se tornar mais justo, solidário e fraterno. É tempo de reconstruir o Brasil é tempo de reconstruir a sociedade na justiça e na paz”, destacou.


Fonte: CNBB

 


PAPA: O OLHAR MATERNO É O CAMINHO PARA RENASCER. FERIR UMA MULHER É ULTRAJAR A DEUS

 

A homilia do Papa Francisco na missa na Solenidade de Maria Santíssima é uma homenagem a todas as mães e mulheres. “Há necessidade de pessoas capazes de tecer fios de comunhão, que contrastem os numerosos fios de arame farpado das divisões.”

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

O ano novo começa sob o signo de Maria, com o Papa Francisco presidindo à celebração eucarística na Basílica Vaticana.

Na Solenidade da Mãe de Deus, o Pontífice dedicou sua homilia a Maria e a todas as mães que, como ela, suportam o “escândalo da manjedoura”.

Esta foi a expressão usada por Francisco para falar do nascimento de Jesus. O Filho de Deus nasce sem nenhuma via preferencial, nem sequer um berço! Como então harmonizar o trono do rei e a pobre manjedoura? Como conciliar a glória do Altíssimo e a miséria de um estábulo?

“Que há de mais duro, para uma mãe, do que ver o seu filho sofrer a miséria?”

Escândalos da manjedoura

E mesmo assim, Maria – diz o Evangelho – guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração» (Lc 2, 19). As adversidades, aliás, têm o poder de fazer amadurecer a fé e também nós temos que lidar com “escândalos da manjedoura”, com o choque entre expectativa e realidade.

Mas hoje a Mãe de Deus nos ensina a tirar proveito deste choque, pois não se pode ressuscitar sem cruz. “É como um parto doloroso, que dá vida a uma fé mais madura.”

Para superar o choque entre o ideal e o real, é preciso fazer como Maria: guardar e meditar. Aceitar e superar, como fazem as mães mundo afora:

“Este olhar inclusivo, que supera as tensões guardando e meditando no coração, é o olhar das mães; é o olhar com que muitas mães abraçam as situações dos filhos. É um olhar concreto, que não se deixa condicionar pelo desconsolo nem se deixa paralisar perante os problemas, mas os coloca num horizonte mais amplo.”

O Papa cita as mães que assistem um filho doente ou em dificuldade: “Quanto amor há nos seus olhos, banhados de lágrimas, que ao mesmo tempo sabem inspirar motivos de esperança!”

É isto que fazem as mães: sabem superar obstáculos e conflitos, sabem infundir a paz. “Há necessidade de pessoas capazes de tecer fios de comunhão, que contrastem os numerosos fios de arame farpado das divisões.”

O novo ano começa sob o signo da Mãe

Francisco então indica o modelo a seguir:

“O olhar materno é o caminho para renascer e crescer. As mães, as mulheres olham o mundo não para o explorar, mas para que tenha vida.”

E enquanto as mães dão a vida e as mulheres guardam o mundo, o apelo do Papa é para que todos se empenhem em promover as mães e proteger as mulheres.

“Quanta violência existe contra as mulheres! Basta! Ferir uma mulher é ultrajar a Deus, que tomou de uma mulher a humanidade”

“No início do Ano Novo, coloquemo-nos sob a proteção desta mulher, a Mãe de Deus, que é nossa mãe. Que Ela nos ajude a guardar e meditar tudo, sem ter medo das provações, na jubilosa certeza de que o Senhor é fiel e sabe transformar as cruzes em ressurreições”, foram os votos do Pontífice

 Fonte: Vatican News

EVANGELHO DO DIA

 Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 2,16-21

Naquele tempo:16Os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido, deitado na manjedoura. 17Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito
sobre o menino. 18E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam. 19Quanto a Maria, guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração.
20Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito. 1Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino,
deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido. Palavra da Salvação.

REFLEXÕES SOBRE AS LEITURAS DE HOJE

 

1 DE JANEIRO DE 2022 

SÁBADO – SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS

TEMPO DE NATAL

Cor - Branco

 

1ª. Leitura - Números 6, 22-27
 

Leitura do Livro dos Números 6,22-27 -

22O Senhor falou a Moisés, dizendo: 23'Fala a Aarão e a seus filhos: Ao abençoar os filhos de Israel, dizei-lhes: 24O Senhor te abençoe e te guarde! 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! 26O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz! 27Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei'. Palavra do Senhor.

 

Reflexão - uma oração poderosa

“O Senhor te abençoe e te guarde!” “O Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça!”  “O Senhor volva o seu rosto para ti e te dê a paz”!  Esta oração contém a aspiração de Deus Pai, para nós, Seus filhos e ao mesmo tempo revela o que a alma humana mais anseia: contemplar a face de Deus e ter sobre si a Sua atenção, a Sua misericórdia e a Sua paz! A paz de Deus extrapola qualquer estado de espírito que podemos experimentar. Ela provém do Amor atencioso e zeloso que o Pai dispensa aos Seus filhos e filhas. A benção de Deus é a abertura para todas as nossas realizações do Ano, pois, nela, encontramos a garantia de que tudo quanto Ele sonhou para nós, concretizar-se-á na medida da nossa submissão à Sua Palavra.  Neste primeiro dia do ano que é dedicado à Maria, Mãe de Deus, peçamos ao Senhor que nos abençoe e derrame sobre nós e nossas famílias a Sua graça e a Sua paz. Esta é, portanto, uma oração poderosa a qual podemos ministrar mutuamente, principalmente, os pais e mães, avôs, avós, aos seus filhos e netos, da mesma forma como a recebemos de Maria, a bênção de Mãe! A bênção do pai e da mãe é o começo para todos os projetos de uma família. Pai e mãe representam aqui a autoridade de Deus Pai Criador do céu e da terra.  Quando a família abre o coração para acolher as graças de Deus por meio da bênção dos seus progenitores, como manda a Palavra, as coisas acontecem conforme os desígnios divinos. As promessas de Deus se cumprem na medida da nossa Fé e confiança, assim sendo, nós não podemos perder tempo. Hoje é o dia em que o Senhor Deus derrama sobre todos nós paz e amor em abundância a fim de que possamos nos apropriar de todas as graças que Ele já destinou para nós e a nossa família. – Experimente hoje fazer esta invocação conforme mostra a Leitura e a ministre às pessoas da sua casa, com muita fé e respeito.  Assim, você estará obedecendo a Palavra de Deus.

Salmo - Sl 66,2-3.5.6.8 (R. 2a)

R. Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção.

2Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção,*
e sua face resplandeça sobre nós!
3Que na terra se conheça o seu caminho*
e a sua salvação por entre os povos.R.


5Exulte de alegria a terra inteira,*
pois julgais o universo com justiça;
os povos governais com retidão,*
e guiais, em toda a terra, as nações. R.


6Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor,*
que todas as nações vos glorifiquem!
8Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe,*
e o respeitem os confins de toda a terra! R.


Reflexão - O salmo também é um apelo para que o Senhor nos dê graça e bênção e, ao mesmo tempo, um chamado para que toda a terra reconheça a Sua grandeza, justiça e santidade. Todo aquele que recebe a bênção de Deus é alguém convidado a glorificar o Senhor e apregoar até os confins do universo a salvação que dele vem!  No começo de mais um ano é nosso dever e faz bem à nossa alma oferecer o nosso coração e a nossa vida como dom precioso para que Deus a abençoe nos perdoe e nos motive a viver com alegria. A luz do Senhor então, nos cobrirá e nos dirigirá com segurança pelos caminhos que ainda não atravessamos. Assim, nós não teremos medo de enfrentar o desconhecido nem tampouco de desbravar as barreiras que, com certeza, nós precisaremos enfrentar. A bênção do Senhor fará com que a nossa terra dê frutos bons que nos alimentarão durante todo este ano.
           

 

2a LEITURA - Gál 4,4-7

 

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas 4,4-7

Irmãos: 4Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei,
5a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. 6E porque sois filhos,
Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá - ó Pai! 7Assim já não és mais escravo, mas filho;
e se és filho, és também herdeiro: tudo isso, por graça de Deus. Palavra do Senhor.

Reflexão – “a plenitude dos tempos é agora”

Em Maria aconteceu a concretização do projeto de Salvação do homem, previsto por Deus desde toda a eternidade. Houve um tempo de maturação e somente na “plenitude dos tempos”, isto é, na hora marcada pelo Pai Jesus nasceu para nos dar uma nova vida. Para todas as coisas há sempre um tempo previsto. Assim também Deus deixa amadurecer em nós os Seus projetos que, por outro lado, necessitam da nossa adesão. Eles são sempre de resgate e de restauração das nossas vidas. Precisamos ter consciência, porém, de que a plenitude dos tempos já chegou. Jesus já veio e o momento é propício para que nós aquiesçamos à salvação que Ele veio nos trazer. O tempo previsto está sempre se completando para todos aqueles que ainda não se conformaram ao Projeto do Pai. Quando dizemos sim a Jesus, nós nos tornamos filhos e filhas do Pai e nos apossamos do Seu amor que foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo. O Espírito Santo é o Dom de Deus para todos os que foram adotados (as) por Jesus Cristo e é Ele quem nos convence de que já não somos mais escravos, porém filhos, herdeiros da graça do Amor de Deus Pai.  O mesmo amor que foi gerado em Maria é também gerado em nós e assim nós nos tornamos missionários (as) da graça de Deus no mundo. – Você tem consciência de que é filho e herdeiro de todas as dádivas de Deus? – Você tem usufruído desta riqueza ou vive mendigando as migalhas de felicidade que o mundo oferece? – Você já vive na plenitude dos tempos?

 

Evangelho – Luc 2, 16-21

+
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 2,16-21

Naquele tempo:16Os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido, deitado na manjedoura. 17Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito
sobre o menino. 18E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam. 19Quanto a Maria, guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração.
20Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito. 1Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino,
deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido. Palavra da Salvação.

 

Reflexão - “Todos ficaram maravilhados com as palavras do Anjo 

Diante da admiração das pessoas que ouviram o relato dos pastores sobre o que os anjos lhes anunciaram, Maria deu um verdadeiro exemplo de sobriedade, de discrição e de simplicidade.   Percebendo no seu coração os mistérios de Deus ela guardava tudo dentro de si e sondava qual seria a vontade do Pai para o Filho que nela fora gerado e agora era colocado no mundo. Outra mãe no seu lugar tornar-se-ia cheia de orgulho e admiração pela sua própria conquista, pelo privilégio, pela fama e ficaria apenas no superficial. No entanto, Nossa Senhora guardava os fatos e meditava sobre eles em seu coração. O exemplo de Maria é para nós uma lição preciosa diante das coisas extraordinárias que o Senhor nos anuncia e diante das quais todos ficam “maravilhados”! Guardar com carinho no nosso coração e perceber os sinais de Deus no desenrolar da nossa vida, confirmando-os na Palavra e nos ensinamentos evangélicos. A exemplo de Maria nós também precisamos ir fundo nos acontecimentos da nossa vida, a fim de perceber nas nossas “aparentes” conquistas o que é essencial para Deus e não para nós mesmos. Belém, hoje, é a nossa casa que recebe a visita da Santa Família de Nazaré e dos anjos que se apresentam para nos anunciar a chegada do Salvador. A Sagrada Família é modelo de obediência, de simplicidade, de humildade e de justiça. Nela nós podemos nos nortear para cultivar relacionamentos de amor segundo a vontade do Pai. É na nossa casa que nos reunimos pai, mãe, filhos irmãos e irmãs. E é na família que acontece a salvação noticiada pelos pastores.   


– Você tem a Sagrada Família como modelo?

 – Qual é a influência que ela tem nas suas ações em família?

Como você encara a atitude de Maria?

 - Qual teria sido a sua atitude? 

 – A sua casa é um lugar onde habita a paz? 


Helena Serpa,

Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho

 

SANTO DO DIA - SOLENIDADE DE MARIA SANTÍSSIMA, MÃE DE DEUS

A Solenidade de Maria Santíssima, Mãe de Deus, é a primeira festa mariana que apareceu na Igreja Ocidental. Originalmente, a festa nasceu com o intuito de substituir o costume pagão das stranae (dádivas), cujo ritos não correspondiam com a santidade das celebrações cristãs. O título foi criado pelos cristãos para exprimir uma fé que não tinha relação com a mitologia pagã, a fé na concepção virginal, no seio de Maria, daquele que, desde sempre, era o Verbo Eterno de Deus.

Este título traz em si um dogma que dependeu de dois Concílios: em 325, o Concílio de Nicéia; e, em 381, o de Constantinopla. Esses dois concílios trataram de responder a respeito desse mistério da consubstancialidade de Deus uno e trino, Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

No século IV, ensinava o bispo Santo Atanásio: “A natureza que Jesus Cristo recebeu de Maria era uma natureza humana. Segundo a divina Escritura, o corpo do Senhor era um corpo verdadeiro, porque era um corpo idêntico ao nosso”. Maria é, portanto, nossa irmã, pois todos somos descendentes de Adão. Fazendo a relação deste mistério da encarnação, no qual o Verbo assumiu a condição da nossa humanidade com a realidade de que nada mudou na Trindade Santa, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio de Maria, a Trindade continua sendo a mesma; sem aumento, sem diminuição; é sempre perfeita. Nela, reconhecemos uma só divindade. Assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo, por isso, a Santíssima Virgem é a Mãe de Deus.

No terceiro Concílio Ecumênico, em 431, Maria Santíssima foi aclamada Mãe de Deus, em grego, Theotókos. Trata-se de um título que não aparece explicitamente nos textos evangélicos, embora eles recordem “a Mãe de Jesus” e afirmem que Ele é Deus (Jo 20,28; cf. 5,18; 10,30.33). Em todo o caso, Maria é apresentada como Mãe do Emanuel, que significa Deus conosco (cf. Mt 1,22-23).

A palavra Theotókos significa Mãe de Deus, que é o artigo que os católicos professam em Maria Santíssima; porém Theótocos quer dizer ‘gerada de Deus’, ponto que Nestório, patriarca de Constantinopla e grande inimigo da Virgem, duvidava e contestava a legitimidade do título. A mudança de acento na palavra altera o sentido, passando de um sentido bem preciso para outro vago.

Ao proclamar Maria “Mãe de Deus”, a Igreja professa com uma única expressão a sua fé acerca do Filho e da Mãe. Essa união emerge já no Concílio de Éfeso. Com a definição da maternidade divina de Maria, os padres queriam evidenciar a sua fé à divindade de Cristo. Não obstante as objeções, antigas e recentes, acerca da oportunidade de atribuir esse título a Maria, os cristãos de todos os tempos, interpretando corretamente o significado dessa maternidade, tornaram-no uma expressão privilegiada da sua fé na divindade de Cristo e do seu amor para com a Virgem.

Deus se fez carne por meio de Maria, começou a fazer parte de um povo, constituiu o centro da história. Ela é o ponto de união entre o céu e a terra.

Maria Santíssima, rogai por nós!

Referências:
Livro ‘Um Santo de cada dia’ – Mario Sgarbossa, Luigi Giovannini

Livro ‘Santos de cada dia’ – Organização de José Leite, S.J.