quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

O PAPA: CHIPRE, UMA PERÓLA DE GRANDE VALOR NO CORAÇÃO DO MEDITERRÂNEO



"Chipre, encruzilhada de civilizações, traz em si a vocação inata ao encontro, favorecida pelo caráter acolhedor dos cipriotas", disse Francisco no início de seu discurso, recordando que de Chipre, "onde se encontram Europa e Oriente, começou a primeira grande inculturação do Evangelho no continente".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O segundo discurso do Papa Francisco em terras cipriotas foi dirigido às Autoridades, à Sociedade Civil e ao Corpo Diplomático no Salão Cerimonial do Palácio Presidencial, em Nicósia, na tarde desta quinta-feira (02/12).

"Chipre, encruzilhada de civilizações, traz em si a vocação inata ao encontro, favorecida pelo caráter acolhedor dos cipriotas", disse Francisco no início de seu discurso, recordando que de Chipre, "onde se encontram Europa e Oriente, começou a primeira grande inculturação do Evangelho no continente". "Com profunda emoção percorro os passos dos grandes missionários das origens, em particular de São Paulo, São Barnabé e São Marcos", frisou o Papa, recordando que está entre os cipriotas como "peregrino" e que "os primeiros cristãos deram ao mundo, com a força suave do Espírito, uma mensagem de beleza sem precedentes": "A surpreendente novidade da bem-aventurança ao alcance de todos que conquistou os corações e a liberdade de muitos. Este país possui uma herança particular em tal sentido, como mensageiro de beleza entre os continentes".

Segundo Francisco, "Chipre refulge de beleza no seu território, que deve ser protegido e salvaguardado com oportunas políticas ambientais concordadas com os vizinhos". "Uma pérola de grande valor no coração do Mediterrâneo", disse ainda o Papa.

De igual modo a beleza desta terra deriva das culturas que se cruzaram e misturaram ao longo dos séculos. Mesmo hoje a luz de Chipre tem muitas tonalidades: muitos são os povos e as raças que, com cores diferentes, compõem a gama cromática desta população. Penso também na presença de muitos imigrantes, a percentagem mais significativa entre os países da União Europeia.

"Uma pérola gera a sua beleza em circunstâncias difíceis. Nasce na obscuridade, quando a ostra «padece» depois de ter sofrido uma visita inesperada que mina a sua incolumidade, como, por exemplo, um grão de areia que a irrita. Para se proteger, reage assimilando aquilo que a feriu: envolve o que é perigoso e estranho para ela e transforma-o em beleza, numa pérola", disse Francisco, acrescentando:

A pérola de Chipre viu-se obscurecida pela pandemia, que impediu muitos visitantes de entrar e ver a sua beleza, agravando – como noutros lugares – as consequências da crise econômico-financeira. Neste período de retoma, porém, não há de ser a ânsia de recuperar o perdido que pode garantir um desenvolvimento sólido e duradouro, mas o empenho em promover a sanidade da sociedade, particularmente através duma decidida luta à corrupção e às pragas que lesam a dignidade da pessoa; penso, por exemplo, no tráfico de seres humanos.

"Mas a ferida que mais faz sofrer esta terra, é causada pela terrível laceração que padeceu nas últimas décadas", disse ainda o Papa, recordando o "sofrimento interior de quantos não podem voltar para as suas casas e locais de culto".

Rezo pela vossa paz, pela paz de toda a ilha, e almejo-a com todas as forças. O caminho da paz, que sara os conflitos e regenera a beleza da fraternidade, está marcado por uma palavra: diálogo. Devemos ajudar-nos a crer na força paciente e serena do diálogo, haurindo-a das Bem-aventuranças. Sabemos que não é uma estrada fácil; é longa e tortuosa, mas não há alternativa para se chegar à reconciliação. Alimentemos a esperança com a força dos gestos, em vez de esperar em gestos de força.

A propósito de diálogo, o Pontífice manifestou apreço pelo Caminho Religioso do Processo de Paz de Chipre, promovido pela Embaixada da Suécia, a fim de cultivar o diálogo entre os líderes religiosos, e reiterou a não deixar prevalecer o ódio, não desistir de curar as feridas, não esquecer a situação das pessoas desaparecidas.

Segundo o Papa, "quando vier a tentação de desanimar", é melhor pensar "nas gerações futuras, que desejam herdar um mundo pacificado, colaborador, coeso, não habitado por rivalidades perenes e poluído por disputas não resolvidas". "Para isso serve o diálogo", ressaltou Francisco, "sem o qual crescem a suspeita e o ressentimento", e citou como exemplo o "Mediterrâneo, agora lugar infelizmente de conflitos e tragédias humanitárias; na sua beleza profunda, é o mare nostrum, o mar de todos os povos que se banham nele para estar ligados, não divididos. Chipre, encruzilhada geográfica, histórica, cultural e religiosa, tem esta posição para implementar uma ação de paz. Seja um estaleiro aberto de paz no Mediterrâneo".

O Papa concluiu o seu discurso, ressaltando que "o continente europeu precisa de reconciliação e unidade", e convidando a olhar para a história de Chipre e ver que "o encontro e o acolhimento deram frutos benéficos a longo prazo: não só no que se refere à história do cristianismo, para a qual Chipre foi «a rampa de lançamento» no continente, mas também para a construção duma sociedade que encontrou a sua riqueza na integração. Este espírito de alargamento, esta capacidade de olhar para além das próprias fronteiras rejuvenesce, permite reencontrar o brilho perdido".

 

Fonte: Vatican News


PAPA CHEGA A CHIPRE, "UMA VIAGEM EM QUE TOCAREMOS NAS CHAGAS"

 

Teve início a 35ª viagem apostólica do Papa Francisco a Chipre e à Grécia. Pela manhã os encontros do Papa com dois grupos de migrantes de várias nacionalidades, o primeiro acompanhado à Casa Santa Marta pela Comunidade de Santo Egídio e o segundo da Paróquia de Santa Maria dos Anjos perto do Aeroporto de Fiumicino.

Amedeo Lomonaco – Vatican News

O voo com o Papa Francisco a bordo aterrou no aeroporto de Larnaca, em Chipre, na tarde desta quinta-feira (02/12). O Santo Padre foi acolhido por um lindo sol, visto que aqui em Roma a chuva não dá trégua, e pelo sorriso de muitos que aguardam suas palavras de encorajamento e consolo. As crianças cantaram com alegria para o Papa a música "Francesco, nós te amamos". O Santo Padre agradeceu aos jornalistas que o acompanharam durante a viagem.

Uma viagem bonita e também tocaremos algumas chagas. Espero que possamos acolher todas as mensagens que encontraremos. Muito obrigado por sua companhia.

No final das boas-vindas oficiais no Aeroporto de Larnaca, o Papa Francisco foi de carro à capital Nicósia onde, na Catedral Maronita de Nossa Senhora das Graças, encontra com o clero e os movimentos eclesiais de Chipre.

 

Esta manhã, às 11h05, o Papa partiu do Aeroporto de Roma Fiumicino. "Pela manhã, depois de deixar o Vaticano, o Papa fez uma parada na Paróquia de Santa Maria dos Anjos, perto do Aeroporto de Fiumicino, onde rezou diante da imagem de Nossa Senhora de Loreto e encontrou cerca de 15 refugiados hospedados na paróquia", ressalta uma nota da Sala de Imprensa da Santa Sé.

 

O Papa encontra os imigrantes na paróquia romana

Ainda pela manhã, "antes de deixar a Casa Santa Marta, o Pontífice saudou um grupo de 12 refugiados acompanhados pelo Esmoleiro do Papa, cardeal Konrad Krajewski. Os imigrantes, agora residentes na Itália, vêm da Síria, Congo, Somália e Afeganistão. Eles passaram pelo campo de Lesbos nos últimos anos e foram recebidos em sua chegada pela Comunidade de Santo Egídio. Dentre eles, alguns vieram com Francisco no avião papal em 2016", ressalta outra nota da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Maria Quinto, da Comunidade de Santo Egídio envolvida no projeto dos corredores humanitários, sublinha que o Pontífice pediu a eles para rezar pela viagem e disse que voltará a Lesbos para estar perto dos que ainda estão ali.

Antes de deixar a Casa Santa Marta, o Papa se encontrou com um grupo de refugiados acompanhados pelo cardeal Konrad Krajewski. Como aconteceu esse encontro?

Maria Quinto: Foi um encontro muito familiar e simples. Estiveram presentes algumas famílias. Havia uma família somali com uma mãe deficiente acompanhada por três filhos. Todas as famílias vinham de Lesbos, como esta mulher deficiente que fez a perigosa viagem de barco carregada nos braços por seus filhos. Todos chegaram à Itália pelos corredores humanitários. O Papa ficou muito emocionado ao ouvir suas histórias. Ele se encontrou novamente com a família de um jovem que chegou de Lesbos no vôo papal de 2016. Ele agora está casado, tem um filho e espera o segundo. Trabalha regularmente. O Papa ouviu com satisfação o caminho de integração desta família. Todos ficaram muito felizes com este encontro. Após a chegada do pai de família no voo papal em 2016 de Lesbos para a Itália, também chegou sua esposa, que morava no Líbano. Eles se reuniram e nos últimos anos foi trilhado um caminho muito positivo com o acompanhamento da Comunidade de Santo Egídio.

O que o Papa disse aos imigrantes?

Maria Quinto: O Papa pediu-lhes que rezassem pela viagem e acrescentou que voltava a Lesbos para estar perto dos que ainda estão ali. Os refugiados foram muito atingidos. A experiência de ter vivido no campo de refugiados de Lesbos os marcou.

O que os imigrantes disseram a Francisco?

Maria Quinto: Eles contaram suas histórias. Havia pessoas que chegaram à Itália há 5 meses, outros dois anos e uma família há um ano. Cada um falou alguma coisa sobre seu percurso. Uma mulher do Congo expressou sua alegria por seus filhos poderem ir à escola na Itália. São três crianças que frequentam o Ensino Fundamental. Uma família afegã expressou sua preocupação com este momento particular que seu país está vivendo.

Um encontro em que se reviram as feridas e as cicatrizes de Lesbos, mas também um olhar de esperança voltado, também através da oração, para a viagem do Papa Francisco à Grécia...

Maria Quinto: Sim, através da oração e este caminho acompanhado, como também várias vezes Francisco sublinhou, pela integração, porque é importante viver juntos de forma construtiva nas comunidades que os acolhem.

Telegramas dos países sobrevoados

O Papa faz uma visita pastoral a Chipre e à Grécia "como um peregrino que anseia por fontes antigas", lê-se no telegrama pontifício enviado ao Presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, ao deixar a Itália, "com o desejo sincero de encontrar os irmãos na fé e as populações locais". Em seguida, Francisco saúda todo o povo italiano com a esperança de "serenidade e cooperação mútua para o bem comum".

Em sua mensagem de resposta, Mattarella sublinhou que a viagem do Papa é "uma viagem apostólica no coração do Mediterrâneo, em cujas margens povos e culturas se encontraram e se confrontaram ao longo dos séculos num processo de enriquecimento recíproco". É "uma encruzilhada de importância fundamental", acrescentou o Chefe de Estado, na qual todos devem se comprometer a fim de fazer "prevalecer as razões da paz, do acolhimento e da compreensão mútua" sobre a "lógica que alimenta as violações da dignidade da pessoa e de seus direitos fundamentais".

Na viagem de ida para Chipre, o avião papal também sobrevoou o espaço aéreo da Grécia, país que receberá Francisco nos próximos dias. Num telegrama ao presidente da República Helênica, Katerina Sakellaropoulou, o Pontífice fez seus "melhores votos de oração" aos cidadãos, invocando "a bênção de Deus sobre todos" e aguardando "com grande alegria" a "iminente visita" ao país.

 

Fonte: Vatican News

O TEMPO DE DEUS

 

Pe. Johnja López

EVANGELHO DO DIA


+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 7,21.24-27

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 2lNem todo aquele que me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus.
24Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática,
é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha. 26Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!' Palavra da Salvação.

REFLEXÕES SOBRE AS LEITURAS DE HOJE

 

 2 DE DEZEMBRO DE 2021

 

5ª. FEIRA DA PRIMEIRA SEMANA

 

DO ADVENTO

Cor Roxo

 

Leitura - Is 26,1-6

 

Leitura do Livro do Profeta Isaías 26,1-6

1Naquele dia, cantarão este canto em Judá: 'Uma cidade fortificada é a nossa segurança; o Senhor cercou-a de muros e antemuro. 2Abri as suas portas, para que entre um povo justo,
cumpridor da palavra, 3firme em seu propósito;
e tu lhe conservarás a paz, porque confia em ti. 4Esperai no Senhor por todos os tempos, o Senhor é a rocha eterna. 5Ele derrubou os que habitam no alto, há de humilhar a cidade orgulhosa, deitando-a por terra, até fazê-la beijar o chão.
6Hão de pisá-la os pés, os pés dos pobres, as passadas dos humildes. Palavra do Senhor.

 

 

Reflexão - “a cidade acalentada por nós”

Quando fala em cidade fortificada o profeta Isaías se refere ao reino de Deus que acontece no coração de todo homem e de toda mulher que se ajusta ao plano de Deus. A cidade fortificada é a cidade sonhada e projetada por Deus para nós, portanto, a nossa confiança em Deus e nas Suas promessas nos manterão de pé em qualquer situação, mesmo nos momentos que estamos correndo perigo. Todos nós desejamos viver numa “cidade fortificada” e segura, no entanto, na medida em que o mundo se arma e se isola para se proteger, também crescem o desamor, a miséria e a violência. Quanto mais o mundo se moderniza e avança por causa da inteligência humana mais também ele fica refém do próprio homem. No entanto, a partir das nossas ações, mesmo dentro deste contexto, ainda podemos acalentar a esperança de um mundo melhor. Enquanto aqui estivermos podemos ser colaboradores na construção de uma cidade que seja consequência do que acalentamos no coração e das nossas ações e reações de justiça. Todas as nossas motivações partem originariamente dos nossos pensamentos, maquinações, boas intenções e bons propósitos. Portanto, lá no mais profundo do nosso íntimo, advém a cidade acalentada por nós: lugar de entendimento e de concórdia, de amor, de paz e de justiça. O povo justo que entrará nesta cidade é o povo que vive desde hoje os ensinamentos do Evangelho e tem consciência de que o perdão supera o ódio, de que aquele que se humilha será exaltado e de que quem se exalta será humilhado. A cidade santa é o próprio Deus que já veio morar no meio de nós e se faz presente no nosso coração por meio da Palavra e da Eucaristia. Ele é como uma cidade fortificada e cercada de muros e antemuro para a nossa segurança.  É o Coração de Jesus Cristo, nosso Senhor que já habita no íntimo do nosso ser e faz parte do nosso corpo, pelo poder do Espírito Santo. – Você se sente seguro aqui na terra? – De quem você espera proteção? – Você confia nos homens sábios e inteligentes à moda do mundo? – Você tem vivido dentro dos ensinamentos evangélicos? – Você é perseguido por causa da justiça de Deus?

 

Salmo - Sl 117 (118) 1.8-9. 19-21. 25-27a (R. 26a)

 

R. Bendito é aquele que vem vindo em nome do Senhor!
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia


1Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! *
'Eterna é a sua misericórdia!'
8É melhor buscar refúgio no Senhor, *
do que pôr no ser humano a esperança;
9é melhor buscar refúgio no Senhor, *
do que contar com os poderosos deste mundo!' R. 

19Abri-me vós, abri-me as portas da justiça; *
quero entrar para dar graças ao Senhor!
20'Sim, esta é a porta do Senhor, * 
por ela só os justos entrarão!'
21Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes *
e vos tornastes para mim o Salvador!R. 

25Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação, *
ó Senhor, dai-nos também prosperidade!'
26Bendito seja, em nome do Senhor, *
aquele que em seus átrios vai entrando!
Desta casa do Senhor vos bendizemos. *
27aQue o Senhor e nosso Deus nos ilumine!R

 

Reflexão - A misericórdia do Senhor é eterna por isso somente Ele nos compreende e nos dá abrigo, perdoa as nossas faltas e nos ama do jeitinho que somos. Ninguém, por melhor ou mais poderoso (a) que seja, pode nos oferecer a salvação e com ela a prosperidade, a paz e a segurança que o Senhor pode nos dar.  É justo aquele (a) que confia no amor e na misericórdia de Deus que estão de portas abertas para acolher a todos os que quiserem entrar. Ser justo (a) é acreditar nas promessas de Deus e acolher a Sua vontade.

 

Evangelho - Mt 7,21.24-27

 

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 7,21.24-27

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 2lNem todo aquele que me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus.
24Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática,
é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha. 26Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!' Palavra da Salvação.

 

Reflexão – “construindo a nossa história”

Ao soprar sobre nós o Seu Espírito, Deus nos animou e deu liberdade para construir a casa onde nos abrigaríamos durante o tempo em que aqui estivéssemos. Portanto, a casa é a nossa vida. Perante as Palavras de Jesus nós percebemos que existem dois alicerces para construirmos a nossa casa, sobre a rocha ou sobre a areia.  A Rocha é a Palavra de Deus com todos os ensinamentos e direcionamentos. A areia é a ilusão dos ensinamentos do mundo. Assim sendo, podemos já observar sobre quais fundamentos nós estamos passando os nossos dias. Muitas vezes pensamos que estamos construindo um futuro promissor, porque estamos estudando, trabalhando, ganhando dinheiro, enfim, aproveitando a vida e isto tudo é muito válido. No entanto, precisamos verificar se tudo isso está dando sentido a nossa existência ou se estamos vivendo apenas uma utopia e na realidade, a nossa vida está cheia de senões.  Não precisamos ir muito longe, mas apenas perceber quais as decisões que teríamos de tomar e estamos deixando para depois; o perdão que precisamos dar e não damos o primeiro passo; a oração que deixamos de fazer; a caridade que deixamos de realizar por comodismo; e muitas outras coisinhas que nos vão deixando vulneráveis e fracos na fé.  A Palavra de Deus nos direciona e nos dá subsídios para termos uma base firme. Somente permanecendo firmes na vivência da Palavra de Jesus, concretizando com as nossas ações o que proferimos com os nossos lábios, é que construiremos a nossa história sobre a Rocha e a nossa casa não se abalará na hora das tempestades. Do contrário quando construímos a nossa história sobre os falsos fundamentos do mundo quando vier a hora da tempestade a nossa vida ruirá e nós experimentaremos o fracasso. Deus é a Rocha e o Seu Amor nos ajudará a viver a vida com confiança e firmeza, por isso, as tempestades, os terremotos e os ventos não nos abalarão. As dificuldades pelas quais passamos, tornam-se momentos preciosos que nos provam se estamos, realmente, firmados sobre a R0CHA. 

– Como você está construindo a sua casa: na Rocha ou na areia?

 – Em quem você põe a sua confiança?

 – Você já enfrentou alguma tempestade? 

- Com quem você contou? 

– Você tem fé?

 

Helena Serpa,

Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho

SANTO DO DIA - SÃO SILVÉRIO

 Não há registros exatos sobre a data do nascimento de São Silvério. Nascido em Frosinone, Itália, era filho do Papa Hormisdas, que havia se casado antes de se tornar membro do alto clero.

Silvério entrou para o serviço da Igreja, em abril de 536, após a morte do Papa Agapito. Foi eleito mesmo com o descontentamento de muitos, que não o queriam como Papa, pois, na época, ele era apenas um subdiácono, um ofício religioso considerado muito baixo para ter acesso ao trono de Pedro. Entretanto, o rei Teodato, com uma ameaça, impôs a sua eleição, restando ao clero aceitar apenas.

Uma das maiores opositoras de São Silvério foi Teodora, esposa do imperador oriental Justiniano, partidária dos Monofisistas (doutrina teológica desenvolvida entre o ano 400, pelo arquimandrita Eutíquio, que nega a natureza divina de Cristo). Teodora havia escolhido para sucessor de Agapito, seu pupilo Virgílio.

A doutrina Monofisismo, condenada herética pelo Concílio de Calcedônia, em 451, conseguiu encontrar prosélitos por volta dos séculos V e VI, causando uma grande separação de Roma entre as Igrejas Copta, Armênia e Jocobita da Síria.

No decorrer desse conflito, no ponto de vista político, complicava-se a situação na península italiana que, na época, era disputa entre Constantinopla e os invasores Godos. O pontificado de Silvério e toda a esfera religiosa pagavam todo o preço nessa disputa de poderes. O imperador Justiniano acabou por declarar guerra contra os Ostogodos, enviando seu melhor general, Belizário para o combate.

Neste contexto, Teodora ainda travava uma batalha contra Silvério, onde tentava abrandar suas posições em favor de Monofisismo. Entretanto, não tendo sucesso, tramou um complô contra Silvério; com uma carta falsa afirmava que o Papa havia permitido a entrada dos Godos em Roma para libertá-los dos Bizantinos. Sem o direito de explicar-se, Silvério foi despojado de suas vestes papais e, vestido como monge, foi levado para Constantinopla. Sem ajuda, acabou sendo deportado para Patara, na Lícia. Em seu lugar, Virgílio tornou-se Papa, mas não foi hostil ao Monofisismo.

Eleito como o 58º Papa da Igreja de Roma, o pontificado de Silvério durou apenas um ano, por causa dessa grande guerra que perdurou por 18 anos.

O Bispo de Patara, disposto a inocentar Silvério, apresentou ao imperador provas irrefutáveis que provavam a inocência de Silvério, que obrigaram Justiniano a libertá-lo e mandá-lo de volta para Roma. Porém, Virgílio, para se defender, fez com que o general Belizário prendesse Silvério e o deportasse para a ilha das Pontinas, em Palmarola. Na tentativa de acabar com o cisma entre as Igrejas, neste território, Silvério decidiu abdicar e, em aproximadamente um mês, em 2 de dezembro de 537 faleceu. Foi declarado o santo padroeiro de sua cidade, Frosinone, Itália.

São Silvério, rogai por nós!

Referência:
vaticannews.va

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

FESTA DA VIDA: CULTURA DO ENCONTRO E DA PAZ


Este ano de 2021, o lema da 13ª Festa da Vida junta fraternidade e diálogo e promove a cultura do encontro e da paz. Será dia 12 de dezembro, das 14h30min às 16h30min, transmitida pelas redes sociais, Facebook e Youtube, da Arquidiocese de Fortaleza, pois a pandemia do coronavírus ainda não passou.

Desde 2009, a festa reúne cristãos, não cristãos e até sem fé celebram o que fizeram pela vida, em conjunto ou separadamente. Assim é que católicos, protestantes e grupos, movimentos sociais expõem suas atividades. Nos dois últimos anos, esta exposição está sendo feita via internet, mas antes, ocorria em praças do centro ou de bairros de Fortaleza.

Do ponto de vista da fé cristã católica, é um momento de louvar a Deus pelo que se fez para preservar e aperfeiçoar a criação. Eis por que a Festa é celebrada no Domingo da Alegria, o terceiro domingo do Advento, tempo em que a liturgia prepara os fiéis para o Natal. Em uma perspectiva civil, é ocasião de mostrar a solidariedade entre pessoas e grupos na denúncia do sofrimento, na tentativa de pelo menos diminuir os efeitos da pobreza e da desigualdade.

A Festa ocorre desde 2009. Surgiu da reflexão em torno da Campanha da Fraternidade desde o ano anterior. Esta é a razão de sempre seu lema acompanhar o da campanha feita a cada ano, na quaresma. São, portanto, dois momentos de reflexão e de expor ações em favor das outras pessoas.

Como no ano passado, pastorais, grupos e movimentos receberam o desafio de colocar em um pequeno vídeo o que fazem na promoção da vida.

*Ademir Costa é jornalista e

diretor do Movimento Proparque

Carta de dom Júlio César de Jesus para a 13ª Festa da Vida

Amado irmão e irmã!

          Aproxima-se a 13ª Festa da vida de nossa Arquidiocese de Fortaleza. Queremos recordar aquilo que São João Paulo II em sua encíclica Centesimus Annus afirmou: “Necessitamos considerar a Família como o Santuário da Vida”! Cremos que a vida é dom de Deus. Ela precisa ser acolhida e protegida contra os múltiplos ataques a que está exposta.

          Toda pessoa humana desde o instante de sua fecundação tem direito a desenvolver-se segundo as exigências de um crescimento humano autêntico. Para nós cristãos, celebrar a festa da vida, significa unir-nos contra a denominada cultura da morte, por cujo engenho humano busca suprimir ou anular as fontes da vida, chegando até o recurso do aborto. Defendemos a vida e a dignidade da pessoa humana, desde a sua concepção (fecundação) até o seu ocaso natural.

          Queremos com a 13ª Festa da Vida defender políticas que promovam e criem possibilidades à vida. Como cristãos não cedemos às pressões intoleráveis de políticas cuja ideologia estenda seu raio de ação numa guerra que envenena a vida dos seres humanos mais indefesos e vulneráveis. Em nome da nossa fé não existe nenhuma empresa humana superior ao valor da vida, por isso, em nome desta mesma fé, não nos subordinamos a nenhum poder ou sistema que ignora a dimensão sagrada e inviolável da vida humana.

          Neste tempo do Advento propício para refletirmos o nascimento de Jesus como o maior acontecimento da humanidade recordamos todos os nascituros, pois entendemos que o feto que se encontra no ventre materno já goza do direito a vida, que a mulher grávida não é dona do feto para dispor dele como queira e por esse motivo tem o dever de cuidar para que o mesmo tenha direito a vida e ser respeitado na sua integridade de ser humano, como a de qualquer pessoa já nascida.

            Agradecemos todas as pastorais, organismos e movimentos de nossa arquidiocese que estão empenhados, no dia-a-dia, no cuidado e defesa da vida. No núcleo da consciência ética da humanidade está assentado o respeito à vida humana, à vida do próximo e à própria vida. Na história evolutiva das ideias

morais, pode-se encontrar justificação para a afirmação de que o respeito pela vida humana é um dos eixos principais em redor dos quais se desenvolveu a consciência ética da humanidade. O quinto mandamento do decálogo constitui uma expressão básica do êthos humano, ele veio para ser na moral cristã, sobretudo na manualística, a expressão sintética de todos os problemas morais relacionados com a vida corporal do homem.

          “Tu não matarás” é uma metodologia de positivismo bíblico. São João Duns Escoto vê neste mandamento a proibição de modo absoluto qualquer ocisão voluntária de um homem, seja justo ou malfeitor, somente torna-se legitima a morte de um malfeitor ou de um inocente mediante uma dispensa formal de Deus.

          Venha participar conosco no dia 12 de dezembro, festa de Nossa Senhora de Guadalupe, terceiro domingo do Advento, da nossa 13ª Festa da Vida que neste ano traz como tema: “Fraternidade e Diálogo: Promovendo a cultura do Encontro e da Paz”. Esperamos por você e sua família, de forma virtual, a partir das 14h30min através das nossas redes sociais da Arquidiocese de Fortaleza

          Que Maria Santíssima, Nossa Senhora da Assunção e seu castíssimo esposo São José interceda por nós e nos abençoe.

Dom Júlio César Souza de Jesus

Bispo Auxiliar de Fortaleza.

Fonte: Site da Arquidiocese de Fortaleza