quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

PAPA FRANCISCO CHAMA POVO BRASILEIRO DE "CORAJOSO E ALEGRE" EM MENSAGEM DE ANO-NOVO

O Papa Francisco enviou uma mensagem de Ano Novo ao povo brasileiro na última quarta (31). Um vídeo de 7 minutos produzido pelo Vaticano e exibido em vários telões da Praia de Copacabana para mais de 2 milhões de pessoas mostra o Papa Francisco lendo uma mensagem especial ao povo brasileiro, a quem o Sumo Pontífice chamou de 'corajoso e alegre'.
Na mensagem, o Papa declara seu amor à cidade do Rio de Janeiro que, em 2015, completa 450 anos e diz que, da perspectiva do Cristo Redentor, do alto da cidade, saltam aos olhos, em primeiro lugar, a beleza da cidade, mas também 'contradições que mancham esta beleza', como as desigualdades sociais. Ele pede, pouco depois, que ninguém fique de braços cruzados, a exemplo de um dos maiores símbolos da cidade.
O sumo sacerdote também relembrou sua passagem no Rio em 2013, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, quando, segundo ele, a cidade o recebeu de "braços abertos".
Confira na íntegra a mensagem enviada pelo Papa Francisco:
"Querido povo brasileiro,
É com grande alegria que me dirijo a vocês, às vésperas do Ano Novo, que marcará o início das comemorações pelos 450 anos de fundação da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, para saudar, numa tão feliz circunstância, o amado povo carioca, que me recebeu de braços abertos por ocasião da Jornada Mundial da Juventude de 2013, e acender o novo sistema de iluminação da Estátua do Cristo, como fez o Beato Papa Paulo VI há cinquenta anos, simbolizando a luz que o Senhor quer acender nas nossas vidas.
Quatrocentos e cinquenta anos já representam uma venerável história; a história de um povo corajoso e alegre que nunca se deixou abater pelas dificuldades, a exemplo de seu santo padroeiro, o Mártir romano Sebastião, que mesmo depois de ter sido alvejado por flechas e dado como morto, não deixou de dar testemunho de Cristo aos seus contemporâneos; a história de uma cidade que desde o seu nascimento esteve marcada pela fé. Querido povo carioca: «crê em Deus, e Ele cuidará de ti; endireita os teus caminhos e espera n’Ele. Conserva o seu temor, e n’Ele envelhecerás» (Eclo 2,6)!
Hoje, se pudéssemos nos colocar na perspectiva do Cristo Redentor, que do alto do Corcovado domina a geografia da cidade, o que é que nos saltaria aos olhos? Sem dúvida, em primeiro lugar, a beleza natural que justifica seu título de Cidade Maravilhosa; porém, é inegável que, do alto do Corcovado, percebemos igualmente as contradições que mancham esta beleza. Por um lado, o contraste gerado por grandes desigualdades sociais: opulência e miséria, injustiças, violência... Por outro, temos o que poderíamos chamar de cidades invisíveis, grupos ou territórios humanos que possuem registros culturais particulares. Às vezes parece que existem várias cidades, cuja coexistência nem sempre é fácil numa realidade multicultural e complexa. Mas, diante deste quadro, não percamos a esperança! Deus habita na cidade! Deus habita na cidade! Jesus, o Redentor, não ignora as necessidades e sofrimentos de quantos estão aqui na terra! Seus braços abertos nos convidam a superar estas divisões e construir uma cidade unida pela solidariedade, justiça e paz.
E qual seria o caminho a seguir? Não podemos ficar “de braços cruzados”, mas abrir os braços, como o Cristo Redentor. Por isso, o caminho começa pelo diálogo construtivo. Pois, "entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo no povo, porque todos somos povo" (Discurso à classe dirigente do Brasil, 26 de julho de 2013). Neste sentido, é preciso reconhecer que, independentemente do seu grau de instrução ou de riqueza, todas as pessoas têm algo para contribuir na construção de uma civilização mais justa e fraterna. De modo concreto, creio que todos podem aprender muito do exemplo de generosidade e solidariedade das pessoas mais simples; aquela sabedoria generosa de saber “colocar mais água no feijão”, da qual o nosso mundo ressente tanto.
Queridos amigos, tenho a certeza de que a Cidade Maravilhosa tem muito a oferecer ao Brasil e ao mundo. Por isso, ao acender as luzes do Corcovado, faço minhas as palavras pronunciadas pelo Beato Papa Paulo VI, no dia 1º de janeiro de 1965: que "esta luz, iluminando a cidade do Rio de Janeiro, se espalhe por todo o Brasil" (Paulo VI, Insegnamenti, III). Assim, depositando aos pés de Nossa Senhora Aparecida estes votos e agradecendo ao Cardeal Dom Orani Tempesta pela oportunidade de poder lhes dirigir esta mensagem, felicito todos os cariocas e o povo brasileiro por esta “festa de aniversário”, pedindo, por favor, que rezem sempre por mim. E desejando um feliz ano de dois mil e quinze, a todos e cada um envio a minha Bênção Apostólica. Obrigado."
Fonte: Diário do Nordeste

SOLENIDADE DE SANTA MARIA, MÃE DE DEUS



Cidade do Vaticano (RV) - Oitavas de Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que graça para nós começarmos o primeiro dia do ano contemplando este mistério da encarnação que fez da Virgem Maria a Mãe de Deus!
Este título traz em si um dogma que dependeu de dois Concílios, em 325 o Concílio de Nicéia, e em 381 o de Constantinopla. Estes dois concílios trataram de responder a respeito desse mistério da consubstancialidade de Deus uno e trino, Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
No mesmo século, século IV, já ensinava o Bispo Santo Atanásio: “A natureza que Jesus Cristo recebeu de Maria era uma natureza humana. Segundo a divina Escritura, o corpo do Senhor era um corpo verdadeiro, porque era um corpo idêntico ao nosso”. Maria é, portanto, nossa irmã, pois todos somos descendentes de Adão.
Fazendo a relação deste mistério da encarnação, no qual o verbo assumiu a condição da nossa humanidade com a realidade de que nada mudou na Trindade Santa, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio de Maria, a Trindade continua sendo a mesma; sem aumento, sem diminuição; é sempre perfeita. Nela, reconhecemos uma só divindade. Assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo, por isso, a Santíssima Virgem é a Mãe de Deus.
No terceiro Concílio Ecumênico em 431, foi declarado Santa Maria a Mãe de Deus. Muitos não compreendiam, até pessoas de Igreja como Nestório, Patriarca de Constantinopla, ensinava de maneira errada que no mistério de Cristo existam duas pessoas: uma divina e uma humana; mas não é isso que testemunha a Sagrada Escritura, porque Jesus Cristo é verdadeiro Deus em duas naturezas e não duas pessoas, uma natureza humana e outra divina; e a Santíssima Virgem é Mãe de Deus.
(from Vatican Radio)

PAPA FRANCISCO: "CRISTO E SUA MÃE, CRISTO E A IGREJA SÃO INSEPARÁVEIS"




Cidade do Vaticano (RV) – Neste 1º dia de 2015, o Papa Francisco presidiu na Basílica de São Pedro a Missa por ocasião da Solenidade da Mãe de Deus. Em sua homilia, o Papa recordou que “nenhuma criatura viu brilhar sobre si a face de Deus como Maria, que deu uma face humana ao Verbo eterno, para que todos nós O pudéssemos contemplar”. O Papa reiterou que “assim como Cristo e sua Mãe são inseparáveis”, “igualmente são inseparáveis Cristo e a Igreja”.
Francisco observou que entre Cristo e sua Mãe existe uma relação estreitíssima, como entre cada filho e sua mãe: “ A carne de Cristo, disse ele, foi tecida no ventre de Maria”. Maria, escolhida para ser a Mãe do Redentor, compartilhou intimamente toda a sua missão, até o calvário:
“Maria está assim tão unida a Jesus, porque recebeu d’Ele o conhecimento do coração, o conhecimento da fé, alimentada pela experiência materna e pela união íntima com o seu Filho. A Virgem Santa é a mulher de fé, que deu lugar a Deus no seu coração, nos seus projetos; é a crente capaz de individuar no dom do Filho a chegada daquela «plenitude do tempo» (Gl 4, 4) na qual Deus, escolhendo o caminho humilde da existência humana, entrou pessoalmente no sulco da história da salvação. Por isso, não se pode compreender Jesus sem a sua Mãe”.
Igualmente inseparáveis são Cristo e a Igreja – disse o Papa – observando que  não se pode compreender a salvação realizada por Jesus sem considerar a maternidade da Igreja:
“Separar Jesus da Igreja seria querer introduzir uma «dicotomia absurda», como escreveu o Beato Paulo VI. Não é possível «amar a Cristo, mas sem amar a Igreja, ouvir Cristo mas não a Igreja, ser de Cristo mas fora da Igreja». Na verdade, é precisamente a Igreja, a grande família de Deus, que nos traz Cristo. A nossa fé não é uma doutrina abstracta nem uma filosofia, mas a relação vital e plena com uma pessoa: Jesus Cristo, o Filho unigénito de Deus que Se fez homem, morreu e ressuscitou para nos salvar e que está vivo no meio de nós. Onde podemos encontrá-Lo? Encontramo-Lo na Igreja. É a Igreja que diz hoje: «Eis o Cordeiro de Deus»; é a Igreja que O anuncia; é na Igreja que Jesus continua a realizar os seus gestos de graça que são os sacramentos”.
A ação e missão da Igreja, observou o Santo Padre, exprimem a sua maternidade:
“De fato, ela é como uma mãe que guarda Jesus com ternura, e O dá a todos com alegria e generosidade. Nenhuma manifestação de Cristo, nem sequer a mais mística, pode jamais ser separada da carne e do sangue da Igreja, da realidade histórica concreta do Corpo de Cristo. Sem a Igreja, Jesus Cristo acaba por ficar reduzido a uma ideia, a uma moral, a um sentimento. Sem a Igreja, a nossa relação com Cristo ficaria à mercê da nossa imaginação, das nossas interpretações, dos nossos humores”.
Maria, disse o Papa, é “aquela que abre a estrada da maternidade da Igreja e sempre sustenta a sua missão materna destinada a todos os homens. O seu testemunho discreto e materno caminha com a Igreja desde as origens. Ela, Mãe de Deus, é também Mãe da Igreja e, por intermédio dela, é Mãe de todos os homens e de todos os povos”.
Ao concluir, o Pontífice recordou o Dia Mundial da Paz, celebrado no 1º dia do ano, pedindo que “o Senhor dê paz a estes nossos dias: paz nos corações, paz nas famílias, paz entre as nações”.  Ao recordar que o tema deste ano «Já não escravos, mas irmãos», Francisco disse:
“Todos somos chamados a ser livres, todos chamados a ser filhos; e cada um chamado, segundo as próprias responsabilidades, a lutar contra as formas modernas de escravidão. Nós todos, de cada nação, cultura e religião, unamos as nossas forças. Que nos guie e sustente Aquele que, para nos tornar irmãos a todos, Se fez nosso servo”. (JE) 

Eis a homilia do Papa Francisco na íntegra:
"Hoje voltam à mente as palavras com que Isabel pronunciou a sua bênção sobre a Virgem Santa: «Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 42-43).
Esta bênção está em continuidade com a bênção sacerdotal que Deus sugerira a Moisés para que a transmitisse a Aarão e a todo o povo: «O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te favoreça. O Senhor volte para ti a sua face e te dê a paz» (Nm 6, 24-26). Ao celebrar a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, a Igreja recorda-nos que Maria é a primeira destinatária desta bênção. N’Ela tem a sua realização perfeita: na verdade, mais nenhuma criatura viu brilhar sobre si a face de Deus como Maria, que deu uma face humana ao Verbo eterno, para que todos nós O pudéssemos contemplar.
E, para além de contemplar a face de Deus, podemos também louvá-Lo e glorificá-Lo como os pastores, que regressaram de Belém com um cântico de agradecimento depois de ter visto o Menino e a sua jovem mãe (cf. Lc 2, 16). Estavam juntos, como juntos estiveram no Calvário, porque Cristo e sua Mãe são inseparáveis: há entre ambos uma relação estreitíssima, como aliás entre cada filho e sua mãe. A carne de Cristo – que é charneira da nossa salvação (Tertuliano) – foi tecida no ventre de Maria (cf. Sal 139/138, 13). Tal inseparabilidade é significada também pelo facto de Maria, escolhida para ser Mãe do Redentor, ter compartilhado intimamente toda a sua missão, permanecendo junto do Filho até ao fim no calvário.
Maria está assim tão unida a Jesus, porque recebeu d’Ele o conhecimento do coração, o conhecimento da fé, alimentada pela experiência materna e pela união íntima com o seu Filho. A Virgem Santa é a mulher de fé, que deu lugar a Deus no seu coração, nos seus projectos; é a crente capaz de individuar no dom do Filho a chegada daquela «plenitude do tempo» (Gl 4, 4) na qual Deus, escolhendo o caminho humilde da existência humana, entrou pessoalmente no sulco da história da salvação. Por isso, não se pode compreender Jesus sem a sua Mãe.
Igualmente inseparáveis são Cristo e a Igreja, e não se pode compreender a salvação realizada por Jesus sem considerar a maternidade da Igreja. Separar Jesus da Igreja seria querer introduzir uma «dicotomia absurda», como escreveu o Beato Paulo VI (cf. Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 16). Não é possível «amar a Cristo, mas sem amar a Igreja, ouvir Cristo mas não a Igreja, ser de Cristo mas fora da Igreja» (Ibid., 16). Na verdade, é precisamente a Igreja, a grande família de Deus, que nos traz Cristo. A nossa fé não é uma doutrina abstracta nem uma filosofia, mas a relação vital e plena com uma pessoa: Jesus Cristo, o Filho unigénito de Deus que Se fez homem, morreu e ressuscitou para nos salvar e que está vivo no meio de nós. Onde podemos encontrá-Lo? Encontramo-Lo na Igreja. É a Igreja que diz hoje: «Eis o Cordeiro de Deus»; é a Igreja que O anuncia; é na Igreja que Jesus continua a realizar os seus gestos de graça que são os sacramentos.
Esta acção e missão da Igreja exprimem a sua maternidade. Na verdade, ela é como uma mãe que guarda Jesus com ternura, e O dá a todos com alegria e generosidade. Nenhuma manifestação de Cristo, nem sequer a mais mística, pode jamais ser separada da carne e do sangue da Igreja, da realidade histórica concreta do Corpo de Cristo. Sem a Igreja, Jesus Cristo acaba por ficar reduzido a uma ideia, a uma moral, a um sentimento. Sem a Igreja, a nossa relação com Cristo ficaria à mercê da nossa imaginação, das nossas interpretações, dos nossos humores.
Amados irmãos e irmãs! Jesus Cristo é a bênção para cada homem e para a humanidade inteira. Ao dar-nos Jesus, a Igreja oferece-nos a plenitude da bênção do Senhor. Esta é precisamente a missão do povo de Deus: irradiar sobre todos os povos a bênção de Deus encarnada em Jesus Cristo. E Maria, a primeira e perfeita discípula de Jesus, modelo da Igreja em caminho, é Aquela que abre esta estrada de maternidade da Igreja e sempre sustenta a sua missão materna destinada a todos os homens. O seu testemunho discreto e materno caminha com a Igreja desde as origens. Ela, Mãe de Deus, é também Mãe da Igreja e, por intermédio dela, é Mãe de todos os homens e de todos os povos.
Que esta Mãe doce e carinhosa nos obtenha a bênção do Senhor para a família humana inteira! Hoje, Dia Mundial da Paz, invoquemos de modo especial a sua intercessão para que o Senhor dê paz a estes nossos dias: paz nos corações, paz nas famílias, paz entre as nações. Este ano, a mensagem especial para o Dia Mundial da Paz reza: «Já não escravos, mas irmãos». Todos somos chamados a ser livres, todos chamados a ser filhos; e cada um chamado, segundo as próprias responsabilidades, a lutar contra as formas modernas de escravidão. Nós todos, de cada nação, cultura e religião, unamos as nossas forças. Que nos guie e sustente Aquele que, para nos tornar irmãos a todos, Se fez nosso servo!"

(from Vatican Radio)
 
Fonte: Rádio Vaticano 

PAPA FRANCISCO: MENSAGEM PELOS 450 ANOS DO RIO DE JANEIRO





Rio de Janeiro (RV) - Querido povo brasileiro,
É com grande alegria que me dirijo a vocês, às vésperas do Ano Novo, que marcará o início das comemorações pelos 450 anos de fundação da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, para saudar, numa tão feliz circunstância, o amado povo carioca, que me recebeu de braços abertos por ocasião da Jornada Mundial da Juventude de 2013, e acender o novo sistema de iluminação da Estátua do Cristo, como fez o Beato Papa Paulo VI há cinquenta anos, simbolizando a luz que o Senhor quer acender nas nossas vidas.
Quatrocentos e cinquenta anos já representam uma venerável história; a história de um povo corajoso e alegre que nunca se deixou abater pelas dificuldades, a exemplo de seu santo padroeiro, o Mártir romano Sebastião, que mesmo depois de ter sido alvejado por flechas e dado como morto, não deixou de dar testemunho de Cristo aos seus contemporâneos; a história de uma cidade que desde o seu nascimento esteve marcada pela fé. Querido povo carioca: «crê em Deus, e Ele cuidará de ti; endireita os teus caminhos e espera n’Ele. Conserva o seu temor, e n’Ele envelhecerás» (Eclo 2,6)!
Hoje, se pudéssemos nos colocar na perspectiva do Cristo Redentor, que do alto do Corcovado domina a geografia da cidade, o que é que nos saltaria aos olhos? Sem dúvida, em primeiro lugar, a beleza natural que justifica seu título de Cidade Maravilhosa; porém, é inegável que, do alto do Corcovado, percebemos igualmente as contradições que mancham esta beleza. Por um lado, o contraste gerado por grandes desigualdades sociais: opulência e miséria, injustiças, violência... Por outro, temos o que poderíamos chamar de cidades invisíveis, grupos ou territórios humanos que possuem registros culturais particulares. Às vezes parece que existem várias cidades, cuja coexistência nem sempre é fácil numa realidade multicultural e complexa. Mas, diante deste quadro, não percamos a esperança! Deus habita na cidade! Deus habita na cidade! Jesus, o Redentor, não ignora as necessidades e sofrimentos de quantos estão aqui na terra! Seus braços abertos nos convidam a superar estas divisões e construir uma cidade unida pela solidariedade, justiça e paz.
E qual seria o caminho a seguir? Não podemos ficar “de braços cruzados”, mas abrir os braços, como o Cristo Redentor. Por isso, o caminho começa pelo diálogo construtivo. Pois, «entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo no povo, porque todos somos povo» (Discurso à classe dirigente do Brasil, 26 de julho de 2013). Neste sentido, é preciso reconhecer que, independentemente do seu grau de instrução ou de riqueza, todas as pessoas têm algo para contribuir na construção de uma civilização mais justa e fraterna. De modo concreto, creio que todos podem aprender muito do exemplo de generosidade e solidariedade das pessoas mais simples; aquela sabedoria generosa de saber “colocar mais água no feijão”, da qual o nosso mundo ressente tanto.
Queridos amigos, tenho a certeza de que a Cidade Maravilhosa tem muito a oferecer ao Brasil e ao mundo. Por isso, ao acender as luzes do Corcovado, faço minhas, as palavras pronunciadas pelo Beato Papa Paulo VI, no dia 1º de janeiro de 1965: que «esta luz, iluminando a cidade do Rio de Janeiro, se espalhe por todo o Brasil» (Paulo VI, Insegnamenti, III).
Assim, depositando aos pés de Nossa Senhora Aparecida estes votos e agradecendo ao Cardeal Dom Orani Tempesta pela oportunidade de poder lhes dirigir esta mensagem, felicito todos os cariocas e o povo brasileiro por esta “festa de aniversário”, pedindo, por favor, que rezem sempre por mim. E desejando um feliz ano de dois mil e quinze, a todos e cada um envio a minha Bênção Apostólica. Obrigado. (SP)
(from Vatican Radio)

Fonte: Rádio Vaticano

EVANGELHO DO DIA

Lucas 2,16-21
 
 Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 16os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura.17Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito sobre o menino. 18E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam.19Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração.20Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito. 21Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido. Palavra da Salvação.

REFLEXÕES SOBRE AS LEITURAS DE HOJE

01/01/2015 – 5ª. feira – Maria Mãe de Deus -

 1ª. Leitura -Números 6, 22-27 – “O Senhor te abençoe e te guarde”
Neste primeiro dia do ano a liturgia nos convida a assumirmos também a
condição de filhos e filhas e a nos apossarmos da bênção do Pai do Céu,
cujo teor o próprio Deus nos ensinou por meio de Moisés. A benção de
Deus, portanto é o princípio para todas as nossas práticas do Ano que se
inicia. Peçamos ao Senhor que Ele nos abençoe e derrame sobre nós e
nossas famílias a Sua graça e a Sua paz. Para isso, nós podemos nos
apropriar desta invocação que nos foi proposta pelo próprio Deus. É uma
oração poderosa que, pais e mães devem também ministrá-la aos seus
filhos (as), como também cada um de nós, uns aos outros. A bênção do pai
e da mãe é a motivação para todos os projetos da família. Os pais
representam aqui a autoridade de Deus Pai Criador do céu e da terra.
Quando a família abre o coração para acolher as graças de Deus através
da bênção dos seus progenitores, como manda a Palavra, as coisas
acontecem conforme os desígnios divinos: “O Senhor te abençoe e te
guarde!” “O Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça!” “O
Senhor volva o seu rosto para ti e te dê a paz”! Esta prece contém a
aspiração de Deus ao nosso respeito e satisfaz ao que o nosso coração
também aspira: contemplar a face de Deus, ter sobre nós a Sua atenção,
Sua misericórdia e Sua paz! A paz de Deus excede a qualquer estado de
espírito que possamos experimentar. Ela provém do Amor atencioso e
zeloso que Ele dispensa aos Seus filhos e filhas. E finalmente, o Senhor
nos promete: “E assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e
eu os abençoarei". As promessas de Deus se cumprem na medida da nossa Fé
e confiança, assim sendo, nós não podemos perder tempo. Hoje é o dia em
que o Senhor Deus derrama sobre todos nós paz e amor em abundância a fim
de que possamos nos apropriar de todas as graças que Ela já destinou
para nós e a nossa família. – Experimente hoje fazer esta invocação
conforme mostra a Leitura e a ministre às pessoas da sua casa, com muita
fé e respeito. Assim você estará obedecendo a Palavra de Deus.


Salmo 66 - “Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção”.
O salmo também é um apelo para o que o Senhor nos dê graça e bênção e,
ao mesmo tempo, um chamado para que toda a terra reconheça a Sua
grandeza, justiça e santidade. Todo aquele (a) que recebe a bênção de
Deus é alguém convidado a glorificar o Senhor e apregoar até os confins
do universo a salvação que dele vem! No começo de mais um ano é nosso
dever e faz bem à nossa alma oferecer o nosso coração e a nossa vida
como dom precioso para que Deus a abençoe nos perdoe e nos motive a
viver com alegria. A luz do Senhor então, nos cobrirá e nos dirigirá com
segurança pelos caminhos que nós ainda não atravessamos. Assim, nós não
teremos medo de enfrentar o desconhecido nem tampouco de desbravar as
barreiras que, com certeza, nós precisaremos enfrentar. A bênção do
Senhor fará com que a nossa terra dê frutos bons que nos alimentarão
durante todo este ano.

2ª. Leitura Gálatas 4, 4-7 – “já não somos mais escravos”
Em Maria adveio a concretização do projeto de Salvação do homem que fora
previsto por Deus desde toda a eternidade. Houve um tempo de maturação e
somente na “plenitude dos tempos”, isto é, na hora marcada pelo Pai
Jesus nasceu para nos dar uma nova vida. Para todas as coisas há sempre
um tempo previsto. Assim também Deus deixa amadurecer em nós os Seus
projetos que, por outro lado, necessitam da nossa adesão. Eles são
sempre de resgate e de restauração das nossas vidas. Precisamos ter
consciência, porém, de que a plenitude dos tempos já chegou. Jesus já
veio e o momento é propício para que possamos aderir à salvação que Ele
veio nos trazer. O tempo previsto está sempre se completando para todos
aqueles (as) que ainda não se conformaram ao Projeto do Pai. Quando
dizemos sim a Jesus, nós nos tornamos filhos e filhas do Pai e nos
apropriamos do Seu amor que foi derramado nos nossos corações pelo
Espírito Santo. O Espírito Santo é o Dom de Deus para todos os que foram
adotados (as) por Jesus Cristo e é Ele quem nos convence de que já não
somos mais escravos, porém filhos, herdeiros da graça do Amor de Deus
Pai. O mesmo amor que foi gerado em Maria é também gerado em nós e assim
nós nos tornamos missionários (as) da graça de Deus no mundo. – Você tem
consciência de que é filho (a) e herdeiro (a) de todas as dádivas de
Deus? – Você tem usufruído desta riqueza ou vive mendigando a felicidade
que o mundo oferece? – Você já está na plenitude dos tempos?

Evangelho- Lucas 2, 16-21 – “o anúncio dos pastores”
Avisada pelos pastores sobre a aparição do Anjo, naquela noite santa do
nascimento de Jesus, Maria enxergou mais além do que todas as pessoas
percebiam e, por isso, “guardava todos esses fatos e meditava sobre eles
em seu coração.” Ela alcançava no seu coração os mistérios de Deus e
sondava qual seria a vontade do Pai para o Filho que nela fora gerado e
que agora era colocado no mundo. Outra mãe no seu lugar tornar-se-ia
cheia de orgulho e admiração pela sua própria conquista, pelo
privilégio, pela fama e ficaria apenas no superficial. Maria, no entanto
guardava os fatos e meditava sobre eles em seu coração. É este também o
nosso papel diante das coisas extraordinárias que nos são anunciadas:
guardar com carinho no nosso coração e perceber os sinais de Deus
através do desenrolar da nossa vida, confirmando-os na Palavra e nos
ensinamentos evangélicos. Dessa maneira Maria nos dá exemplo de
sobriedade, de discrição e de simplicidade. A exemplo de Maria nós
precisamos meditar profundamente nos acontecimentos da nossa vida, a fim
de que percebamos nas nossas “aparentes” conquistas, o que é essencial
para Deus e não para nós mesmos (as). Belém foi a cidade escolhida para
abrigar a Família de Nazaré e ser cenário do nascimento do Filho de
Deus. Belém, hoje pode ser a nossa casa local onde recebemos também a
visita da Santa Família de Nazaré e onde o anjo se apresenta para, mais
uma vez nos anunciar tudo o que diz respeito a esta família. A Sagrada
Família é modelo de obediência, de simplicidade, de humildade e de
justiça. Nela nós podemos nos nortear para cultivar relacionamentos de
amor segundo a vontade do Pai. É na nossa casa que nos reunimos pai,
mãe, filhos irmãos e irmãs. E é na família que acontece a salvação
noticiada pelos pastores, conforme lhes informara o anjo, mensageiro de
Deus. É para a nossa família toda que o Senhor promete derramar as
bênçãos. Abramos a porta da nossa casa para que a Sagrada Família nos
ensine a fazer a vontade do Pai e, então, todos os nossos planos serão
bem sucedidos. – Você tem a Sagrada Família como modelo? – Qual é a
influência ela tem nas suas ações em família? – Como você encara a
atitude de Maria?
– Qual teria sido a sua atitude? – A sua casa é um lugar onde habita a paz?
Helena Serpa,
Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho

SANTO DO DIA - SANTA MARIA MÃE DE DEUS

Oitavas de Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que graça para nós começarmos o primeiro dia do ano contemplando este mistério da encarnação que fez da Virgem Maria a Mãe de Deus!
Este título traz em si um dogma que dependeu de dois Concílios, em 325 o Concílio de Nicéia, e em 381 o de Constantinopla. Estes dois concílios trataram de responder a respeito desse mistério da consubstancialidade de Deus uno e trino, Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
No mesmo século, século IV, já ensinava o bispo Santo Atanásio: “A natureza que Jesus Cristo recebeu de Maria era uma natureza humana. Segundo a divina escritura, o corpo do Senhor era um corpo verdadeiro, porque era um corpo idêntico ao nosso”. Maria é, portanto, nossa irmã, pois todos somos descendentes de Adão. Fazendo a relação deste mistério da encarnação, no qual o Verbo assumiu a condição da nossa humanidade com a realidade de que nada mudou na Trindade Santa, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio de Maria, a Trindade continua sendo a mesma; sem aumento, sem diminuição; é sempre perfeita. Nela, reconhecemos uma só divindade. Assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo, por isso, a Santíssima Virgem é a Mãe de Deus.
No terceiro Concílio Ecumênico em 431, foi declarado Santa Maria a Mãe de Deus. Muitos não compreendiam, até pessoas de igreja como Nestório, patriarca de Constantinopla, ensinava de maneira errada que no mistério de Cristo existiam duas pessoas: uma divina e uma humana; mas não é isso que testemunha a Sagrada Escritura. porque Jesus Cristo é verdadeiro Deus em duas naturezas e não duas pessoas, uma natureza humana e outra divina; e a Santíssima Virgem é Mãe de Deus.
 
Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós!
Fonte: Canção Nova Notícias