Leão XIV cumpriu neste
sábado, 18 de abril, os primeiros compromissos de sua viagem apostólica em
Angola, com a visita de cortesia ao presidente da República e o encontro com as
autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático, na ocasião pronunciou seu
discurso em língua portuguesa, precedido pela saudação do chefe de Estado
angolano.
Thulio Fonseca -
Vatican News
Na tarde deste
sábado, 18 de abril, teve início a visita de Leão XIV a Angola, terceira etapa
de sua viagem ao continente africano que teve início na última segunda-feira
(13/04). O primeiro compromisso oficial do Papa foi no Palácio Presidencial
para uma visita de cortesia ao presidente da República e, em seguida,
encontrou-se com as autoridades, os representantes da sociedade civil e o corpo
diplomático, proferindo seu primeiro discurso em português.
Ao iniciar sua
intervenção, precedida pela saudação do presidente João Manuel Gonçalves
Lourenço, o Papa agradeceu o convite recebido e as palavras de boas-vindas,
afirmando ter chegado a Angola como peregrino desejoso de encontrar o povo e
reconhecer os sinais da presença de Deus naquela terra. No começo do discurso,
Leão XIV manifestou ainda proximidade às vítimas das fortes chuvas e inundações
na província de Benguela e às famílias que perderam suas casas.
O
tesouro da alegria
Falando em língua
portuguesa, idioma oficial do país, o Pontífice destacou que o povo angolano
possui tesouros que “não se vendem nem se roubam”, especialmente uma alegria
que resiste mesmo em meio às provações, e denunciou as lógicas de exploração
que reduzem a realidade e a vida humana a mera mercadoria. O Santo Padre
afirmou também que a África representa para o mundo uma reserva de alegria e
esperança, sustentada sobretudo pelos jovens e pelos pobres, ainda capazes de
sonhar, esperar e assumir responsabilidades.
Leão XIV apresentou
Angola como um “mosaico muito colorido” e incentivou os responsáveis pela vida
pública a acreditarem na riqueza multiforme do país, sem temer divergências nem
sufocar os sonhos dos jovens e a sabedoria dos idosos. Para o Papa, os
conflitos devem ser transformados em caminhos de renovação, sempre colocando o
bem comum acima dos interesses particulares.
Paz
e justiça
No discurso, Leão XIV
advertiu para os sofrimentos provocados por interesses prepotentes sobre as
riquezas materiais, mencionando mortes, catástrofes sociais e ambientais
ligadas a uma lógica extrativista e excludente. Ao mesmo tempo, insistiu que
somente no encontro a vida floresce e que o diálogo é o ponto de partida para
superar a conflitualidade e a inimizade que dilaceram o tecido social e
político.
Em outro trecho, o
Papa afirmou que a alegria e a esperança não são apenas sentimentos privados,
mas forças capazes de contrariar a resignação e o fechamento, enquanto a
tristeza e o desânimo tornam as sociedades mais vulneráveis ao medo, ao
fanatismo e à manipulação. Por isso, deixou uma das passagens centrais da sua
mensagem:
“A alegria sabe traçar
trajetórias mesmo nas regiões mais sombrias de estagnação e angústia.
Caríssimos, examinemos, pois, o nosso coração, porque sem alegria não há
renovação; sem interioridade não há libertação; sem encontro não há política;
sem o outro não há justiça.”
“Que
Deus abençoe Angola!”
Leão XIV reiterou
que, junto com todas as forças vivas do país, Angola pode tornar-se um projeto
de esperança, e afirmou que a Igreja Católica deseja ser fermento na massa e
promover um modelo justo de convivência, livre de novas escravidões impostas
por elites e falsas alegrias. Segundo o Pontífice, é preciso eliminar os
obstáculos ao desenvolvimento humano integral, sobretudo nas periferias urbanas
e nas regiões rurais mais remotas, onde pulsa a vida do povo e se prepara o
futuro da nação.
Ao concluir, confiou
o país à bênção de Deus com a invocação final: “Que Deus abençoe Angola!”. Após
os compromissos no Palácio Presidencial, a agenda deste sábado prevê a chegada
à Nunciatura Apostólica, onde o Papa terá um encontro privado e o jantar com os
bispos de Angola.
Agenda
de domingo
Para o domingo, 19 de
abril, o programa prevê a chegada a Kilamba para a Santa Missa do III Domingo
da Páscoa e o Regina Caeli do Santo Padre, com a participação esperada de 200
mil fiéis. À tarde, Leão XIV seguirá para Muxima, ao Santuário de Mama Muxima,
onde está programada a oração do Santo Terço.
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