Explosões
foram relatadas em Teerã e outras cidades, incluindo Qom e Isfahan. As
autoridades não divulgaram um número oficial de mortos ou de danos. Mas Teerã
anunciou que está se preparando para responder. Israel declarou estado de
emergência e impôs restrições em todo o país em antecipação a possíveis
represálias.
Francesco Citterich e Guglielmo
Gallone - Cidade do Vaticano
Na madrugada deste sábado, 28 de
fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel lançaram uma grande operação
militar contra o Irã. A notícia foi anunciada pelas autoridades de ambos os
países e pelas principais agências internacionais. O presidente dos EUA, Donald
Trump, confirmou em uma mensagem de vídeo o lançamento de "grandes
operações de combate" contra a República Islâmica, descrevendo uma ação
"massiva" destinada não apenas ao programa nuclear, às capacidades de
mísseis e à marinha do Irã, mas sobretudo a alcançar uma mudança de regime no
país.
Os objetivos do ataque
Em seu pronunciamento desta manhã,
Trump afirmou que o objetivo da operação é garantir que "os americanos
nunca sejam ameaçados por um Irã com armas nucleares", reiterando ao povo
iraniano que "a hora da sua liberdade está próxima. Quando terminarmos,
assumam o controle do seu governo; caberá a vocês fazê-lo".
Israel declarou estado de emergência
e impôs restrições em seu território em antecipação a possíveis represálias.
Entretanto, na capital iraniana, ataques atingiram a área ao redor da
residência do Líder Supremo Ali Khamenei, do Conselho Supremo de Segurança
Nacional e do gabinete presidencial. Fontes locais afirmam que Khamenei foi
levado para um local seguro. O complexo do Ministério da Inteligência, no
nordeste de Teerã, também foi alvo de ataques.
Autoridades militares estadunidenses
declararam que o ataque ao Irã será muito mais extenso do que o realizado em
junho passado contra instalações relacionadas ao programa nuclear da República
Islâmica. Numerosas e contínuas explosões também foram ouvidas em Qom, Isfahan,
Tabriz, Karaj e Kermanshah. As autoridades de Teerã não divulgaram um número oficial
de mortos ou de danos.
As comunicações de internet no país
estão parcialmente interrompidas, enquanto o Ministério da Educação anunciou o
fechamento de escolas e uma transição temporária para o ensino à distância.
Aumenta o número de mortos no ataque
à escola
O número de mortos no ataque aéreo
contra uma escola feminina no sul do Irã, neste sábado, chegaria a 85, segundo
as autoridades iranianas. Na informação precedente a respeito do ataque, a
televisão estatal, citando uma autoridade local, havia informado que
"durante o ataque com mísseis israelenses desta manhã contra uma escola
primária feminina no condado de Minab, 51 estudantes foram mortas e 60 ficaram
feridas".
Presença dos EUA no Oriente Médio
A operação foiprecedida por um
aumento da presença militar dos Estados Unidos na região, que durou cerca de um
mês. Dois porta-aviões, o USS Abraham Lincoln e o USS Gerald R. Ford, foram
deslocados para as proximidades do palco de operações, juntamente com
destróieres de mísseis guiados e dezenas de aeronaves posicionadas em bases na
Jordânia, Israel e Arábia Saudita.
Os recursos mobilizados incluem caças
F-35, F-15, F-22 e F-16, bem como aeronaves de radar e guerra eletrônica. Uma
fonte de segurança israelense, citada pelo Canal 12, afirmou que o ataque
preventivo de Israel contra o Irã ("Fúria Épica") foi planejado em
conjunto durante meses, enfatizando que Tel Aviv e Washington estão "em
sintonia". Além disso, acrescentou, a "fase inicial" do ataque
conjunto deverá durar quatro dias.
Negociações nucleares
Ainda no sábado, as últimas
negociações nucleares entre os EUA e o Irã, mediadas por Omã, foram concluídas
em Genebra. Segundo informações iniciais, Washington pediu a Teerã que
desmantelasse seus três principais complexos nucleares em Fordow, Isfahan e
Natanz, e que enviasse todo o seu urânio enriquecido para o exterior.
De acordo com um relatório divulgado
ontem pela Agência Internacional de Energia Atômica, o Irã possui atualmente
urânio enriquecido a 60%, próximo ao limite necessário para produzir uma arma
nuclear. No entanto, Teerã teria rejeitado os pedidos. Isso levou às
declarações iniciais de Trump: "Ainda não me decidi sobre o Irã",
disse ele a repórteres na noite passada, esclarecendo, porém, que "o Irã
não pode ter armas nucleares e não estou satisfeito com a forma como estão
negociando, mas novas conversas estão planejadas. Quero chegar a um acordo.
Gostaria de evitar uma ação militar contra o Irã, mas às vezes é
necessário".
O vice-presidente J.D. Vance
argumentou, nos últimos dias, que Teerã não havia atendido às exigências dos
EUA durante as negociações realizadas em Genebra. Imediatamente depois, a China
e a Itália instaram seus cidadãos a deixarem o Irã e a exercerem "máxima
cautela" em Israel; a Grã-Bretanha retirou temporariamente seus diplomatas
de Teerã, enquanto a França e a Alemanha desaconselharam
"urgentemente" viagens a Israel. No início desta semana, em um claro
sinal diplomático e estratégico, Washington reduziu o número de funcionários em
suas embaixadas em Jerusalém e Bagdá, evacuando posteriormente a base
aestadunidense em Al-Ubeid, no Catar. O programa nuclear de Teerã tem sido um
foco de intensos confrontos há décadas.
No último fim de semana, Steve
Witkoff, principal negociador do presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que
o Irã estava "provavelmente a uma semana de ter material de grau
industrial para fabricar uma bomba", mas o então secretário de Estado,
Marco Rubio, disse que o Irã "não está enriquecendo [urânio] neste
momento" — embora tenha acrescentado que gostaria de fazê-lo.
Outra questão crucial continua sendo
o vasto arsenal de mísseis e drones do Irã, em sua maioria produzidos
internamente, visto como o principal fator de dissuasão contra ataques dos EUA
e de Israel. Rubio declarou esta semana que a República Islâmica possui
"milhares de mísseis balísticos de curto alcance" que ameaçam as
forças estadunidenses, suas bases e parceiros na região, bem como ativos navais
que "ameaçam a navegação e buscam ameaçar a Marinha dos EUA".
O arsenal de mísseis balísticos do
Irã foi reduzido durante a guerra do ano passado. Teerã lançou aproximadamente
550 mísseis de médio e longo alcance, enquanto muitos outros foram destruídos
em solo por ataques aéreos israelenses. Desde então, o Irã vem produzindo
mísseis "continuamente", de acordo com o Instituto de Estudos de
Segurança Nacional.
O front israelense
Enquanto isso, o Comando da Frente
Interna das Forças de Defesa de Israel (IDF) impôs restrições em todo o país:
proibidas reuniões, aulas e trabalho, exceto em setores essenciais, segundo o
jornal "Times of Israel". O ministro da defesa israelense, Katz, assinou
uma ordem especial impondo estado de emergência na frente interna em todo o
território do Estado de Israel. Sirenes de alarme foram ouvidas em Tel Aviv,
Jerusalém, Cisjordânia, Galileia e nas Colinas de Golã. "Israel e os
Estados Unidos lançaram uma operação para eliminar a ameaça existencial
representada pelo regime terrorista no Irã", disse o primeiro-ministro
israelense, Benjamin Netanyahu, agradecendo ao presidente Trump "por sua
liderança histórica".
Reação do Irã
O Irã, por sua vez, anunciou que está
se preparando para responder. A agência de notícias Nour, próxima ao Conselho
Supremo de Segurança Nacional, descreveu uma "resposta esmagadora",
enquanto veículos de comunicação ligados à Guarda Revolucionária divulgaram
imagens de mísseis prontos para lançamento. As autoridades iranianas já haviam
alertado que qualquer ataque poderia desencadear um conflito regional. Os
últimos relatórios sugerem que todo o país está agora sob um bloqueio total de
internet.
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