“Com Maria no Caminho da Caridade.”
Neste ano estamos vivendo o ANO DA CARIDADE NO JUBILEU CENTENÁRIO DA ARQUIDIOCESE DE FORTALEZA (1915 – 2015). Nada mais oportuno para reavivar a caridade de nosso povo que volta às suas fontes cristãs: católica e mariana. “Levados pela Caridade de Cristo.” (2Cor. 5,14)
Teremos como tema: CAMINHAMOS COM MARIA NA CARIDADE DE CRISTO.
Mais que refazer um trajeto histórico de
percurso da imagem venerada de Nossa Senhora da Assunção, da Barra do
Ceará à Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, vamos ao conteúdo da fé,
contemplado e meditado com a oração do Rosário da Virgem Maria: 20
mistérios etapas da vida de Cristo e de Maria. Este caminho do rosário é
síntese do caminho de fé de todo cristão. Parte de um encontro com Deus
que é encontro com Seu Filho feito homem no seio da Virgem Maria.
Depois esta entrada de Deus na vida humana marca um trajeto e estilo de
vida no Amor a Deus e ao próximo que se consumará no Sacrifício da Cruz e
na Ressurreição de Jesus com o dom do Espírito Santo e o nascimento da
Igreja em seus caminhos pelo mundo rumo à glória do Reino de Deus
definitivo, contemplado em Maria, Rainha do Céu e da Terra.
Este itinerário é ícone para toda a humanidade, que nele contempla o significado da história humana e sua meta.
Portanto, a oração do rosário mariano
não é apenas a repetição mecânica de certa quantidade de Pai-nosso e
Ave-Maria, mas profunda contemplação do Evangelho de Cristo, da Palavra
de Deus, do viver em Cristo. Com Maria, Sua e nossa Mãe (cf. Jo 19,
26-27) aprendemos do vivo testemunho o como viver em Cristo. Por isso a
levamos para a casa como o apóstolo João – e a nossa casa comum é a
Igreja inserida neste mundo rumo ao Pai Celeste.
Refazer esta caminhada física e
espiritualmente renova as convicções da Fé e o sentido de viver na
cidade terrena como semeadura e cultivo do viver definitivo na Cidade
Celeste.
Esta CAMINHADA COM MARIA, não nos afasta
absolutamente de Cristo, mas a Ele nos faz tudo referir como princípio,
caminho e meta de nossa Fé. Esta mesma caminhada não nos aliena do
compromisso com este mundo no qual vivemos, mas a ele nos integra de
modo ainda mais responsável, como chão onde se caminha para a Vida
definitiva. Nele vivemos o Amor que se tornará pleno e eterno.
Comemorando o centenária da existência
da Igreja Arquidiocesana de Fortaleza, a celebramos como Igreja Mãe no
Ceará. E o Concílio Vaticano II, do qual também comemoramos os 50 anos
de realização, ao falar de Maria nos diz:
“A Igreja, contemplando a santidade
misteriosa de Maria, imitando a sua caridade, e cumprindo fielmente a
vontade do Pai, pela palavra de Deus fielmente recebida, torna-se também
ela mãe, pois pela pregação e pelo batismo gera, para uma vida nova e
imortal, os filhos concebidos do Espírito Santo e nascidos de Deus. Ela é
também a virgem, que guarda íntegra e pura a fé jurada ao Esposo, e, à
imitação da Mãe do seu Senhor, pela graça do Espírito Santo, conserva
virginalmente íntegra a fé, sólida a esperança, sincera a caridade. (LG
64)
“Enquanto a Igreja já alcançou na
bem-aventurada Virgem essa perfeição que faz que ela se apresente sem
mancha nem ruga (cf. Ef 5,27), os fiéis, porém, continuam ainda a
esforçar-se por crescer na santidade, vencendo o pecado; por isso
levantam os olhos para Maria que refulge diante de toda a comunidade dos
eleitos como modelo de virtudes.
A Igreja, refletindo piedosamente sobre
Maria e contemplando-a à luz do Verbo feito homem, penetra cheia de
respeito, mais e mais no íntimo do altíssimo mistério da encarnação, e
vai tomando cada vez mais a semelhança do seu Esposo.
Com efeito, Maria, que entrou
intimamente na história da salvação, de certo modo reúne em si e reflete
as maiores exigências da fé; quando é exaltada e honrada, ela atrai os
crentes para seu Filho, para o sacrifício dele e para o amor do Pai.
E a Igreja, por sua vez, empenhada como
está na glória de Cristo, torna-se mais semelhante ao seu modelo tão
excelso, progredindo continuamente na fé, na esperança e na caridade,
buscando e cumprindo em tudo a vontade de Deus.
Com razão, a Igreja, também na sua
atividade apostólica, olha para aquela que gerou a Cristo, concebido do
Espírito Santo e nascido da Virgem precisamente para poder nascer e
crescer, por meio da Igreja, também no coração dos fiéis.
A Virgem, durante a vida, foi modelo
daquele amor materno de que devem estar animados todos aqueles que
colaboram na missão apostólica da Igreja para a redenção dos homens.”
(LG 65)
Esperamos assim, mais ainda, com esta
nossa manifestação pública e comum, fazer o Caminho com Maria e
testemunhá-lo presente em nós, Sua Igreja, para levá-lo a todo o mundo
em nova evangelização, expressão do renovado Amor de Deus. Assim fazemos
com Maria, Mãe de Jesus dada a nós (cf. Jo 19, 25-27), o Caminho da
Caridade que é Cristo.
+ José Antonio Ap. Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano

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