20/03/2014 - 5ª. Feira II semana da quaresma – Jeremias 17, 5-10 – 5ª. Feira – Jeremias 17, 5-10 - “malditos ou benditos” Todos nós precisamos fazer um exame profundo em relação à qualidade da nossa vida e o que tem motivado as nossas ações, dia a dia para colocar a palavra do profeta dentro da realidade da nossa existência. O nosso coração às vezes nos engana, mas o Senhor que nos perscruta sabe quais os sentimentos que Ele mesmo pôs dentro de nós e que estamos ignorando. Deste modo, somos chamados (as) a consultar o nosso coração principiando por perceber o que nos aflige ou nos alegra neste momento atual. Se, mesmo quando passamos por momentos de tribulações o nosso coração estiver repleto de esperança, de paz e alegria; se, estivermos “enxergando” os sinais de Deus que nos acena com promessa de dias melhores até no meio das tempestades da nossa vida; se, por meio da oração, da adoração ao Senhor, da escuta à Palavra estivermos firmes e confiantes acolhendo as graças que nos vêm do céu ; se, conseguimos dar frutos que alimentam as outras pessoas, por meio de um testemunho coerente com a fé, a esperança e a caridade, mesmo que estejamos passando por provações... Se, tudo isso ou alguma coisa disso está acontecendo conosco é sinal de que estamos vivendo sob as bênçãos de Deus e por isso, podemos ser chamados de “benditos”, visto que confiamos no Pai que nos criou e nos sustenta com a Sua graça em todos os dias da nossa vida e não somente, nos momentos bons. Se, pelo contrário, o nosso coração estiver cheio de dúvidas, revolta, medo, desarmonia, se não aceitamos as coisas que estão fora dos nossos planos, se as pessoas ao invés de se aproximarem de nós, se afastarem, porque não estão mais suportando o nosso mau humor nem o nosso comportamento; se demonstramos amargura e descontentamento com tudo e com todos, se murmuramos, praguejamos, desejamos o mal, temos sentimentos de vingança, aí então, precisamos observar, pois, com certeza, nós podemos estar confiando e esperando mais nos “homens” do que no Deus que nos dá tudo e, por isso, somos “malditos”, isto é, afastados do Trono da graça, da Fonte do Amor e da Verdade. Precisamos nos dirigir à Fonte do Amor de Deus que brota lá dentro do nosso mais profundo interior e pedir ao Pai que nos abençoe com a Sua graça a fim de que nos voltemos para Ele, onde se encontra a nascente da vida e da santidade. Só assim, ao invés de sermos malditos podemos novamente nos considerar benditos e ter uma vida completamente renovada. Cada um de nós pode fazer uma avaliação se realmente, está confiando mais em Deus ou nos homens, nos negócios, nas facilidades da vida. Quando nós nos esquecemos de olhar para Deus nunca estamos satisfeitos com o que possuímos, queremos sempre mais e a nossa vida vira um poço de amargura. Reflita: - Você é “maldito” (a) ou “bendito” (a)? – Não olhe para as outras pessoas: perceba os seus sentimentos. – Qual é a sua situação - Você é como cardo no deserto ou como árvore plantada junto às águas? - Nos seus empreendimentos e problemas em quem você confia mesmo? – Qual o testemunho que você tem dado ao mundo? – As pessoas gostam de estar com você? Salmo 1 – “É feliz quem a Deus se confia!” O salmo é uma confirmação da profecia de Jeremias. O salmista faz uma comparação entre as pessoas que andam conforme os conselhos dos perversos, isto é, dos homens que têm a mentalidade do mundo e as pessoas que meditam na lei de Deus em todos os momentos da sua vida. Os que seguem a teoria do mundo são como a palha seca que se espalha e é dispersa pelo tempo. Porém, os que andam segundo a Lei do Senhor, prosperam e têm uma vida profícua, portanto, são felizes. Evangelho – Lucas 16,19-31 – “ o rico e o pobre” A imagem do rico epulão (opulento), que tem tudo aqui na terra, se veste bem, come maravilhosamente e celebra isto todos os dias com festas esplêndidas mesmo sabendo da existência do pobre Lázaro, caído à sua porta à espera de que alguma coisa lhe sobre quando “a festa” findar, nos revela mistérios da realidade mais presente na nossa vida: a nossa caminhada na terra em direção ao nosso porto final, o céu ou o inferno. Jesus abriu para nós um cenário real, o qual não podemos mais ignorar: cenário da vida na terra e depois dela. Por isso Ele nos mostra o homem rico que se refestela na sua própria “felicidade” e ignora situação do pobre, e o homem pobre que se instala na sua “indigência” com esperança de que o rico lhe dê a mão. Guardando as devidas proporções e na medida da nossa realidade, se prestarmos bem atenção a este quadro chegaremos à conclusão de que hoje isto também pode estar acontecendo na nossa vida. Às vezes nos isentamos porque não temos muito dinheiro e não vivemos com opulência, mas a Palavra de Jesus nos leva a refletir também sobre outras situações. Há pessoas que esperam de nós amor, atenção, conselho, carinho, ajuda financeira, consolo, porque vivem numa verdadeira “indigência” e estão sempre a mendigar alguma coisa que nós temos de sobra. Comumente vivemos o nosso dia envoltos nos nossos próprios afazeres e prazeres e não nos atentamos para o fato de que também nós, “pobres” e “ricos” estamos caminhando para junto de Abraão ou para a região dos mortos e a nossa incoerência irá pesar na hora da escolha do nosso destino. Este Evangelho então nos induz a meditar sobre a visão que temos em relação ao morrer e ao depois do morrer. Se tivermos uma ideia da vida só para ser uma experiência terrena, agindo e reagindo conforme os critérios humanos, com as práticas ditadas pela mentalidade do mundo, com certeza nós iremos ser “enterrados” (as). No entanto, se concebermos a ideia de que a nossa vivência na terra é um passaporte e passagem que nos encaminham para o Céu, aí então, com a mesma certeza, nós esperamos ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Aqui na terra nós já começamos a construir esta via, através dos nossos relacionamentos pessoais com todas as pessoas e não apenas com aqueles (as) que são para nós os mais queridos (as), não somente para com os “ricos”, mas também com aqueles intoleráveis, “os pobres” que são carentes de pão, mas principalmente de reputação e dignidade. Para onde iremos somente Deus o sabe, mas poderemos ter uma ideia, dependendo do que estivermos colocando em prática. O rico não foi enterrado porque era abastado, nem tampouco o pobre subiu aos céus só porque era carente, mas pelas circunstâncias em que viveram e por causa das atitudes que tomaram. Aqui na terra nós recebemos as condições para nos apropriarmos dos “terrenos do céu”. Há, porém, uma condição imprescindível: a de partilharmos os nossos bens e dons dos nossos “terrenos da terra” com os outros moradores seguindo os mandamentos de Deus e crendo que Jesus é o Senhor da nossa vida e da nossa morte. A figura do pobre sempre será uma realidade entre nós, no entanto, a sua existência é uma chance que Deus dá ao rico para bem empregar os seus bens e assim poder obter ainda muito mais para ajudar a quem precisa. Há, também, uma realidade importante que precisamos ter em conta: o tempo é hoje, agora! Não podemos esperar para quando chegar lá no nosso destino, “depois que findar a festa”, pois há um abismo enorme e não podemos retroceder. No entanto, Abraão falou ao rico: “Eles lá têm Moisés e os profetas, que os escutem!” E isto vale também para nós HOJE, pois somos convocados a ser também, profetas, com palavras, atos e sem omissão. Quando abrirmos os olhos e os ouvidos para apreender os ensinamentos de Jesus, nós também assumiremos o compromisso com a verdade e nos tornaremos mensageiros do céu aqui na terra. – Você tem percebido a indigência de pessoas que estão sempre à sua volta? – Quais os bens que você tem recebido na vida? - Você os tem partilhado com os “pobres” que se encontram à sua porta? - Como é a sua vida: você tem recebido mais bens ou mais feridas – Qual é a ideia que você tem da vida após a vida aqui na terra? – Você tem aberto os olhos das pessoas da sua família para isso?
Helena Serpa,
Fundadora da Comunidade Um Novo Caminho
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