quinta-feira, 20 de março de 2014

REFLEXÕES SOBRE AS LEITURAS DE HOJE

20/03/2014 - 5ª. Feira II semana da quaresma – Jeremias 17, 5-10

– 5ª. Feira – Jeremias 17, 5-10 - “malditos ou benditos”

Todos nós precisamos fazer um exame profundo em relação à qualidade da 
nossa vida e o que tem motivado as nossas ações, dia a dia para colocar 
a palavra do profeta dentro da realidade da nossa existência. O nosso 
coração às vezes nos engana, mas o Senhor que nos perscruta sabe quais 
os sentimentos que Ele mesmo pôs dentro de nós e que estamos ignorando. 
Deste modo, somos chamados (as) a consultar o nosso coração principiando 
por perceber o que nos aflige ou nos alegra neste momento atual. Se, 
mesmo quando passamos por momentos de tribulações o nosso coração 
estiver repleto de esperança, de paz e alegria; se, estivermos 
“enxergando” os sinais de Deus que nos acena com promessa de dias 
melhores até no meio das tempestades da nossa vida; se, por meio da 
oração, da adoração ao Senhor, da escuta à Palavra estivermos firmes e 
confiantes acolhendo as graças que nos vêm do céu ; se, conseguimos dar 
frutos que alimentam as outras pessoas, por meio de um testemunho 
coerente com a fé, a esperança e a caridade, mesmo que estejamos 
passando por provações... Se, tudo isso ou alguma coisa disso está 
acontecendo conosco é sinal de que estamos vivendo sob as bênçãos de 
Deus e por isso, podemos ser chamados de “benditos”, visto que confiamos 
no Pai que nos criou e nos sustenta com a Sua graça em todos os dias da 
nossa vida e não somente, nos momentos bons. Se, pelo contrário, o nosso 
coração estiver cheio de dúvidas, revolta, medo, desarmonia, se não 
aceitamos as coisas que estão fora dos nossos planos, se as pessoas ao 
invés de se aproximarem de nós, se afastarem, porque não estão mais 
suportando o nosso mau humor nem o nosso comportamento; se demonstramos 
amargura e descontentamento com tudo e com todos, se murmuramos, 
praguejamos, desejamos o mal, temos sentimentos de vingança, aí então, 
precisamos observar, pois, com certeza, nós podemos estar confiando e 
esperando mais nos “homens” do que no Deus que nos dá tudo e, por isso, 
somos “malditos”, isto é, afastados do Trono da graça, da Fonte do Amor 
e da Verdade. Precisamos nos dirigir à Fonte do Amor de Deus que brota 
lá dentro do nosso mais profundo interior e pedir ao Pai que nos abençoe 
com a Sua graça a fim de que nos voltemos para Ele, onde se encontra a 
nascente da vida e da santidade. Só assim, ao invés de sermos malditos 
podemos novamente nos considerar benditos e ter uma vida completamente 
renovada. Cada um de nós pode fazer uma avaliação se realmente, está 
confiando mais em Deus ou nos homens, nos negócios, nas facilidades da 
vida. Quando nós nos esquecemos de olhar para Deus nunca estamos 
satisfeitos com o que possuímos, queremos sempre mais e a nossa vida 
vira um poço de amargura. Reflita: - Você é “maldito” (a) ou “bendito” 
(a)? – Não olhe para as outras pessoas: perceba os seus sentimentos. – 
Qual é a sua situação - Você é como cardo no deserto ou como árvore 
plantada junto às águas? - Nos seus empreendimentos e problemas em quem 
você confia mesmo? – Qual o testemunho que você tem dado ao mundo? – As 
pessoas gostam de estar com você?

Salmo 1 – “É feliz quem a Deus se confia!”

O salmo é uma confirmação da profecia de Jeremias. O salmista faz uma 
comparação entre as pessoas que andam conforme os conselhos dos 
perversos, isto é, dos homens que têm a mentalidade do mundo e as 
pessoas que meditam na lei de Deus em todos os momentos da sua vida. Os 
que seguem a teoria do mundo são como a palha seca que se espalha e é 
dispersa pelo tempo. Porém, os que andam segundo a Lei do Senhor, 
prosperam e têm uma vida profícua, portanto, são felizes.

Evangelho – Lucas 16,19-31 – “ o rico e o pobre”

A imagem do rico epulão (opulento), que tem tudo aqui na terra, se veste 
bem, come maravilhosamente e celebra isto todos os dias com festas 
esplêndidas mesmo sabendo da existência do pobre Lázaro, caído à sua 
porta à espera de que alguma coisa lhe sobre quando “a festa” findar, 
nos revela mistérios da realidade mais presente na nossa vida: a nossa 
caminhada na terra em direção ao nosso porto final, o céu ou o inferno. 
Jesus abriu para nós um cenário real, o qual não podemos mais ignorar: 
cenário da vida na terra e depois dela. Por isso Ele nos mostra o homem 
rico que se refestela na sua própria “felicidade” e ignora situação do 
pobre, e o homem pobre que se instala na sua “indigência” com esperança 
de que o rico lhe dê a mão. Guardando as devidas proporções e na medida 
da nossa realidade, se prestarmos bem atenção a este quadro chegaremos à 
conclusão de que hoje isto também pode estar acontecendo na nossa vida. 
Às vezes nos isentamos porque não temos muito dinheiro e não vivemos com 
opulência, mas a Palavra de Jesus nos leva a refletir também sobre 
outras situações. Há pessoas que esperam de nós amor, atenção, conselho, 
carinho, ajuda financeira, consolo, porque vivem numa verdadeira 
“indigência” e estão sempre a mendigar alguma coisa que nós temos de 
sobra. Comumente vivemos o nosso dia envoltos nos nossos próprios 
afazeres e prazeres e não nos atentamos para o fato de que também nós, 
“pobres” e “ricos” estamos caminhando para junto de Abraão ou para a 
região dos mortos e a nossa incoerência irá pesar na hora da escolha do 
nosso destino. Este Evangelho então nos induz a meditar sobre a visão 
que temos em relação ao morrer e ao depois do morrer. Se tivermos uma 
ideia da vida só para ser uma experiência terrena, agindo e reagindo 
conforme os critérios humanos, com as práticas ditadas pela mentalidade 
do mundo, com certeza nós iremos ser “enterrados” (as). No entanto, se 
concebermos a ideia de que a nossa vivência na terra é um passaporte e 
passagem que nos encaminham para o Céu, aí então, com a mesma certeza, 
nós esperamos ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Aqui na terra 
nós já começamos a construir esta via, através dos nossos 
relacionamentos pessoais com todas as pessoas e não apenas com aqueles 
(as) que são para nós os mais queridos (as), não somente para com os 
“ricos”, mas também com aqueles intoleráveis, “os pobres” que são 
carentes de pão, mas principalmente de reputação e dignidade. Para onde 
iremos somente Deus o sabe, mas poderemos ter uma ideia, dependendo do 
que estivermos colocando em prática. O rico não foi enterrado porque era 
abastado, nem tampouco o pobre subiu aos céus só porque era carente, mas 
pelas circunstâncias em que viveram e por causa das atitudes que 
tomaram. Aqui na terra nós recebemos as condições para nos apropriarmos 
dos “terrenos do céu”. Há, porém, uma condição imprescindível: a de 
partilharmos os nossos bens e dons dos nossos “terrenos da terra” com os 
outros moradores seguindo os mandamentos de Deus e crendo que Jesus é o 
Senhor da nossa vida e da nossa morte. A figura do pobre sempre será uma 
realidade entre nós, no entanto, a sua existência é uma chance que Deus 
dá ao rico para bem empregar os seus bens e assim poder obter ainda 
muito mais para ajudar a quem precisa. Há, também, uma realidade 
importante que precisamos ter em conta: o tempo é hoje, agora! Não 
podemos esperar para quando chegar lá no nosso destino, “depois que 
findar a festa”, pois há um abismo enorme e não podemos retroceder. No 
entanto, Abraão falou ao rico: “Eles lá têm Moisés e os profetas, que os 
escutem!” E isto vale também para nós HOJE, pois somos convocados a ser 
também, profetas, com palavras, atos e sem omissão. Quando abrirmos os 
olhos e os ouvidos para apreender os ensinamentos de Jesus, nós também 
assumiremos o compromisso com a verdade e nos tornaremos mensageiros do 
céu aqui na terra. – Você tem percebido a indigência de pessoas que 
estão sempre à sua volta? – Quais os bens que você tem recebido na vida? 
- Você os tem partilhado com os “pobres” que se encontram à sua porta? - 
Como é a sua vida: você tem recebido mais bens ou mais feridas – Qual é 
a ideia que você tem da vida após a vida aqui na terra? – Você tem 
aberto os olhos das pessoas da sua família para isso?

Helena Serpa,
Fundadora da Comunidade Um Novo Caminho


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