“Eis-me aqui, envia-me.”
Ela recorda como no centro vital deste
protagonismo está um encontro pessoal com Deus em Jesus Cristo e seu seguimento,
abertura à ação do Espírito de Deus – Amor novo em plenitude.
Esta proposta é voltada para uma nova juventude
motivada e cheia de energia para fazer acontecer “o Novo”, superando todas as
dominações de velhice e caducidade que um mundo fechado em seu egoísmo e
paralisado em suas opções hedonistas e materialistas.
Diante de uma “mudança de época” que rompe com
muitos ou altera muitos dos paradigmas tradicionais que sustentam certa visão da
vida e do mundo, as mesmas estruturas mais fundamentais da sociedade se desfazem
e perdem referências de horizonte, de motivações, de esperanças, gastando-se no
“carpe diem” do consumo de coisas e pessoas, de si mesmo, de tudo, enfim.
A grande alegria da descoberta do dom de Deus em
Cristo renova a juventude do espírito e do corpo dos próprios jovens em idade e
dos que, passada a idade física jovem, descobrem sempre uma nova juventude dada
pelo Eterno Jovem que é o próprio Deus.
O impacto da mudança de época que vivemos tem
deixado muitos à deriva da vida. E mesmo os que foram tocados pela Fé,
mostram-se tomados de desânimo na superação do peso de morte que a sociedade
cada dia mais demostra.
O chamado do Santo Padre Bento XVI para um Ano da
Fé, uma Nova Evangelização, acolhendo sangue novo nas veias da Igreja e da
Sociedade Humana, mostra a direção da fonte desta “eterna juventude” do espírito
que pode sobrepujar qualquer ausência de perspectiva de futuro e de
esperança.
“Tudo é possível àquele que crê!”(Mc 9, 23) – é a
direta afirmação de Jesus a quem o busca de modo indeciso e sem a certeza de seu
poder.
Chegou a hora de repropor o encontro com o Senhor
ressuscitado, vivo e presente na História do Mundo, o “todo poderoso”, que assim
se mostra; capaz de tudo renovar na face da terra. (cf. Apc 21,5)
É hora de repropor o Evangelho com o testemunho
da Fé. Assim mora a juventude no coração da Igreja. E sua opção é acolhimento do
dom que a mesma juventude traz para a humanidade como poder recomeçar com
entusiasmo a vida e dela fazer a grande oportunidade de fazer acontecer o Reino
de Deus – que é Reino para o Homem.
A própria realidade natural, expressão do
Criador, coloca no ser da juventude um chamado, um clamor, uma convocação: “A
quem enviarei?” E o coração ainda vivo, que sonha, que espera, que anseia,
descobre que não está só e pode responder: “Eis-me aqui, envia-me.” (Is 6,8) Na
experiência vital do jovem, a esperança de renovação da força da humanidade que
age com Aquele que lhe dá força. (cf. Flp. 4, 13)
“O profeta em questão, Isaias, é chamado a
profetizar sobre uma estrutura social cristalizada, que se mantinha em um ciclo
contínuo de injustiça… Em seu anúncio é apresentada uma nova estrutura para a
sociedade… O jovem profeta vê além: por isso, consegue encontrar novos caminhos
diante dos mecanismos de sobrevivência já inertes e sem esperança. Os jovens são
protagonistas da evangelização e artífices da renovação social.” (do texto base
da CF 2013, 251 ss)
Se a humanidade não quiser acabar na decrepitude
e decomposição total, deverá optar sempre pelo rejuvenescimento, pela geração de
novas gerações que a desafiem ao novo da esperança e à superação das fórmulas
cristalizadas de egoísmo e morte.
Feliz momento em que vivemos: é preciso abrir-nos
ao novo, ao jovem, à busca e à esperança. E a juventude sempre renovada por
Aquele que alegra a nossa juventude (cf. Sl 42, 4 – Vulgata: et introibo ad
altare Dei ad Deum qui laetificat iuventutem meam confitebor tibi in cithara
Deus Deus meus.” – Deus que alegra a minha juventude e me faz tomar o violão
para louvar o meu Deus.)
Sem dúvida esta é uma tradução livre, mas muito
significativa para mostrar como é hora de abrir espaço para a juventude, para a
alegria, para o novo, para o louvor de Deus. E dizermos com toda a confiança:
“Eis-me aqui, envia-me.”
+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano de Fortaleza
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