Publicados ontem o requerimento e a denúncia relativas ao processo sobre vazamento de documentos confidenciais do Vaticano. Envolvido também um empregado da Secretaria de Estado.
Cidade do Vaticano (ZENIT.org) - Foram publicados na tarde de ontem, o requerimento e a sentença do Juiz do processo do Tribunal do Estado da Cidade do Vaticano, o advogado Piero Antonio Bonnet, relativas ao vazamento de documentos confidenciais vaticanos.
O juiz de instrução levou a julgamento Paolo Gabriele, ajudante de quarto do Papa, acusado por furto qualificado, e Claudio Sciarpelletti, funcionário da Secretaria de Estado, acusado de cumplicidade.
O advogado da Santa Sé formulou a acusação do Promotor de Justiça, o advogado Nicola Picardi, com base na responsabilidade do acusado Gabriele, seja por causa dos documentos encontrados em sua casa, que pela sua própria admissão de culpa.
O ex-mordomo, de fato - depois de negar, a princípio, a sua própria responsabilidade, admitiu em interrogatórios posteriores, ter fornecido documentos confidenciais ao jornalista Gianluigi Nuzzi - em seguida, publicado no livro "Sua Santidade" – motivando a sua ação como "uma ajuda para a Igreja".
Embora consciente de fazer um ato ilegal, Gabriele tem justificado suas ações admitindo acreditar que o Papa não estava devidamente informado da corrupção interna da Igreja, que ele, ao contrário, estava consciente. Ele disse: "Eu tinha certeza de que um choque, até mesmo na mídia, poderia ter sido algo muito bom para trazer de novo a Igreja de volta ao caminho certo".
Pela primeira vez também, soube-se que também estava envolvido no processo outro funcionário do Vaticano, Claudio Sciarpelletti, técnico informático da Secretaria de Estado, que durante o Inquérito confessou que teve numerosos contatos com o ajudante de quarto. Na gaveta de sua mesa, foi encontrado, de fato, um envelope contendo o material confidencial.
Sciarpelletti foi preso no dia 25 de maio e, em seguida, colocado em liberdade provisória, após fiança, no dia seguinte, com a obrigação de cumprir com certos requisitos. Por falta de provas sobre a cumplicidade no roubo, foi excluído das acusações, mas será processado "por cumplicidade."
Como afirmado na sentença, isso corresponde somente a uma conclusão parcial da acusação, uma vez que o processo iniciado pela Magistratura Vaticana ainda está em andamento e pode abrir novos procedimentos com base em provas adicionais.
De acordo com o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, não é possível saber a data do julgamento até depois do 20 de setembro, data em que o Tribunal será atualizado.
Questionado sobre uma possível intervenção do Papa Bento XVI após esse veredicto parcial, o Padre Lombardi disse que o Papa é "livre para se expressar", mas também sublinhou que o Papa "manteve-se fora do processo, a fim de dar maior autonomia para os juízes e um claro sinal de transparência ".
Tradução Thácio Siqueira
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