domingo, 17 de abril de 2011

SEGURANÇA PARA OS FIÉIS

Já fazem parte do passado os rituais litúrgicos que literalmente tomavam conta de Fortaleza durante o decorrer da Semana Santa. A mudança se verificava desde as emissoras de rádio, que passavam a transmitir somente músicas sacras, até a programação de cinemas e teatros, toda ela dedicada às representações cinematográficas e, ao vivo, da vida de Jesus Cristo. Faziam também parte obrigatória desse ritual a Missa da Aleluia, celebrada rigorosamente à meia-noite dos sábados, e a exposição de panos roxos sobre as imagens sacras e nas janelas das casas de tradicionais famílias, à frente das quais fazia reverenciais paradas, para momentos de prece coletiva, a tradicional procissão do Senhor Morto, sempre seguida por milhares de fiéis.

Nos últimos anos, à parte da minimização das demonstrações de fé tão comuns em décadas passadas, o hábito de frequentar igrejas também diminuiu sensivelmente, não somente em decorrência de eventuais mudanças comportamentais, mas, sobretudo, pela falta absoluta de segurança, não apenas nas igrejas católicas, mas, também, nos templos protestantes. Tal quadro reflete a crescente onda de violência imperante na cidade e a audácia inusitada de hordas de marginais e assaltantes, que agem impunemente em locais antes considerados como redutos de tranquilidade.

Tanto quanto restaurantes, agências de bancos, residências particulares e estabelecimentos comerciais, as igrejas e templos passaram a ser alvo fácil de assaltos constantemente perpetrados à luz do dia, embora, recentemente, essas instituições religiosas invistam em segurança privada, grades, vigilância eletrônica e, em medida ainda mais drástica, tenham reduzido sensivelmente a celebração de atos religiosos, principalmente às noites, nos feriados e fins de semana. As seculares e decantadas portas abertas, que sempre caracterizaram as igrejas e templos ao longo de sua história, cerram-se, em caráter quase permanente, ao acesso de milhares de fiéis que ainda as procuram.

O problema vem suscitando a preocupação dos sacerdotes e pastores, que precisam ficar atentos até mesmo durante o decorrer das missas e cultos, em face da ousadia de meliantes que adotam sorrateiros modos para praticar seus assaltos, geralmente contra mulheres, idosos e vítimas indefesas, usando como armas giletes comuns, ou pequenos canivetes e estiletes. No Centro da cidade, a Igreja do Rosário chegou a fechar seus portões durante vários meses, devido aos ataques sofridos por seus servidores e frequentadores. Como ela consta do roteiro turístico da cidade, os visitantes tomaram conhecimento do grave problema.

Grande parcela de culpa pelo perigo que ronda as igrejas e templos, também decorre do estado de abandono das principais praças de Fortaleza, que servem de valhacouto e dormitório para desocupados, drogados e marginais de toda espécie, sem que nenhuma providência tenha sido levada a efeito até agora para reverter a desoladora realidade. Na Semana Santa que se inicia hoje, com o Domingo de Ramos, o tema da segurança para os fiéis bem poderia ser reverberado em favor de uma situação que solapa os mais comezinhos princípios de integração humana e da solidariedade cristã.


Editorial do "Diário do Nordeste"

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  Pe. Johnja López Pedrozo