domingo, 20 de fevereiro de 2011

REFLETINDO SOBRE O EVANGELHO


Mateus 5,38-4


Sétimo domingo do Tempo Comum

Com o Evangelho de hoje (Mateus 5, 38-4 ), o evangelista conclui a primeira parte do Sermão da Montanha que, com as Bem-aventuranças e as seis Antíteses, promulga a carta magna do Evangelho, a constituição do povo da Nova Aliança. Hoje são lidas as duas últimas antíteses: Perdão em vez de vingança, e amor ao inimigo em vez de ódio. Ponto culminante da doutrina de Jesus. É uma das páginas mais sublimes de toda literatura universal e que inspirou a Gandhi sua campanha da não violência ativa.
É de tal envergadura a reviravolta que Cristo propõe, que nela empenha de novo sua autoridade messiânica: vocês ouviram o que foi dito aos antigos ... porém, eu lhes digo. Oposição frontal à tradição legal dos escribas e fariseus.
A mensagem de Jesus aparece aqui nas Bem-aventuranças em toda sua radicalidade, que revoluciona todos os nossos critérios e valores humanos. É um programa desafiador: seremos capazes de enfrentá-lo? Se a justiça de vocês não for maior que a dos escribas e fariseus, vocês não entrarão no Reino de Deus.
A realidade evangélica deste domingo apresenta sérias interrogações que inquietam qualquer cristão responsável: É este um programa realizável ou uma mera utopia para sonhadores? É possível, hoje, em nosso mundo, cumprir o programa das duas últimas antíteses do Sermão da Montanha? A resposta de muitos é: impossível, inatingível, demasiado sublime. Inclusive encontramos pessoas cristãs e de bom coração que dizem: "Perdoar eu perdôo, mas esquecer não me é possível, menos ainda querer-lhe bem". Com isso não estão cultivando em seu coração sentimentos de ódio, rancor ou agressividade; e, mais ainda, o prazer oculto da vingança? Peçamos ao Pai que nos dê um coração dócil ao Espírito Santo modelando-nos segundo modo dele, e colocando-nos no caminho do perdão, do amor e da justiça, enfim do verdadeiro caminho de perfeição.

Pe. Raimundo Neto
Pároco de São Vicente de Paulo

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