terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

PALAVRA DO PASTOR


"Renovado envio – renovada missão!"

Com novas Ordenações Presbiterais no final do ano e com início de novo ano, vivemos em nossa Arquidiocese uma experiência muito viva e importante: as nomeações dos sacerdotes para novas missões junto às diversas comunidades que constituem a Igreja arquidiocesana.
Vivemos na Igreja a atualidade da missão de Cristo, que vem do seio do Pai Eterno: “19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, os discípulos estavam reunidos, com as portas fechadas por medo dos judeus. Jesus entrou e pôs-se no meio deles. Disse: “A paz esteja convosco”. 20 Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos, então, se alegraram por verem o Senhor. 21 Jesus disse, de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou também eu vos envio”. 22 Então, soprou sobre eles e falou: “Recebei o Espírito Santo. 23 A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, lhes serão retidos”. Jo 20.
É muito significativo e fundacional este “Como”. Ele nos liga diretamente à ação do próprio Jesus e por Ele com o Pai.
Na liturgia das Ordenações Presbiterais temos gestos e orações que nos vêm dos primórdios da Igreja. É pela imposição das mãos e o sopro do Espírito que Jesus constitui os seus continuadores na missão salvífica. A Igreja continua ligada obedientemente ao Senhor quando o bispo e o presbitério impõem as mãos sobre os que são constituídos no sacerdócio ministerial de Cristo para o pastoreio do Povo que lhe será confiado aos cuidados. E a oração consagratória, palavra profética, é carregada do poder do Espírito que realiza a nova criação. Assim lembrava o apóstolo Paulo a Timóteo: “6 Por isso, quero exortar-te a reavivar o carisma que Deus te concedeu pela imposição de minhas mãos. 7 Pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de força, de amor e de moderação. 8 Portanto, não te envergonhes de testemunhar a favor de nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro; mas, sustentado pela força de Deus, sofre comigo pelo evangelho. 9 Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não em atenção às nossas obras, mas por causa do seu plano salvífico e da sua graça, que nos foi dada no Cristo Jesus antes de todos os tempos. 10 Esta graça foi agora manifestada pela aparição de nosso Salvador, Cristo Jesus, o qual destruiu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do evangelho, 11 do qual fui constituído pregador, apóstolo e mestre. 12 É por isso que estou suportando também estes sofrimentos, mas não me envergonho. Pois sei em quem acreditei, e estou certo de que ele é poderoso para guardar até aquele dia o bem a mim confiado. 13 Toma como norma as palavras salutares que de mim ouviste na fé e no amor do Cristo Jesus. 14 Guarda o precioso bem a ti confiado com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós.” 1 Tm 4. Repete o apóstolo em sua segunda carta a Timóteo a que constituiu bispo na continuidade do pastoreio de Cristo: “12 Ninguém te menospreze por seres jovem. De tua parte, procura ser para os que crêem um exemplo, pela palavra, pela conduta, pelo amor, pela fé, pela castidade. 13 Até que eu chegue aí, dedica-te à leitura, à exortação, ao ensino. 14 Não te descuides do carisma que está em ti, que te foi dado mediante uma profecia acompanhada da imposição das mãos dos presbíteros. 15 Reflete bem nisto, ocupa-te destas coisas, para que o teu progresso seja manifesto a todos. 16 Presta atenção quanto a ti e o que ensinas. Persevera nessas disposições e nessas práticas. Agindo assim, salvarás a ti mesmo e aos que te ouvem.” 2 Tm 1.
No dia 22 de dezembro, ao celebrarmos o aniversário da Dedicação da Igreja Catedral de Fortaleza, tivemos a graça de receber do Senhor treze novos presbíteros. Padres para colaborar com o ministério apostólico dos bispos no serviço da Igreja, na Palavra, nos Sacramentos, no Pastoreio da Comunhão. Jesus mesmo continua multiplicando sua própria presença como Único Pastor, Supremo Sacerdote, o Verbo feito carne para a salvação do mundo.
Impressionam-me as palavras de Jesus, ao referir-se aos frutos de sua morte na cruz: “(23)Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. 24 Em verdade, em verdade, vos digo: se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto.! Jo 12. Esta multiplicação dos grãos de trigo se refere à multidão dos filhos e filhas de Deus que serão renascidos em Cristo Jesus, mas também sua multiplicação como Bom Pastor, que dá a vida pelas ovelhas, naqueles que são feitos por Ele participantes de sua missão pastoral. E assim é renovado o envio mesmo e único. Assim é renovada a missão mesma e única.
Neste tempo de início de ano, diversos padres recebem novas missões, alguns são transferidos de suas paróquias. Por que não deixar os padres onde estão?
Um pensamento me veio ao dar posse nestes dias a um sacerdote frente à nova paróquia para seu serviço de pastor. Quando muda na Igreja um Papa, um Bispo ou um Sacerdote, é oportunidade rica de fé para que possamos compreender que o Papa – Pai de nossas vidas – é um só. O Bispo – Pastor de nossas almas – é um só. O Sacerdote – Guia e Santificador da Família de Deus é um só. Jesus é o único Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Os ministros da Igreja são seus instrumentos. Podem mudar as pessoas que o representam e agem em Seu Nome (mais ou menos com suas capacidades humanas e santidade), mas é Ele mesmo que sempre estará agindo nelas pela ação do Espírito Santo. Como são muitas as hóstias consagradas, mas uma só é suficiente para comungarmos com a pessoa divina de Jesus, assim serão muitos os sacerdotes, mas basta um, aquele que Deus nos dá como seu dom de amor para nos servir para nos fazer entrar em comunhão com o próprio Jesus, que dá sua nova vida, que perdoa os pecados, que instrui com Suas palavras, que santifica com Seus sacramentos, que coloca em vínculo de comunhão com o Pai e com os irmãos e irmãs.
Vivemos hoje, e em demasia, o culto da personalidade. Também na vida eclesial muitas vezes pode-se permanecer na superficialidade da pessoa que é o instrumento, deixando de se colocar em comunhão mais profunda com o próprio Deus. A mudança dos pastores será rica oportunidade para se olhar mais profundamente para Aquele a quem os pastores representam e servem, pois será sempre: “Bendito aquele que vem em nome do Senhor!”

+ José Antonio Aparecido Tosi Marques


Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

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