sábado, 19 de fevereiro de 2011

EMIL CIORAN, O ATEU QUE CRÊ

Cardeal Gianfranco Ravasi


Bolonha (ZENIT.org) - O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, abriu em 12 de fevereiro, na Universidade de Bolonha, os encontros do Átrio dos Gentios, que promovem o diálogo entre crentes e não crentes, por sugestão de Bento XVI.
O purpurado apresentou uma reflexão sobre Emil Cioran (1911-1995), escritor e filósofo romeno. Oferecemos um fragmento da redação original.
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"Sou um estrangeiro para a polícia, para Deus, para mim mesmo". Este é, talvez, o lapidar e fulgurante documento de identidade de Emil Cioran, nascido há cem anos, em 8 de abril de 1911, em Rasinari, na Transilvânia romena. Este inclassificável escritor-pensador, em 1937, aos 26 anos, emigrou para Paris, onde viveu até a morte, em 1995. Foi estrangeiro para a sua própria pátria, cujo nome tinha suprimido de seu registro civil, abandonando inclusive seu idioma natal. Foi estrangeiro no país que o acolheu, por causa do seu constante isolamento: "Eliminava do meu vocabulário uma palavra após a outra. Acabado o massacre, só uma sobreviveu: solidão. Despertei satisfeito".Estrangeiro, por último, para Deus, apesar de Cioran ser filho de um sacerdote ortodoxo. Tão estrangeiro que se inscreveu na "raça dos ateus", mas viveu com a ânsia insone de seguir o mistério divino. "Sempre rondei a Deus como um delator: sem ser capaz de invocá-lo, eu o espionava".



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