domingo, 11 de abril de 2010

REFLETINDO SOBRE O EVANGELHO

João 20, 19-31

Estamos mergulhados na plenitude da alegria da celebração da Páscoa. E vamos viver uma alegria durante sete semanas – cinquenta dias – até a festa de Pentecostes. Como se fosse um longo Domingo, conforme a visão de Santo Atanásio. Este Domingo que é a “oitava da Páscoa”, mas que na nomenclatura atual da Liturgia passou a se chamar “segundo domingo da Páscoa”, tinha na primitiva igreja de Roma uma característica muito particular.
O Evangelho de hoje ( João 20, 19-31 ) lembra as duas aparições sucessivas de Jesus aos apóstolos reunidos no Cenáculo. A primeira aparição, na própria tarde da Ressurreição, não conta a presença de Tomé; e a incredulidade dele diante do que lhe contavam os outros, apóstolos provocou a segunda aparição, oito dias depois, justamente o domingo de hoje. E foi nessa aparição – a primeira, totalmente confirmada pela segunda que Jesus deixou à sua Igreja o grande dom do perdão dos pecados, o sacramento da confissão. O que nos leva a dizer muito legitimamente que o sacramento do perdão é o grande dom pascal de Cristo.
Tomé apresentado no evangelho de hoje representa a humanidade atual. Todos continuam incrédulos. Continuamos incrédulos. Continuamos vendo Cristo nos pedintes ao nosso lado; não somos capazes de ver que com a partilha do que possuímos poderíamos ajudar os que estão sem emprego; não vimos que o amor matrimonial é jorrado do Amor de Deus; não vemos que é na comunidade que está a maior presença de Deus; em síntese, continuamos não vendo quase nada. E, como Tomé, na maioria das vezes, continuamos querendo provas.
A mensagem que ainda podemos tirar deste evangelho: a atitude de Tomé vem assegurar que o cristão não deve ser alguém que se apega a boatos: é alguém através de sua fé amadurecida e purificada quer ver os fatos concretos. Os Apóstolos e Tomé lançaram uma grande luz para os cristãos de hoje. Os cristãos tem que afinar com a sua Igreja, que também não corre atrás de coisas maravilhosas e aparições não aprovadas pela Igreja. A Igreja nos ensina que a Revelação oficial atingiu sua plenitude em Cristo, e que terminou com a morte do último dos apóstolos.
Que o evangelho de hoje ajude a todos nós a um encontro de fé e amor com Jesus Cristo, reconhecendo-o Messias, Filho de Deus, e para que vivamos uma vida autêntica, inseridos na missão de Jesus, que é vivência do amor pleno.

Pe. Raimundo Neto
Pároco de São Vicente de Paulo

Nenhum comentário:

SANTO DO DIA -SÃO LUIS MARIA DE MONTFORT

Origens Nascido na França, em 1673, de uma família muito numerosa, ele sentiu bem cedo o desejo de seguir o sacerdócio e, assim, percorreu o...