O secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Dimas Lara Barbosa, recebeu na manhã desta segunda-feira, 21, uma delegação da Conferência dos Bispos da África do Sul, composta de cinco pessoas. Compõem a delegação, o bispo presidente da Comissão Justiça e Paz da Conferência Sul-africana, dom Bany Woal; Dacon Linder, da Secretaria de Gênero e Justiça Ambiental; Philani Mlchize, coordenador da iniciativa de Reforma Agrária; a representante ds jovens da diocese de Maniannhim, Phindile Mqwambi e o representante da ONG Chard Land, Granham Philpott. O grupo que tem como intérprete o consultor da Misereor para Desenvolvimento Agrário Internacional, Erwin Geuder-Jilg.
Na reunião, que durou cerca de duas horas, dom Bany, expôs a realidade da África do Sul e da Igreja Católica naquele país. “Nossa Conferência tem apenas 29 dioceses para uma população católica de 4,5 milhões num país com 49 milhões de pessoas”, disse. Segundo o bispo, a primeira experiência de democracia vivida pelo país começou em 1994. “Temos hoje outros problemas, como a questão da terra. Por isso viemos ao Brasil para aprender como trabalhar a questão da terra”, afirmou.
O grupo chegou ao Brasil no dia 14 e esteve na Bahia, visitando as dioceses de Ruy Barbosa e Bom Jesus da Lapa. Em Brasília, a delegação quis ouvir a experiência da CNBB em relação à Comissão Pastoral da Terra e à atuação da Comissão Brasileira Justiça e Paz. Além de dom Dimas, participaram da reunião o bispo de São José dos Pinhais (PR), dom Ladislau Biernaski; o secretário executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), Carlos Moura; o assessor da CBJP, Gilberto Cardoso Sousa, e a assessora da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, Irmã Delci Franzen.
O secretário da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, explicou como nasceu o apoio da Igreja às causas sociais. “Durante a ditadura militar, a Igreja foi a principal voz dos que não tinham voz no Brasil. Nesse tempo, vários movimentos sociais nasceram com o apoio e, às vezes, com a iniciativa da Igreja”, disse. Ele lembrou, por exemplo, o Movimento de Educação de Base (MEB) e destacou o papel importante das CEBs nesse período.
O secretário executivo da CBJP, Carlos Moura, recordou que a Igreja incentivou muito, antes mesmo do Golpe Militar, a organização dos camponeses. “Antes do Golpe de 1964, a Igreja já trabalhava no meio rural. Além do MEB, existiu o Serviço de Assistência Rural, liderado pelo cardeal Eugênio Sales, em Natal, no Nordeste”, esclareceu. “Nesse tempo, os camponeses não estavam organizados. Por força do trabalho da Igreja, através da Juventude Agrária Católica (JAC), é que se ajuda a organização dos camponeses”, destacou.
A Irmã Delci Franzen lembrou que a Comissão Pastoral da Terra (CPT) surgiu nos anos de 1970 “como um serviço da Igreja, especialmente na região da Amazônia, para ajudar a resolver conflitos de terra entre posseiros, população indígena e os grandes proprietários de terra”.
“As bases teológicas da luta pela terra é que a terra é dom de Deus para todos e não para alguns”, observou dom Ladislau Biernaski.
Na área social, a Conferência Episcopal Sul-africana tem desenvolvido outros projetos, segundo informou a delegação. Um dos programas novos diz respeito à Secretaria contra o tráfico de seres humanos.
Carlos Moura apresentou ao grupo o trabalho da CBJP e ouviu, também, a experiência dos sul-africanos, sobretudo, na questão da luta contra o preconceito racial e questões de gênero.
Ao se despedir, dom Bany disse que sempre ouviu falar da opção preferencial pelos pobres feita pela Igreja da América Latina. “Em nossa viagem pelo Brasil, vimos o que significa a opção preferencial pelos pobres e como ela acontece na prática”, afirmou. Para ele, a dificuldade com a língua não tem sido problema durante as visitas. “Em todos os lugares por onde passamos, sentimos o abraço das pessoas porque falamos o idioma do amor”.
O grupo segue hoje para Goiânia onde fica até sexta-feira visitando a sede nacional da Comissão Pastoral da Terra. A cidade de Goiás também deverá ser visitada pela delegação sul-africana.
Fonte: CNBB
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