domingo, 3 de março de 2013

REFLEXÕES SOBRE AS LEITURAS DE HOJE

03/03/2013 - III Domingo da Quaresma

– 1ª. leitura - Êxodo 3,1-8.13-15 – “Ser para o outro”
Deserto é lugar de solidão, de secura, de aridez, de isolamento, de
fuga. Foi como um fugitivo que Moisés partiu para o deserto, porque
havia cometido um crime e tinha medo da punição. Ali, ele se acomodou
pastoreando o rebanho do seu sogro, levando, com certeza, uma vida
insípida e sem graça. Um dia, porém, sentiu o desejo de ir mais adiante
na solidão da sua vida e atravessou a linha do deserto encontrando outra
realidade que o atraiu mudando o rumo da sua existência. A história de
Moisés não é muito diferente da nossa história, isto é, da história do
homem e da mulher dos dias atuais. Apesar de estarmos rodeado por uma
multidão vivemos no deserto, pois estamos cuidando de nós mesmos e de
pastorear apenas aquilo que nos pertence, dentro dos nossos limites
humanos e sociais. Cultuamos o isolamento, o não compromisso com o
próximo, mesmo com aqueles que convivem conosco. Valorizamos a nossa
individualidade e amargamos por isto, a solidão e a secura da nossa alma
nos nossos relacionamentos. Muitas vezes, até dentro de uma família
também acontece esta realidade: cada um para si e... Deus que cuide do
outro. Porém, o ser humano não se basta a si mesmo. Todos nós fomos
criados com uma necessidade muito maior daquela que nós próprios podemos
suprir. O saciar das nossas necessidades só acontece em Deus. Dentro de
cada homem e de cada mulher existe a marca de Deus, por isso, o “homem
não descansará enquanto não encontra-Lo”. O desejo de Deus é como um
carimbo que foi impresso no nosso coração por Ele mesmo. Assim,
portanto, como Moisés, em certo momento da nossa vida somos impelidos a
ir mais adiante, além de nós mesmos para encontrarmos Aquele que faz o
nosso coração arder como aquela sarça chamejante que Moisés via e que
não era consumida pelo fogo. Esta sarça ardente é o nosso coração que
arde com o Amor de Deus pelo fogo do Espírito Santo. Ao encontrar este
fogo do Amor de Deus nós somos levados (as) a sair do nosso isolamento.
O encontrar-se com Deus faz com que encontremos o nosso próximo. É o
próprio Deus quem nos mostra a necessidade e a carência do nosso irmão
(ã) que está perto de nós e a quem antes ignorávamos. O homem que buscar
a felicidade só a encontrará quando encontrar Deus e o irmão. O chamado
é pessoal. Cada um de nós é um universo, mas partindo de cada um, Deus
quer recriar a unidade do todo. Cada novo dia para nós é momento de
recriação. Ser para o outro é o chamado de Deus para nós, em família, em
comunidade e por onde andarmos. Tirar o próximo da escravidão do Egito,
das mãos do FARAÓ enfrentando as dificuldades quaisquer que sejam elas é
um desafio que Deus nos lança. Só o Amor de Deus far-nos-á cometer atos
de heroísmo! Só com Amor de Deus conseguiremos amar o outro como a nós
mesmos! O AMOR amado gera mais amor para amar. – Você já teve essa
experiência de ir além do deserto da sua vidinha? – Você já foi atraído
(a) pela sarça do Espírito Santo? – O fogo o (a) desinstalou ou você
ainda está preso (a) apenas à sua visão? - Você já tem consciência de
que é o Moisés na sua casa? Que você foi escolhido por Deus para tirar o
seu povo da “escravidão do Egito”? Pense nisto!

Salmo 102 – “O Senhor é bondoso e compassivo!”
Ser compassivo é ser cheio de amor, portanto assim é que o Senhor é. Ser
compassivo (a) é saber viver com paixão a vida que Deus nos dá. Que os
nossos lábios se abram e que a nossa alma nos anime a sempre louvar a
Deus pelo amor com que Ele nos ama. Que possamos em todos os momentos da
nossa vida bendizer o Senhor com a nossa alma e todo o nosso ser.

2ª. Leitura 1 Cor. 10, 1-6.10-12 – “O que significa o morrer no deserto ”
Desde sempre Deus assiste o Seu povo na Sua caminhada terrena e Jesus
Cristo é o nosso rochedo espiritual desde toda a eternidade. Tomando
como exemplo o povo que atravessou o deserto em busca da Terra Prometida
São Paulo nos revela uma realidade muito presente na nossa caminhada
aqui na terra. Aquele povo todo que atravessou o deserto teve a mesma
proteção e providência de Deus para as suas necessidades. O Senhor deu a
uns a mesma oportunidade que deu aos outros, no entanto, mesmo assim a
maior parte deles desagradou a Deus, por isso, pereceu no deserto. O que
significa então morrer no deserto? A morte no deserto é uma decorrência
do nosso pecado e da nossa intransigência em permanecer escravizado por
ele. Todos nós também estamos aqui atravessando o deserto da nossa vida
sujeitos ou não a não entrar na terra prometida, isto é, na vida eterna
que Jesus nos preparou. O que pode nos levar à morte eterna não é
propriamente o ato de atravessar o deserto, mas a maneira como nós o
fazemos. Quando conscientemente nos afastamos do nosso rochedo
espiritual que é Jesus; quando murmuramos e reclamamos do sofrimento;
quando nos rebelamos e queremos fugir de algum jeito, fazendo qualquer
coisa para nos livrar da cruz; quando pensamos que temos poder para tudo
e não precisamos de Deus nem de ninguém. A história do povo de Deus que
a Bíblia nos conta nos serve, então de exemplo, para guiar a nossa
peregrinação aqui na terra. Somos também aquele povo, feito da mesma
matéria, que tem a tendência de se auto proteger e compreende que as
coisas ruins só podem acontecer com os outros, pois temos a força de
superar todos os desafios. São Paulo também nos adverte: “Portanto, quem
julga estar de pé tome cuidado para não cair”. – Para você o que
significa essa advertência de São Paulo? - Como você tem atravessado o
deserto da sua vida, confiando em Deus ou em si mesmo (a)? – Você está
convencido (a) de que Deus o (a) assiste a cada momento da sua vida? – O
que você entende por Rochedo Espiritual?

Evangelho – Lucas 13, 1-9 – “a paciência de Deus ”
Todos nós haveremos de passar pela morte natural, independentemente do
bem ou do mal que tivermos praticado. A morte espiritual, porém, é a
morte da nossa alma pelo pecado e depende da nossa falta de conversão a
Deus e da nossa inutilidade durante o tempo em que labutamos por aqui.
Assim, portanto, Jesus nos esclarece para que não entendamos que os
acidentes e as tragédias pelas quais passamos na nossa vida sejam um
castigo de Deus . Deus não quer a morte do pecador, mas a sua conversão
e mudança de vida. Pensamos que as coisas ruins que nos acontecem são um
castigo de Deus por causa dos nossos pecados. Quando então, reconhecemos
que somos culpados carregamos um fardo pesado e entendemos que seremos
condenados pelas nossas ações; Por outro lado, quando nos consideramos
“bonzinhos e merecedores” achamos que somos injustiçados pelas coisas
ruins que bateram à nossa porta. Jesus, porém, nos exorta: se não nos
convertermos, se permanecermos no erro, no pecado, na desobediência,
serão também naturais, as más consequências que sofreremos. O Senhor nos
dá a chance, precisamos apenas aproveitá-la! Por isso, Ele conta a
Parábola da figueira a fim de que percebamos a paciência e o cuidado que
o Pai tem a fim de que não pereçamos. A nossa conversão e a mudança de
vida são condições para que também não morramos nos nossos pecados, isto
é, espiritualmente. A “morte espiritual” vem em consequência da nossa
escravidão ao pecado que nos afasta de Deus, desarmoniza a nossa alma
impedindo-nos de dar frutos bons. Somos, então, como uma figueira que
foi plantada no meio da vinha de Deus. Estamos ocupando um espaço,
recebemos assistência, e há também um vinhateiro que cuida de nós com
paciência de mestre, apesar disso, nos obstinamos em permanecer do jeito
que somos e preservamos a nossa individualidade de pecadores. Jesus é o
vinhateiro a quem Deus Pai entregou a Sua vinha, mas que acolhe até
mesmo os que são diferentes. Cabe a cada um de nós nos deixarmos cavar,
adubar, regar a fim de que possamos dar frutos de justiça e santidade,
paz, amor para alimentar o mundo. O Senhor é paciente e permite a cada
dia que assumamos o lugar e o compromisso com a Sua vinha. – Qual é a
visão que você tem das “desgraças” que acontecem no mundo? - Você tem
conseguido perceber que consequências as suas ações têm trazido para a
sua vida? – Quais os frutos que você tem oferecido para alimentar o povo
de Deus? – Você entendeu o que é a morte espiritual?

Helena Serpa,
Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho

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