REFLETINDO SOBRE O EVANGELHO
Terceiro Domingo da Quaresma
No evangelho de hoje (Lc. 13,1-9), meditamos a
parábola da figueira. Esta parábola ilustra a paciência divina com o pecador.
Por sugestão do vinhateiro, o dono da vinha poupa a figueira por três anos. Se,
até lá, não produzisse frutos, seria cortada. A mesma sorte está destinada ao
discípulo do Reino. É impelido a converter-se e a produzir frutos dignos de
quem coloca em Deus o seu coração. Deus, na sua infinita paciência, não se
recusa a esperar até a pessoa deixar de lado a maldade e o egoísmo. Chega,
porém, um momento em que não é mais possível esperar: é a hora da morte
corporal. Quem, até o fim, se recusa a converter-se será cortado como a
figueira e terá sorte pior do que a das vítimas da violência e da fatalidade do
passado. A prudência aconselha o discípulo à não tardar em voltar-se para Deus.
O evangelho faz-nos um forte apelo de conversão,
tema propício para o tempo litúrgico que estamos vivendo: a quaresma. Conversão
é mudança de rumo na vida. É tarefa de cada dia da nossa vida. Essa mudança
deve ser já, hoje, agora; amanhã poderá ser tarde demais. Todos temos
necessidade de mudança, de conversão. Ninguém pode considerar-se totalmente
convertido, pois a conversão é um processo na caminhada cristã. A parábola da
figueira diz que o dono foi buscar frutos na figueira, mas não encontrou. Uma
mudança de conversão começa no coração, na produção de frutos. Os frutos são o
resultado de nossa conversão. Deixar a figueira infrutífera, mais um ano,
significa dar mais uma chance, uma oportunidade. Devemos ser pacientes e
esperar frutos das pessoas, e não querer excluí-las da caminhada logo no
primeiro erro. Deus, em Jesus, dá sempre uma última chance.
Estamos vivenciando a
Campanha da Fraternidade. Ela nos mostra a água como dom precioso de Deus e
indispensável à sobrevivência dos seres vivos e da humanidade.
Estamos longe da concepção
de São Francisco de Assis da irmã água "útil e humilde, preciosa e
casta". Hoje ela se transformou em fonte de luta, de batalhas
comerciais, de interesses, alguns verdadeiros, outros espúrios. À água veste-se
de muito simbolismo religioso. Na Bíblia, aparece a água na dupla valência de
morte e vida. No dilúvio a água significa a morte e limpeza de toda a maldade.
Mas dessa destruição surge o ramo verde de vida que o pássaro traz no seu bico.
Deus estabelece a aliança noática, prometendo que nunca mais destruirá a
humanidade pela água.
À água é um dom especial do
Deus Criador à sua criação, especialmente ao ser humano. A pessoa, desde a
concepção até o final de sua vida, está toda envolvida por esse líquido
precioso. Nós somos água. 70% do nosso corpo adulto é de água. 90% do corpo de
um bêbê é de água. A natureza necessita de água para se manter viva e a pessoa
precisa da natureza e da água para uma vida de qualidade. E para os cristãos,
além do lado humano, vital, a água é rica de simbolismo religioso e teológico:
ela purifica, no sacramento do batismo e nos sacramentais; as gotas d'água
acrescentadas ao vinho, na eucaristia, simbolizam a humanidade de Jesus. À água
é mais de que um recurso hídrico. É vida como todas as suas ressonâncias
simbólicas de fecundidade, renascimento e purificação. A Igreja no Brasil quer
com essa Campanha ser uma ajuda, uma educação e evangelização, uma conjugação
de esforços e solidariedade entre as pessoas.
Peçamos ao Senhor Jesus, que
faça do nosso coração um aqüífero de amor a Deus e ao próximo. Desejamos a
todos uma profunda caminhada espiritual para a Páscoa.
Pe. Raimundo
Neto.
Pároco de São
Vicente de Paulo

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