Durante três dias, de 3 a 5 de março, a Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, também conhecida como Comissão 8 da CNBB, reuniu, em Brasília, os coordenadores das Pastorais Sociais, Organismos, Setor Mobilidade Humana e Mutirão Contra a Fome para discutir o Plano Anual que contém os projetos destas organizações para 2008.
“Nesta reunião, tratamos dos projetos e das atividades das Pastorais Sociais e dos Organismos ligados à nossa Comissão propostos para esse ano”, explica a assessora da Comissão, Irmã Delci Franzen. “Discutimos a importância das Pastorais Sociais nos debates sobre políticas públicas voltadas para o público alvo de nossas pastorais como, por exemplo, povo da rua, população carcerária, adolescentes em conflito com a lei”, destaca.
Além disso, os coordenadores das Pastorais Sociais refletiram também sobre o texto em elaboração das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora a serem aprovadas na assembléia dos bispos de 2 a 11 de abril. Segundo Irmã Delci, a Comissão se comprometeu a enviar contribuições para o texto.
Ao final do encontro, a Comissão aprovou uma Mensagem às Mulheres do Brasil, lembrando o Dia Internacional da Mulher, a ser comemorado no próximo sábado. “Nos relatos dos trabalhos das Pastorais Sociais e Organismos, apresentados na reunião da Comissão, constatou-se que muitas delas [das mulheres] ainda são vítimas de violências, exploração, desrespeito e exclusão social”, diz a mensagem.
Segundo a Comissão, “as mulheres estão sendo sementes de um outro tipo de sociedade, centrada na solidariedade, e o fazem através de ricos e diversificados processos", considera a Mensagem.
Leia, abaixo, a íntegra da mensagem.
COMISSÃO EPISCOPAL PASTORAL PARA O SERVIÇO
DA CARIDADE, DA JUSTIÇA E DA PAZ
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
MENSAGEM ÀS MULHERES DO BRASIL
“Eu quero a vida de meu povo”(Ester, 5,3)
A reunião da Comissão Episcopal Pastoral a Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, da CNBB, com presença das Pastorais Sociais e Organismos que a compõem, realiza-se na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, e este é o motivo da presente mensagem. Celebra-se a memória de todas que lutaram, e pagaram com sua vida, desde 1856, e das que lutam ainda hoje em favor dos direitos de todas as mulheres trabalhadoras. Passados mais de cento e cinqüenta anos do acontecimento em que mulheres operárias foram mortas, em Chicago, nos Estados Unidos da América do Norte, por exigirem seus direitos, vale perguntar-se: as mulheres têm, hoje, sua dignidade e seus direitos reconhecidos, respeitados e garantidos?
Nos relatos dos trabalhos das Pastorais Sociais e Organismos, apresentados na reunião da Comissão, constatou-se que muitas delas ainda são vítimas de violências, exploração, desrespeito e exclusão social. Continuam em situação de extrema vulnerabilidade: vivem nas ruas e viadutos, sem teto e comida, sem terra e emprego, sem salário e renda, sem saúde e acesso à educação. É comum, ainda, a prática de relações de trabalho assalariado com marcas de superexploração, particularmente atingindo as mulheres negras. Mais grave ainda é a situação das mulheres levadas à prostituição por causa da extrema miséria, reduzidas a objetos de prazer e de lucro de empresas de exploração sexual.
Agrava-se cada dia mais a exploração sexual e a violência doméstica, incluindo crianças e adolescentes. Reproduzem-se preconceitos e ações que visam impedir a afirmação da subjetividade e da igualdade de direitos da mulher na sociedade.
Por outro lado, as mulheres estão sendo sementes de um outro tipo de sociedade, centrada na solidariedade, e o fazem através de ricos e diversificados processos: o cuidado com a vida, a geração de economia solidária, a organização de catadoras e catadores de materiais recicláveis, o reaproveitamento de bens úteis, o cultivo da terra e produção de alimentos mais saudáveis, a disseminação de experiências vitais, de escuta, de afeto, de beleza e de bênção. Elas dão uma contribuição qualitativa e inestimável às comunidades cristãs, às pastorais e aos movimentos sociais.
Mesmo com todas estas contribuições e com suas lutas pela cidadania, contudo, as mulheres ainda são discriminadas nos espaços de decisão e poder. Por isso, sua luta continua.
Dois fatos chamaram atenção nos dias da reunião da Comissão: as organizações de mulheres articuladas na Via Campesina decidiram implementar uma semana de lutas contra o agronegócio e as transnacionais que estão invadindo o território brasileiro; catadoras e catadores implementam lutas, em Belo Horizonte, contra a terceirização do serviço da coleta seletiva, dinâmica que tende a excluí-los do protagonismo conquistado a duras penas.
As Pastorais Sociais e Organismos da Comissão apóiam estas e outras lutas celebrativas do Dia Internacional da Mulher de 2008, e desejam que sua mensagem seja compreendida e acolhida por todos os brasileiros e brasileiras, bem como pelos governantes. E o fazem como sinal de seu compromisso com a promoção dos direitos das mulheres no Brasil e no mundo, para que se apresse o necessário processo de transformação profunda da sociedade humana. Brasília, 5 de março de 2008.
Dom Pedro Luiz Stringhini – Presidente da Comisão 8 da CNBB
Dom Guilherme Antônio werlang
Dom Mauricio Grotto de Camargo
Dom Ladislau Biemaski
Dom Demétrio Valentini
Dom José Luiz Ferreira Salles
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