“Com especial atenção e em continuidade com as conferências gerais anteriores, fixamos nosso olhar nos rotos dos novos excluídos: os migrantes, as vítimas da violência, deslocados, refugiados, vítimas do tráfico de pessoas e de seqüestros, crianças vítimas da prostituição, pornografia e violência, mulheres maltratadas, vítimas do tráfico de exploração sexual”, afirmou dom Álvaro Ramazzini, bispo de San Marcos, Guatemala e um dos expositores do Encontro sobre Tráfico de Pessoas, promovido pelo Setor Mobilidade Humana do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam).
Com o objetivo de formar agentes pastorais para prevenir a questão do tráfico de pessoas e garantir uma maior atenção às vítimas, o Encontro, realizado de 6 a 8 de agosto, na Cidade do Panamá, reuniu 45 representantes do Panamá, Argentina, Brasil, Paraguai, Chile, Equador, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Guatemala, Nicarágua, Estados Unidos e Holanda. Do Brasil estiveram presentes o bispo responsável pelo Setor Mobilidade Humana da CNBB, dom Maurício Grotto e os assessores: Ir. Rosita Milesi, Pe. Claudio Ambrosio, cs, e Ir. Albertina M. Pauletti, mscs.
Toda a discussão girou em torno do atendimento às vítimas, da prevenção do tráfico e da elaboração de propostas de políticas públicas.
Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), a cada ano, entre 600 mil a 4 milhões de pessoas são traficadas, mediante propaganda enganosa, e depois exploradas, por meio da prostituição, do trabalho escravo, da venda de órgãos para transplantes etc. Desse total, 80% são mulheres e crianças. Este comércio, de acordo com a OIM, movimenta em torno de R$ 12 milhões de dólares por ano e se constitui no terceiro negócio criminoso mais rentável do mundo, superado apenas pelo comércio de armas e drogas.
Entre as principais propostas apresentadas durante o encontro, destacam-se:
- na perspectiva da assistência, “fortalecimento da atenção às vítimas do tráfico de pessoas, de maneira que permita abordar o tema nos países de origem, de trânsito, de destino e de retorno, a partir de uma perspectiva de direitos, no respeito e proteção à dignidade do ser humano”;
- na perspectiva da prevenção, “sensibilização e informação sobre o tráfico de pessoas, a partir da Doutrina Social da Igreja, reconhecendo as características culturais dos diferentes países, a partir da credibilidade e da palavra eclesial, no marco de uma Pastoral de conjunto”, e,
- na dimensão da incidência, “abordar o conjunto das políticas públicas em matéria de tráfico de pessoas (elaboração, decisão, orçamento, execução e controle), com ênfase no trabalho em rede, no contexto do modelo de desenvolvimento de nossos países, seu sistema educativo e o fortalecimento de suas instituições”.
Para Ir. Rosita Milesi, “as propostas e compromissos de ação buscam priorizar a dignidade da pessoa, a proteção e defesa de seus direitos e o combate às práticas das redes criminosas que exploram o ser humano como se uma ‘mercadoria’ fosse”.
CNBB
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